Parquinho é interditado após casos infecção por larvas; areia será substituída em Goiânia
Prefeitura inicia a substituição da areia; pediatra alerta para os riscos do bicho geográfico e orienta como prevenir a contaminação
Ir direto pra matéria
O que deveria ser um espaço de lazer para dezenas de crianças se transformou em motivo de preocupação para moradores do Jardim Goiás, em Goiânia. Após o registro de casos de bicho geográfico (larvas de parasitas intestinais de cães e gatos) entre crianças que frequentavam um parquinho infantil da região, os próprios moradores decidiram interditar o local com cadeados e cobrar providências do poder público. Depois de quase três meses da solicitação formal, a prefeitura de Goiânia informou que iniciará a substituição de toda a areia do playground, considerada contaminada por fezes de animas.
A troca da areia será realizada por equipes da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg). A previsão é de que o serviço dure cerca de três dias. Somente após a retirada completa do material contaminado e a colocação de uma nova camada de areia, o espaço será reaberto para uso da população.
A contaminação ocorreu por fezes de cães e gatos deixadas na areia, apesar da existência de placas proibindo a entrada de animais no local. A situação levou moradores a interditarem o parquinho para evitar novos casos da doença até que a limpeza seja concluída.
LEIA MAIS:
Moradora de um edifício em frente ao parque, Eleonor Garcia afirma que a comunidade aguardava uma solução desde os primeiros registros da doença. “Esse parquinho é bastante utilizado pelas crianças da região. Quando apareceram os casos de bicho geográfico, os moradores ficaram muito preocupados e decidiram interditar o espaço para proteger os pequenos. Agora, toda a comunidade está ansiosa para voltar a usar o parque com segurança, depois que a troca da areia for concluída.”
O sentimento é compartilhado por Lidiane Junqueira, mãe de três crianças e moradora da região. “Quando surgiram os primeiros casos, nós ficamos muito preocupados. É um parquinho muito frequentado pelas crianças do bairro e ninguém imaginava que a areia pudesse representar um risco para a saúde. Como mãe de três filhos, nossa prioridade foi proteger as crianças até que o problema fosse resolvido”, detalha.
Segundo ela, a expectativa é de que a intervenção resolva definitivamente o problema. “Esperamos que a troca da areia seja concluída o quanto antes e que também exista fiscalização para evitar que animais voltem a entrar no parquinho. Queremos que nossos filhos possam brincar tranquilamente, sem esse tipo de preocupação”, pontua.
Bicho geográfico pode causar lesões e infecções
Conhecida cientificamente como larva migrans cutânea, a doença é provocada por larvas de parasitas presentes principalmente nas fezes de cães e gatos contaminados. Em ambientes com areia ou solo úmido, essas larvas conseguem sobreviver por dias ou até semanas. Ao entrar em contato com a pele humana, penetram nas camadas superficiais e formam lesões avermelhadas em formato de trilhas, acompanhadas de intensa coceira.
A pediatra Juliana Avelar explica que as crianças estão entre os grupos mais vulneráveis porque costumam brincar diretamente na areia, andar descalças e permanecer mais tempo em contato com o solo.
“O bicho geográfico é uma infecção causada pela larva de parasitas presentes, principalmente, nas fezes de cães e gatos contaminados. Essas larvas conseguem sobreviver na areia e em solos úmidos e, quando entram em contato com a pele, penetram nas camadas superficiais, formando lesões avermelhadas que costumam provocar muita coceira e desconforto”, detalha.
Embora a doença raramente provoque complicações graves, ela alerta que o problema não deve ser subestimado. “As crianças estão entre os grupos mais vulneráveis porque brincam diretamente na areia, sentam no chão, andam descalças e permanecem mais tempo em contato com o solo. A coceira intensa pode provocar feridas, favorecer infecções bacterianas secundárias e comprometer o bem-estar da criança. Quanto mais cedo o diagnóstico e o tratamento forem realizados, mais rápida costuma ser a recuperação”, justifica.
Prevenção depende de cuidados simples
Além da troca da areia, especialistas ressaltam que evitar novos casos depende da colaboração entre poder público e população. Entre as principais recomendações estão impedir a entrada de animais em áreas destinadas às crianças, recolher as fezes dos pets durante os passeios e manter cães e gatos vermifugados.
“A prevenção depende de uma ação conjunta entre poder público e população. É fundamental manter caixas de areia e parquinhos limpos, impedir a entrada de animais nesses espaços, recolher as fezes dos pets durante os passeios e manter cães e gatos vermifugados. Essas medidas reduzem significativamente o risco de contaminação e ajudam a preservar ambientes seguros para as crianças”, ressalta.
A médica também orienta que pais e responsáveis procurem atendimento ao perceber lesões avermelhadas em formato de trilhas, acompanhadas de coceira intensa, principalmente após contato da criança com areia ou terra.
Enquanto o serviço não é concluído, o playground permanece interditado. A expectativa dos moradores é que a substituição da areia elimine o risco de contaminação e permita que o espaço volte a receber as crianças com segurança.