Justiça afasta sete dos nove vereadores de Campinorte
Eles são investigados por improbidade administrativa junto com o ex-prefeito, afastado desde 2018
Ir direto pra matériaA justiça afastou, em uma decisão liminar, sete dos nove vereadores do município de Campinorte. Eles são investigados por atos de improbidade administrativa junto com o ex-prefeito da cidade, Francisco Correa Sobrinho (PROS), afastado do cargo no ano passado. A decisão vale por 180 dias ou até o fim do trâmite do processo.
Foram afastados: Divaldo Lindolfo Laurindo (MDB), Olivaldo Pereira Maia (PODE), Silvanio Manduca (PP), João Batista de Almeida Ramos (PROS), Josemar Ferreira Xavier (PROS), Jucelino Correia de Miranda (PSDB) e Paulo Célio Manduca (PHS).
A liminar foi uma resposta a uma ação impetrada pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO). A promotora responsável pelo caso, Ana Luísa Monteiro Sousa, acredita que houve num conluio dos sete vereadores com Francisco para garantir a sua recondução ao cargo.
Entenda
Francisco foi afastado em junho de 2018, após sessão de julgamento da Câmara Municipal. De acordo com o MP-GO, a medida foi tomada “em razão de uma série de infrações político-administrativas, que vão desde o não atendimento de requerimentos e de pedidos de explicações dos vereadores até a negligência no ‘trato com o fundo de previdência’”.
O prefeito entrou na justiça para pedir a anulação do ato dos vereadores, mas teve o pedido negado. Ele então protocolou um pedido administrativo solicitando à Câmara Municipal que anulasse a sessão. Nessa tentativa, ele conseguiu, com sete votos favoráveis e duas abstenções, que o ato fosse anulado.
Correria
O que chamou a atenção da promotora foi o fato de que o pedido foi protocolado no dia 6 de maio de 2019 e votado já no dia seguinte, sem passar por qualquer tramitação interna nas comissões temáticas. Além disso, o Decreto que reconduzia o Francisco ao cargo marcou a posse para o dia 9 de maio, três dias depois do protocolo na Câmara. Ele só não tomou posse porque o vice, Aguinaldo Ávila (PSB), entrou com um mandado de segurança e conseguiu anular a recondução.
O juiz que deferiu a liminar, Eduardo Peruffo, ressaltou que causou espanto que “um procedimento de tamanha envergadura tenha sido incluído em pauta, discutido e votado na sessão ocorrida no dia seguinte ao seu protocolo, sem qualquer outra espécie de tramitação”.
Eduardo afirmou, ainda, que as informações repassadas pelo MP-GO mostram que os vereadores articularam o retorno de Francisco por estarem insatisfeitos com a gestão do substituto. Para garantir a recondução do ex-prefeito, eles teriam desrespeitado as exigências legais.
O Mais Goiás tentou contato com a prefeitura e com câmara municipal de Campinorte. Até o fechamento da matéria as ligações não foram atendidas.
Com informações de MP-GO