Cabo Verde: sensação da Copa é quase do tamanho de Aparecida de Goiânia
Estreante em Copas, Cabo Verde, que empatou com Espanha, tem pouco mais de 500 mil habitantes e é iniciante no futebol
Cabo Verde, que empatou com a Espanha e estragou o bolão de todo mundo nesta segunda-feira (15), é “só” um país no Oeste da África de 500 mil habitantes – pouca coisa a mais do que Aparecida de Goiânia, que tem 520 mil.
Trata-se de uma seleção que está se construindo a partir da imigração: no elenco, há 26 jogadores de 25 clubes e 14 países. Há mais atletas nascidos em Roterdã (na Holanda) do que na capital de Cabo Verde, Cidade da Praia. O lema é “sem estresse”, e acredite: resignação ajuda nos momentos em que um trabalho está no início e os resultados não são os ideais.
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O time dos “Tubarões Azuis” é treinado por Pedro Leitão Brito, conhecido como Budista. Pedro vem de uma família pobre: o pai era operador de teleférico e pastor, e a mãe se desdobrava para cuidar de 10 filhos na ilha de Boa Vista. Na adolescência, ele se mudou para Portugal para jogar futebol e ficou conhecido em campo como “o capitão silencioso”.
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Sua vontade de ferro e a insistência em que os jogadores falem apenas crioulo em jogos internacionais forjaram uma equipe vitoriosa ao longo de seis anos sob seu comando. “É a língua oficial da seleção”, disse ele. “Às vezes, os jogadores tentam falar outros idiomas entre si, mas eu não permito para mantermos intacta nossa identidade cabo-verdiana.”
É claro que, depois do empate com a Espanha, só se fale do magnífico goleiro Vozinha. Mas além dele, Cabo Verde tem outros jogadores para se observar. Um deles é o ponta-esquerda Ryan Mendes, que passou pelo Le Havre e pelo Lille, ambos na França. As lesões comprometeram a evolução da carreira dele, mas ainda assim Ryan é considerado o maior atleta da história da seleção.
