É verdade que a Nike não quer Endrick na seleção?
Jornalista Rodrigo Campelo, do Estadão, investigou teoria que envolve patrocinadores e ganhou corpo nas redes sociais
Circula nas redes sociais a teoria de que o atacante Endrick, do Real Madrid, não joga na seleção porque a Nike não quer. O jornalista Rodrigo Campelo, do Estadão, investigou a história.
Endrick é patrocinado pela New Balance. E a seleção, pela concorrente Nike. Então a Nike estaria “escalando” jogadores – ou pelo menos sugerindo à comissão do técnico Carlo Ancelotti quem gostaria de ver em campo?
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Campelo diz que isso é uma grande bobagem: “as marcas patrocinadoras da CBF não tem ingerência no time”, garante o jornalista. “Se a Nike é patrocinadora da seleção, por que ela teria interesse em ver o time fracassar? Não faz sentido”, argumenta ele.
Essa teoria se baseia em um contrato de 1996, em que a Nike exigia da CBF que, nos amistosos, a seleção jogasse pelo menos oito titulares. Esse contrato exigia também um certo número de partidas por ano, que parte delas fosse fora do Brasil, e por aí vai.
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E por que a Nike colocou essa cláusula dos titulares? Para atrair mais audiência pros jogos e, por consequência, ampliar a divulgação da marca. Se hoje, em 2026, a gente ainda tem dificuldade para reconhecer todos os jogadores, imagine em uma época em que não existiam redes sociais.
Esse contrato veio a público em 1999, quando aconteceu a CPI da Nike, no Congresso, e esse documento acabou vazando para imprensa. Foi uma CPI polêmica, em que depuseram figuras como o técnico Zagallo e os atacantes Ronaldo e Careca.
Portanto, conclui Campelo, o acordo que envolve amistosos não tem nada a ver com Copa – e com a teoria da conspiração criada nas redes sociais.
Quem é Endrick?
Aos 19 anos, Endrick é considerado uma das principais promessas do futebol brasileiro. Revelado pelo Palmeiras, o atacante se transferiu para o Real Madrid após se destacar ainda na adolescência e já soma gols importantes pela seleção principal, incluindo contra Inglaterra, Espanha, México e Egito. Mesmo frequentemente saindo do banco, ganhou fama pela capacidade de decidir partidas e passou a ser visto por parte da torcida e de ex-jogadores como uma alternativa para o ataque brasileiro na Copa do Mundo.