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Filme sobre Michael Jackson: o que é verdade e o que é mentira

Longa sobre vida de Michael Jackson traz detalhes curiosos, como a girafa de estimação dele; Cinebiografia já é sucesso de bilheteria mundial

Filme sobre Michael Jackson: o que é verdade e o que é mentira (Foto: Pixabay)
Filme sobre Michael Jackson: o que é verdade e o que é mentira (Foto: Pixabay)

(Folhapress) “Michael”, a nova cinebiografia sobre a vida triunfante, mas traumatizada, de Michael Jackson, passou por refilmagens custosas quando o espólio de Jackson descobriu um acordo legal dos anos 1990 que impedia o filme de retratar uma criança que havia acusado o astro de abuso sexual na época. Em vez disso, o conflito central do filme é entre o patriarca do Jackson 5, Joseph Jackson, e o grupo familiar que ele levou ao estrelato, particularmente Michael, seu dinâmico vocalista.

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Nesta versão da história, o que o filme ficcionaliza e o que ele acerta? Aqui está a checagem de fatos, baseada em parte em pesquisas para meu livro “MJ: The Genius of Michael Jackson”.

Joseph Jackson batia em Michael com um cinto quando ele era pequeno —e o chamava de “Narigudo”?

Sim, as surras aconteceram, de acordo com ambos os Jacksons. Michael acusou seu pai (interpretado por Colman Domingo) de abuso com cintos e “fios de ferro”. Joseph disse à BBC: “Eu batia nele com uma vara e um cinto. Eu nunca o espanquei —você espanca alguém com um porrete”. No filme, a mãe de Michael, Katherine, confronta Joseph: “O que você vai fazer, bater nele? Vai surrar ele?”. Mas em uma entrevista à CNN em 2013, Katherine Jackson defendeu seu marido: “Eu não achava que ele era duro demais”, e acrescentou: “Se você fizesse algo errado, levava uma bronca por isso, e também levava uma surra por isso”.

Quanto a “Narigudo”, foram os irmãos de Michael que lhe deram esse apelido cruel de infância, de acordo com o livro de J. Randy Taraborrelli “Michael Jackson: The Magic, the Madness, The Whole Story 1958-2009”. Embora o The Guardian e outras publicações tenham sugerido que Joseph Jackson também o chamava assim, o pai de Michael negou.

Michael Jackson intermediou uma trégua entre gangues de Los Angeles?

Sim, de certa forma. Ele queria um conceito de dança estilo “West Side Story” para seu curta-metragem de “Beat It” e instruiu seu empresário na época, Ron Weisner, a se reunir no centro de Los Angeles com os Crips e os Bloods —com segurança presente. As gangues concordaram em participar e chegaram ao galpão de ensaio em dois ônibus. O dançarino Popin Pete lembrou: “Essas pessoas se transformaram nas pessoas mais gentis de todas”.

Homenagem a Michael Jackson em muro de Hollywood (Foto: Pixabay)

Walter Yetnikoff, chefe da gravadora de Jackson, CBS Records, fez um telefonema ameaçador para a MTV que resultou nos videoclipes do artista sendo exibidos no canal em questão de horas?

Depende de quem você pergunta. Em sua autobiografia, “Howling at the Moon”, Yetnikoff, que morreu em 2021, disse que fez tais ameaças, com o apoio do produtor Quincy Jones. Executivos da Epic Records, de propriedade da CBS, daquela época concordam: ele ligou para Bob Pittman, então CEO da MTV Networks, e, referindo-se a outros artistas da CBS, disse: “‘Sabe todos aqueles videoclipes do Bruce Springsteen, Cheap Trick e Charlie Daniels que vocês estão tocando aí?'”, lembrou Ron McCarrell, um executivo de marketing da gravadora. “‘Empacotem todos, coloquem numa caixa e mandem de volta'”.
Mas executivos da MTV daquela época contestam esse relato. “Nunca aconteceu”, disse Les Garland, um executivo da emissora na época. “Folclore, cara, folclore”. De qualquer forma, o sucesso de Jackson “Billie Jean” estreou no influente canal a cabo em março de 1983 e integrou o que havia sido quase exclusivamente um formato para artistas brancos de rock.

Michael Jackson demitiu seu empresário —seu pai, Joseph— por fax?

Não. Joseph disse que contratou os co-empresários de Michael no início dos anos 80, Weisner e Freddy DeMann, e disse a eles: “Nós realmente não conseguimos o que precisamos da gravadora, então preciso de alguns caras brancos para me ajudar”. (Isso provocou uma troca na revista Billboard na qual Joseph se referiu a Weisner e DeMann como “ajudantes brancos”, e Michael disse que a declaração de seu pai “me embrulha o estômago”.) Em março de 1983, justamente quando “Thriller” estava decolando, ambos os contratos de empresariamento expiraram, e Michael recorreu a Frank DiLeo, seu amigo e promotor na Epic Records, para gerenciá-lo até o início dos anos 90.

