Ex-Goiás e Atlético é beneficiado por 1ª aplicação da Lei Vini Jr. no Brasil
A nova determinação passou a integrar o pacote de mudanças nas regras de arbitragem adotado pela CBF a partir da 23ª rodada
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O triunfo do Vitória por 1 a 0 sobre o Botafogo, neste domingo (16), no Barradão, entrou para a história do Campeonato Brasileiro por um motivo que foi além do resultado. Após o encerramento da partida, o atacante alvinegro Arthur Cabral recebeu cartão vermelho por cobrir a boca enquanto discutia com o técnico rubro-negro, Jair Ventura, ex-Goiás e Atlético. O lance marcou a primeira aplicação da chamada Lei Vini Jr. no Brasileirão Série A.
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A nova determinação passou a integrar o pacote de mudanças nas regras de arbitragem adotado pela CBF a partir da 23ª rodada. A medida prevê expulsão para jogadores que cubram deliberadamente a boca ao se dirigirem a adversários em situações de confronto com caráter provocativo, depreciativo ou inflamatório.
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Jair Ventura teve três passagens pelo futebol goiano. Em 2022, treinou o Goiás e voltou ao Verdão entre o final de 2024 e início de 2025. No Atlético-GO, ele comandou a equipe entre 2023 e 2024.

Discussão após o apito final termina em cartão vermelho
O episódio envolvendo Arthur Cabral começou ainda nos minutos finais do confronto. Durante uma jogada próxima à área técnica, Santi Rodríguez tentou colocar a bola pela lateral, mas o lançamento saiu do campo. Jair Ventura fez um movimento em direção à bola, como se fosse cabeceá-la, o que provocou uma reclamação do atacante botafoguense.

A situação não terminou naquele momento. Depois do apito final, Arthur voltou a procurar o treinador do Vitória para reclamar do episódio. Durante o bate-boca, o centroavante colocou a mão sobre a boca enquanto conversava com Jair.
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A arbitragem interpretou o gesto dentro da nova regra e mostrou cartão vermelho direto ao jogador do Botafogo. De acordo com a súmula, o conteúdo exato da fala não foi identificado, mas o gesto foi considerado suficiente para a aplicação da punição.
Regra ganhou força após episódio envolvendo Vini Jr.
Apesar de ter ficado conhecida no Brasil como “Lei Vini Jr.”, a medida não é uma lei brasileira propriamente dita. Trata-se de uma alteração nas regras do jogo, aprovada pela International Football Association Board (IFAB) em 2026 e incorporada ao protocolo utilizado pela Fifa na Copa do Mundo disputada naquele ano.
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A mudança foi inspirada em um episódio envolvendo Vinícius Júnior e o argentino Gianluca Prestianni durante um confronto entre Real Madrid e Benfica pela Champions League no início deste ano. Na ocasião, o jogador argentino cobriu a boca durante uma discussão com o brasileiro, que afirmou ter sido alvo de uma ofensa racista.

Prestianni posteriormente, porém, negou a acusação. O caso acabou dando origem ao debate sobre a dificuldade de identificar o conteúdo de conversas quando os jogadores escondem a boca.
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A alteração foi aprovada pela IFAB em fevereiro de 2026 e passou a ser utilizada pela Fifa na Copa do Mundo. A regra estabelece que o atleta pode ser expulso quando cobre a boca ao se comunicar com um adversário de maneira considerada provocativa, depreciativa ou inflamatória.
Copa do Mundo já teve dois casos de expulsão
Antes de chegar ao Campeonato Brasileiro, a regra já havia produzido dois cartões vermelhos durante a Copa do Mundo de 2026. O primeiro foi aplicado ao paraguaio Miguel Almirón, durante a vitória do Paraguai por 1 a 0 sobre a Turquia. O atacante cobriu a boca enquanto discutia com o turco Müldür. O lance foi revisado pelo VAR e Almirón acabou expulso, tornando-se o primeiro jogador punido pela nova determinação em uma partida oficial.

Pouco depois, o zagueiro equatoriano Piero Hincapié também recebeu cartão vermelho pelo mesmo motivo. Na partida contra o México, o defensor cobriu a boca durante uma discussão com o atacante Santi Giménez. O VAR chamou o árbitro para revisar o lance, e Hincapié foi expulso aos 49 minutos do segundo tempo. O México venceu por 2 a 0.
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Assim, Arthur Cabral tornou-se o terceiro jogador a receber cartão vermelho em uma partida oficial pela aplicação dessa regra e o primeiro no Campeonato Brasileiro.
Nem todas as competições adotaram a medida
A utilização da chamada Lei Vini Jr. não é obrigatória para todas as competições. A Conmebol, por exemplo, decidiu adotar outras alterações aprovadas pela IFAB, mas deixou de fora a regra que prevê expulsão para quem cobre a boca durante discussões. A Uefa também informou que não utilizará a determinação em suas competições europeias.

No Brasil, contudo, os clubes das Séries A e B aprovaram a implementação imediata do novo conjunto de regras da CBF, mesmo com a possibilidade de adoção posterior. As mudanças passaram a valer no Brasileirão justamente na 23ª rodada.
Vitória havia defendido que mudança começasse em 2027
O caso de Arthur Cabral ganhou um ingrediente adicional porque o próprio Vitória havia se manifestado contra a implementação imediata das novas regras durante a temporada.
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O presidente do clube baiano, Fábio Mota, defendia que as alterações fossem adotadas somente na temporada seguinte. A posição não significava rejeição às mudanças de forma geral, mas uma discordância em relação ao momento escolhido para colocá-las em prática. Na ocasião, O dirigente também questionou a interpretação automática de que um jogador que leva a mão à boca estaria necessariamente tentando esconder uma ofensa.

Apesar da posição do dirigente, a regra foi aprovada para entrar em vigor ainda em 2026. E, justamente no primeiro jogo do Vitória após a implementação, o clube acabou envolvido no primeiro caso de expulsão pela chamada Lei Vini Jr. no Campeonato Brasileiro.
O que muda para os jogadores
A nova orientação aumenta a responsabilidade dos atletas durante discussões e confrontos. Em situações de tensão, cobrir a boca para conversar com um adversário pode resultar em cartão vermelho direto, mesmo que a arbitragem não consiga identificar exatamente o que foi dito.
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A medida faz parte de um pacote mais amplo de alterações adotado pela CBF para reduzir o antijogo e aumentar o tempo efetivo das partidas. Entre as novidades estão limites para reposições de bola, tempo para substituições, punições relacionadas ao atendimento médico e restrições à comunicação com a arbitragem.
No caso de Arthur Cabral, portanto, um gesto que até pouco tempo poderia passar despercebido acabou sendo suficiente para transformar uma discussão após o apito final na primeira expulsão pela nova regra no Brasileirão.