TJGO vai construir estrutura de R$ 35 milhões para ampliar processamento, armazenamento e inteligência artificial
Instalação da estrutura está prevista para janeiro de 2027 e a operação completa deve começar em maio
Ir direto pra matéria
O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) prepara uma nova estrutura de tecnologia para ampliar a capacidade de processamento, armazenamento e disponibilidade dos sistemas utilizados pelo Judiciário. O novo data center será instalado no Complexo dos Juizados Especiais, no Jardim Goiás, em Goiânia, e foi projetado para atender às demandas tecnológicas do Tribunal pelos próximos 10 a 15 anos.
Ao Mais Goiás, o TJGO explicou que a construção é uma medida preventiva e estratégica. Segundo o Tribunal, as duas estruturas atualmente em funcionamento estão próximas dos limites de expansão, principalmente em relação a espaço físico, capacidade elétrica e climatização. Não houve uma interrupção específica dos sistemas que tenha motivado a contratação.
O valor final contratado é de R$ 35.054.505,24, acima dos R$ 20 milhões previstos inicialmente no Plano de Obras 2025–2027. O documento também previa que a nova estrutura fosse concluída em 2026. O cronograma, porém, foi alterado e a instalação está agora prevista para janeiro de 2027. Segundo o TJGO, os estudos apontaram que o projeto exigia um nível de detalhamento e integração maior do que o previsto inicialmente.

Também foi necessário avaliar questões como disponibilidade de energia em média tensão, adequação da subestação, intervenções civis, logística para instalação dos equipamentos, acesso para grupos geradores e guindastes e possibilidade de expansão futura.
Atualmente, o TJGO opera com uma sala-cofre no Complexo B, com 11 racks, e um data center em contêiner no prédio das Varas Cíveis, no Parque Lozandes, com 13 racks. Juntas, as estruturas atendem mais de 15 mil usuários internos e cerca de 280 mil usuários externos e suportam mais de 300 mil requisições por hora.
Somente o Projudi, sistema de processo judicial eletrônico, possui aproximadamente 1,3 milhão de processos judiciais ativos. Com a entrada em operação do novo ambiente, a atual sala-cofre do Complexo B, que tem cerca de 16 anos, deverá ser desativada.
Novo data center terá 32 racks
A nova estrutura terá capacidade para 32 racks, sendo 28 destinados a equipamentos de tecnologia da informação e quatro para telecomunicações. Dos racks de TI, seis serão preparados para servidores de inteligência artificial e processamento de alto desempenho.
Enquanto os racks convencionais foram dimensionados para cerca de 6 KVA cada, os destinados à inteligência artificial poderão operar com até 30 KVA. A capacidade energética total prevista chega a 300 KVA.
A previsão inicial é de aproximadamente 2 petabytes de armazenamento bruto, considerando também equipamentos que estão em processo de aquisição. O projeto foi concebido de forma modular, permitindo ampliar processamento e armazenamento conforme a necessidade do Tribunal.
Inteligência artificial
O TJGO explicou que servidores equipados com GPUs exigem mais energia e refrigeração do que equipamentos convencionais. Por isso, o novo data center já foi projetado para receber máquinas de alta densidade computacional.
A estrutura também poderá receber sistemas de refrigeração líquida, que poderão ser implantados conforme a demanda, sem necessidade de alterações estruturais no data center.
Entre os cerca de 90 sistemas que deverão ser suportados pela nova infraestrutura estão o Projudi, o Proad, os sistemas de inteligência artificial AGAIA e BERNA, ferramentas de gestão de pessoas e folha de pagamento, portais institucionais e soluções para automação, geração de relatórios, elaboração de minutas e transcrição de audiências.
O Projudi será migrado para o novo ambiente de forma planejada e controlada.
- IA goiana que encontra ações repetitivas já analisou 2,5 milhões de processos no País
- IA vai ajudar a elaborar perguntas feitas a jurados em Goiás
Entenda o que é padrão Tier III
O projeto foi estruturado com requisitos compatíveis com um ambiente de missão crítica e com o padrão Tier III. Na prática, isso permite a realização de manutenções programadas sem a necessidade de interromper os serviços, por meio da redundância dos componentes críticos.
A estrutura terá ainda sistemas de climatização de precisão, proteção contra incêndio, segurança física, automação, telecomunicações e tecnologia da informação.
Segundo o TJGO, os requisitos foram definidos a partir de estudos técnicos, visitas a outros órgãos públicos e trabalho conjunto das áreas de Tecnologia da Informação, Engenharia e Arquitetura, com acompanhamento da Presidência do Tribunal.
Instalação prevista para 2027
O contrato estabelece prazo de 245 dias para implantação, incluindo projetos executivos, fornecimento e instalação dos equipamentos, integração, testes e comissionamento. De acordo com o cronograma atual, a instalação da estrutura está prevista para janeiro de 2027, enquanto a plena entrada em operação deve ocorrer em maio de 2027.
Contrato de R$ 35 milhões
Segundo o Tribunal, o valor não corresponde apenas à construção física do data center. O contrato inclui a implantação de uma solução integrada, com projeto executivo, fornecimento e instalação do Data Center Pré-Fabricado Outdoor, sistemas de segurança e combate a incêndio, videomonitoramento, cabeamento, climatização, adequações elétricas e da subestação, transformadores, grupos geradores e adaptações civis.
Também estão previstas a migração dos equipamentos dos data centers atuais, treinamento das equipes e serviços de suporte e manutenção, com fornecimento de peças, plantão técnico e monitoramento remoto 24 horas por dia, sete dias por semana, durante cinco anos.
A empresa contratada é o Consórcio SD-DCTI, formado pela Sodalita Informática e Telecomunicação Ltda., líder do consórcio, e pela Datacriticalti Tecnologia da Informação Ltda.
Escolha do local
Segundo o TJGO, a escolha do Complexo dos Juizados Especiais para instalçao levou em consideração a disponibilidade de energia elétrica, acesso e logística, segurança, intervenções civis necessárias e economicidade.
O Tribunal informou que outras áreas avaliadas exigiriam adequações de infraestrutura mais complexas e investimentos adicionais.
Com a nova estrutura, o TJGO pretende ampliar a segurança, a disponibilidade e a capacidade dos serviços digitais, além de criar condições para incorporar equipamentos de alto desempenho e acompanhar o crescimento do uso de tecnologia e inteligência artificial no Judiciário.