Projeto inédito coloca Goiás na vanguarda da rastreabilidade digital para o mercado europeu
Tecnologia permitirá rastrear cadeias produtivas, validar certificados e ampliar a competitividade no comércio exterior
Uma iniciativa desenvolvida em Goiás promete colocar o estado na vanguarda da rastreabilidade digital no Brasil. A proposta utiliza tecnologia blockchain para registrar toda a cadeia produtiva — da origem da matéria-prima até a comercialização — e já foi aprovada e homologada na Rede Blockchain Brasil (RBB), infraestrutura pública-permissionada criada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O projeto prepara empresas para atender às novas exigências do mercado europeu, como o Regulamento Europeu de Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).
O presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (ACIEG), Rubens Fileti, afirmou ao Mais Goiás que o diferencial da iniciativa é ter sido homologada na Rede Blockchain Brasil (RBB), infraestrutura nacional criada pelo BNDES e pelo TCU e utilizada em aplicações públicas de grande porte. “Ele foi aprovado e homologado na Rede Blockchain Brasil, uma infraestrutura nacional fundada pelo BNDES e pelo TCU, que reúne instituições como Serpro, Dataprev, RNP e CPQD. Isso significa que não estamos falando de uma rede proprietária ou experimental, mas da mesma infraestrutura utilizada pelo Estado brasileiro em aplicações de interesse público.”
Para Fileti, a homologação coloca Goiás em posição de destaque. “Isso posiciona Goiás e o setor produtivo goiano na vanguarda nacional da rastreabilidade digital, à frente da curva regulatória europeia e alinhado ao mesmo padrão técnico utilizado pela Receita Federal, pelo Detran-DF e por outras aplicações estratégicas do setor público.”
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O que é blockchain?
Blockchain funciona como um grande registro digital compartilhado, no qual informações ficam armazenadas de forma permanente e não podem ser alteradas posteriormente sem deixar rastros. Na prática, a tecnologia permite acompanhar cada etapa de um processo, oferecendo mais transparência, segurança e confiabilidade sobre a origem e o histórico de um produto.
No projeto desenvolvido em Goiás, a tecnologia poderá ser utilizada para registrar toda a cadeia de produção de commodities, validar certificados digitais, comprovar a origem de produtos, autenticar documentos e fortalecer mecanismos de conformidade exigidos pelo comércio internacional.
Segundo Rubens Fileti, o cronograma já segue o modelo estabelecido pela própria Rede Blockchain Brasil. “Com a adesão à RBB, o cronograma técnico segue etapas já validadas nacionalmente: ambiente de testes, homologação de segurança e migração para a rede principal. Não se trata de um desenvolvimento isolado sujeito a improviso.”
A expectativa é que a plataforma esteja disponível para o mercado ainda no segundo semestre deste ano e totalmente operacional antes da entrada em vigor das novas exigências europeias de rastreabilidade.

Produtores rurais serão os primeiros beneficiados
A primeira etapa da implementação será direcionada ao agronegócio, especialmente aos produtores rurais.
Segundo Fileti, a escolha foi estratégica porque é justamente esse segmento que sofrerá maior impacto das novas regras internacionais. “A primeira fase concentra-se no produtor rural, ponto mais sensível da nova exigência europeia. Mas o modelo já nasce pensado para escalar para fabricantes e distribuidores.”
Ele afirma que as aplicações vão além da rastreabilidade. “Também poderemos validar qualquer tipo de selo de qualidade existente. Um exemplo simples é um certificado de um curso realizado pela ACIEG, que poderá ter sua autenticidade garantida pela Rede Blockchain Brasil.”
Embora o número inicial de participantes ainda dependa da fase piloto, a expectativa é que o modelo tenha alcance nacional. “Estamos falando de dezenas de milhares de empresas no Brasil. O projeto de Goiás pode se tornar uma referência replicável para outras cadeias produtivas, e não apenas uma solução local.”

Outro ponto destacado é a redução dos custos de rastreabilidade
Segundo Fileti, atualmente uma cadeia tradicional de custódia custa, em média, cerca de R$ 0,80 por registro. “Uma cooperativa com 50 mil lançamentos anuais gasta aproximadamente R$ 40 mil apenas com esses registros. Ao operar na Rede Blockchain Brasil, sem necessidade de token e sem cobrança por operação, esse custo deixa de existir e passa a ser substituído por um valor fixo.”
De acordo com ele, isso aumenta a competitividade das empresas brasileiras sem gerar custos adicionais aos produtores.
Apesar de ainda não existir uma empresa utilizando essa aplicação específica, Goiás deverá ser o primeiro estado brasileiro a colocar o modelo em funcionamento. “Seremos o primeiro case nacional. O projeto já nasce apoiado em uma infraestrutura madura utilizada pelo setor público federal. É uma solução disruptiva e inovadora até mesmo para os órgãos responsáveis pela regulação.”
Segundo a ACIEG, a expectativa é que, após a implantação inicial, novas aplicações sejam desenvolvidas para diferentes setores da economia, ampliando o uso da tecnologia blockchain em processos de certificação, rastreabilidade e validação digital.
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