Saldo problemático do crédito rural alcança R$ 21,4 bilhões em Goiás e cresce 237% em dois anos
Segundo Edson Novaes, o cenário exige cautela diante do aumento do endividamento e dos desafios para a próxima safra
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O endividamento do setor rural em Goiás cresceu significativamente nos últimos dois anos. Em entrevista ao Mais Goiás, o diretor do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag) e da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Edson Novaes, informou que o saldo problemático do crédito rural alcançou R$ 21,44 bilhões em maio de 2026, conforme dados do Banco Central. O volume representa 26,88% do saldo total do crédito rural no Estado, que somava R$ 79,7 bilhões no período, e aumentou 237% em relação a maio de 2024.
Novaes explicou que o saldo problemático reúne operações de crédito em atraso, inadimplentes, renegociadas e prorrogadas. Considerando apenas os contratos em atraso e inadimplentes, sem incluir renegociações e prorrogações, o montante chega a R$ 7,9 bilhões, equivalente a 9,9% do crédito rural em Goiás — um crescimento de 252% na comparação com maio de 2024.
Com esse cenário, Goiás passou a ocupar a terceira posição entre os estados com maior saldo problemático do crédito rural no país, atrás apenas do Rio Grande do Sul e de Mato Grosso.
Mais de 1 em cada 4 reais do crédito rural em Goiás está em situação problemática
Saldo problemático 73,12%
Demais operações
Em maio de 2026, Goiás possuía R$ 79,7 bilhões em crédito rural. Desse total, R$ 21,44 bilhões estavam classificados pelo Banco Central como saldo problemático, que inclui operações atrasadas, inadimplentes, renegociadas ou prorrogadas.
Fonte: Banco Central do Brasil (BCB). Dados compilados pelo IFAG e apresentados ao Mais Goiás.
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Cenário preocupa produtores
Para o diretor do Ifag e da Faeg, o aumento do endividamento ocorre em um momento de grande preocupação para o setor agropecuário. “O cenário atual para o produtor rural é preocupante e de cautela. Um cenário de aumento do endividamento, somado à redução da produção na safra 2025/2026, que foi divulgado no 10º levantamento da Conab, somado ao aumento dos custos de produção e do advento do El Niño, que já foi confirmado e que poderá afetar o plantio da próxima safra.”
Segundo Novaes, os dados apresentados pela Conab apontam uma redução de 11,2% na produção agrícola de Goiás. Ele ressaltou que a segunda safra de milho deve registrar queda de aproximadamente 4 milhões de toneladas, cenário que, na avaliação dele, reduziu a renda do produtor e agravou o endividamento no campo.

Projeto para renegociação
Diante desse cenário, o diretor defende a aprovação do Projeto de Lei nº 5.122/2023, em tramitação na Câmara dos Deputados. “É importantíssimo a aprovação do PL 5122/2023, que está tramitando na Câmara dos Deputados, para que possa auxiliar na renegociação das dívidas dos produtores goianos e brasileiros.”
Novaes também defendeu o fortalecimento das políticas de apoio ao setor, especialmente a ampliação dos recursos destinados ao seguro rural. “Este é um momento de muita cautela por parte do produtor. Principalmente devido aos desafios que ainda estão por vir para o plantio da próxima safra. Medidas importantes, como a renegociação das dívidas rurais e também de maiores recursos para o seguro rural, são fundamentais para garantir as condições necessárias para o plantio da próxima safra e para a continuidade do crescimento do setor agropecuário, âncora da economia goiana e nacional.”
Segundo ele, a Faeg e os sindicatos rurais de Goiás têm orientado os produtores tanto na renegociação de dívidas quanto na busca por políticas públicas junto ao Governo Federal e ao Congresso Nacional. “A FAEG e os sindicatos rurais do Estado de Goiás têm trabalhado e orientado os produtores rurais tanto na renegociação das suas dívidas, quanto em ações junto ao Governo Federal e ao Legislativo Federal, para que possamos ter aprovadas as políticas necessárias para auxílio ao setor rural.”
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