O cabelo de Jackson pegou fogo durante a filmagem de seu comercial da Pepsi de 1984 com seus irmãos?

Sim. A representação desse evento em “Michael” é em grande parte precisa, como mostrado em um vídeo do incidente publicado pela Us Weekly em 2009, incluindo membros da equipe apagando as chamas do topo de sua cabeça. “Ele estava literalmente em pé em uma bola de fogo”, disse um membro da equipe de iluminação.

O filme mostra Jackson e seu advogado, John Branca (Miles Teller), discutindo um acordo de sete dígitos com a PepsiCo, que Jackson exige que seja doado a um centro de queimados. O valor real foi de US$ 1,5 milhão, de acordo com a revista People e outros relatos, e estabeleceu o Michael Jackson Burn Center no que era então chamado de Brotman Medical Center em Culver City, Califórnia. O centro fechou em 1987, e o centro médico é hoje o Southern California Hospital.

O que o filme não mostra: depois que Jackson deixou o hospital, ele começou a tomar analgésicos, o que, segundo ele disse em uma declaração posterior, levou à dependência.

Criança imita Michael Jackson (Foto: Pixabay)

Joseph Jackson disse que sem a receita do que se tornou a Victory Tour de 1984, estrelada por Michael e seus irmãos, “perdemos tudo”?

Não exatamente. Mas justamente quando a carreira solo de Michael estava decolando, Joseph e os irmãos Jackson estavam em dificuldades financeiras. Joseph se reuniu com promotores de shows sem o conhecimento de Michael e acabou trabalhando com o empresário de boxe Don King (interpretado por Deon Cole), que garantiu US$ 3 milhões para a família, muito mais do que outros promotores estavam oferecendo.

Jackson morava com seus pais na casa da família, na Hayvenhurst Drive, no bairro de Encino em Los Angeles, mesmo depois que “Thriller” estourou?

Sim. Embora Branca tenha ajudado Jackson a comprar um apartamento de três quartos em Encino no início dos anos 1980, o Rei do Pop não conseguia se afastar de sua mãe, então permaneceu na casa da família até comprar o Rancho Neverland, em Los Olivos, Califórnia, em 1988.

Jackson mantinha animais exóticos, incluindo Bubbles, o chimpanzé, e uma girafa, na casa de Hayvenhurst?

Sim. A família Jackson acumulou pavões, tigres, leões, avestruzes, cachorros e um papagaio, além de Bubbles, que usava macacões OshKosh B’Gosh e aprendeu a buscar sorvete Häagen-Dazs no freezer. Quanto à girafa, o Los Angeles Times relatou que funcionários de controle de animais da Califórnia removeram o animal de 6 meses, que não tinha licença, da casa dos Jacksons em 1986.

Joseph Jackson interceptou seu filho em casa, depois que o rosto de Michael estava enfaixado de sua primeira rinoplastia, e disse: “Oh, meu Deus, Michael”?

Não. Em sua autobiografia de 2011 “You Are Not Alone: Michael Through a Brother’s Eyes”, Jermaine Jackson diz que foi ele, não Joseph, quem interceptou Michael. “O que diabos aconteceu com você?”, Jermaine lembrou ter perguntado. Embora Michael não tenha respondido (ou dito que era por causa de seus seios nasais, como faz no filme), Jermaine foi posteriormente informado de que seu irmão precisou de rinoplastia após uma queda na casa da família.

O filme faz o papel de Quincy Jones na produção de “Thriller” parecer mínimo. Isso é correto?

Não. Um produtor e líder de banda prolífico, Jones foi um colaborador crucial de Jackson em seus três primeiros álbuns solo pós-Motown, “Off the Wall”, “Thriller” e “Bad”. Embora Jackson tenha escrito “Beat It”, “Billie Jean” e outras músicas com a ajuda de seu “Time B” de profissionais de estúdio que trabalhavam com ele na casa de Hayvenhurst, o “Time A” de Jones, incluindo o compositor de “Thriller” Rod Temperton, membros do grupo de rock Toto e o baixista Louis Johnson, foram fundamentais na criação do som e do modelo de todos os três álbuns. Jones e Jackson trabalharam de perto nos dois primeiros álbuns e só começaram a se distanciar quando fizeram “Bad” (1987).

Michael teve a ideia do título de “Thriller” depois de uma maratona de filmes de terror?

Não. Temperton, o compositor de “Off the Wall”, estava trabalhando em uma música chamada “Starlight”, então acordou em seu quarto de hotel com a palavra “thriller” na cabeça. Embora Michael adorasse filmes de terror, e mais tarde tenha tido a ideia do videoclipe de “Thriller” porque queria interpretar um monstro, Jackson e Jones decidiram pela faixa-título do álbum depois que Temperton reescreveu as letras.