Quinta-feira, 27 de Agosto de 2026
INVESTIGAÇÃO

Mala de dinheiro na BR-414: PC revela destino dos valores achados após acidente com empresário em Goiás

Irmão da vítima será indiciado por falso testemunho, enquanto motorista e proprietário do caminhão deverão responder por três homicídios culposos

Inglid Martins
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
Acidente na BR-414 matou empresário e filhas na última sexta-feira, em Cocalzinho de Goiás - ele portava mala de dinheiro

A mala de dinheiro encontrada dentro de caminhonete após acidente com empresário na BR-414, em Cocalzinho de Goiás ficará disponível aos herdeiros da vítima após processo de inventário. Enquanto isso, os R$ 67 mil achados no veículo serão depositados em juízo pela Polícia Civil. A medida ocorre após conclusão da história sobre o suposto desaparecimento de R$ 1 milhão, história que o irmão da vítima, Robeilton Junior, admitiu ter inventado. Wilker Renato Almeida da Silva, 29 anos, morreu com as filhas de 4 e 8 anos, na última sexta-feira (21).

A versão apresentada pelo Robeilton mobilizou a Subdelegacia de Cocalzinho de Goiás poucos dias após o acidente, ocorrido na sexta-feira (21), na BR-414. Inicialmente, ele afirmou ser o proprietário de R$ 1 milhão que estaria dentro da Ford Ranger, sendo R$ 870 mil em espécie. Segundo o relato, o dinheiro seria resultado de pagamentos feitos por clientes em bazares de vendas de calças jeans ao longo dos últimos dois anos. “Fiquei com medo de tá saindo no prejuízo, porque muitas pessoas tavam falando desse dinheiro. Por isso eu menti”, afirmou. Ele será indiciado por falso testemunho.

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imagem do acidente
O acidente matou Wilker Renato Almeida da Silva, de 29 anos, e as filhas dele, de 8 e 4 anos (Divulgação: PRF)

Suspeitas e mentiras

Robeilton também disse que teria pedido ao empresário para transportar a quantia até a casa da mãe, na zona rural de Cocalzinho de Goiás, onde o dinheiro seria guardado. A explicação, no entanto, levantou suspeitas dos investigadores, principalmente porque nenhum valor próximo ao montante informado havia sido localizado no veículo após a colisão.

Diante da denúncia, o delegado responsável pelo caso, Carlos Alfama, iniciou uma investigação para descobrir se o dinheiro realmente havia sido levado pela vítima e, em caso positivo, o que teria acontecido com a quantia após o acidente.

Diante disso, a PC realizou dezenas de diligências, incluindo a oitiva de pessoas que estiveram no local durante o socorro e a retirada das vítimas, além de uma perícia para verificar se o volume de dinheiro mencionado seria compatível com o espaço indicado pelo denunciante.

Imagem da família
As três vítimas morreram no acidente ocorrido na BR-414, (Foto: reprodução / redes sociais)

Verdade sobra a mala de dinheiro

Ao ser confrontado com os elementos reunidos pelos investigadores, Robeilton voltou atrás e reconheceu que havia mentido. Ele afirmou que apenas teria ouvido comentários de pessoas que estavam no local do acidente sobre a existência de uma grande quantia em dinheiro na caminhonete. Segundo o novo depoimento, circulava entre os presentes um boato de que o valor ultrapassaria R$ 1 milhão.

Robeilton será indiciado por falso testemunho em razão das declarações dadas durante a investigação. Em depoimento gravado por Alfama, ele admitiu que inventou a história sobre o R$ 1 milhão. Segundo o homem, a versão foi criada em meio ao choque pela morte do irmão e ao receio de sair no prejuízo diante dos comentários sobre a existência do dinheiro.

“Não era verdade. Eu tava em choque. Eu nunca participei de uma audiência na minha vida, é a primeira vez que participo de uma audiência criminal, sempre fui uma pessoa trabalhadeira, e aí do nada eu perco meu irmão […]”, afirmou

Mesmo depois de admitir a primeira mentira, o homem ainda tentou atribuir a si os R$ 67 mil efetivamente encontrados no veículo. Após ser confrontado novamente com as contradições, porém, reconheceu que o dinheiro pertencia ao irmão morto.

As investigações sobre o acidente que matou Wilker e as duas filhas também foram concluídas. Segundo Alfama, o caminhão tinha nove eixos e não poderia trafegar durante a noite. O motorista ainda teria feito uma ultrapassagem em local proibido. Diante das conclusões, o proprietário do veículo e o condutor deverão ser indiciados por três homicídios culposos.

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