Segunda-feira, 20 de Julho de 2026
REFLEXÕES

Fifa admite reavaliar pausa para hidratação após fim da Copa

Pausas para hidratação ampliaram tempo de exposição de patrocinadores, mas alteraram ritmo das partidas da Copa

Por - Goiânia, GO
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Arsene Wenger, da Fifa: pausa para hidratação sob debate (Foto: Fifa)

Às vésperas do encerramento da Copa do Mundo, o Grupo de Estudos Técnicos da Fifa (TSG, na sigla em inglês) apresentou um balanço sobre as principais tendências observadas nos 102 jogos disputados até o momento. Apesar da análise abordar mudanças táticas e novas regras implementadas no torneio, um dos assuntos mais debatidos ao longo da competição ficou de fora: as pausas para hidratação.

Introduzidas como novidade nesta edição do Mundial, as interrupções de três minutos em cada tempo provocaram reações divididas desde o início da competição. Enquanto ampliaram o tempo de exposição dos patrocinadores durante as transmissões, também geraram críticas de torcedores, que passaram a vaiar as paralisações nos estádios. Muitos ainda apontaram que as pausas alteraram o ritmo das partidas e influenciaram diretamente o desenvolvimento dos jogos.

Responsável pela supervisão do TSG, Arsène Wenger evitou aprofundar o tema durante a apresentação do relatório. O ex-treinador francês afirmou que a Fifa optou por avaliar os efeitos da medida apenas após o encerramento completo do torneio.

Segundo Wenger, embora parte do público tenha demonstrado insatisfação com a novidade, a entidade não considera, neste momento, que as interrupções tenham interferido nos resultados da competição. Ele reconheceu, porém, que houve partidas em que a pausa se mostrou necessária, especialmente em determinadas condições climáticas e estruturais dos estádios, ressaltando que uma conclusão definitiva ainda será apresentada após uma análise mais detalhada.

A insistência dos jornalistas em abordar o assunto acabou evidenciando o desconforto do dirigente. Wenger reiterou que a discussão permanece em andamento e destacou que a decisão de aplicar as pausas de forma uniforme para todas as partidas foi tomada antes do início da Copa.

Se a avaliação sobre as pausas para hidratação foi adiada, outras mudanças no regulamento receberam aprovação do grupo de especialistas. O TSG classificou como positiva a adoção de medidas destinadas a reduzir o tempo de paralisação das partidas, entre elas o limite de cinco segundos para cobranças de tiros de meta e laterais, dez segundos para substituições e um minuto para atendimentos médicos.

Os números apresentados pela Fifa indicam que essas alterações surtiram efeito. A proporção de tiros de meta cobrados após mais de 30 segundos caiu de 25%, registrada na Copa de 2022, para 12% nesta edição. Também houve redução na média de atendimentos médicos, que passou de 2,3 para 1,6 por partida.

Para Wenger, as novas regras contribuíram para diminuir a chamada “cera” dos jogadores e tornar as partidas mais dinâmicas para atletas, torcedores e espectadores.

Além das mudanças no ritmo de jogo, o relatório apontou transformações importantes no aspecto tático. Uma das principais foi o crescimento do tempo em que as equipes permaneceram organizadas em bloco baixo, com linhas defensivas mais próximas da própria área. Esse comportamento aumentou de 21% para 25% em comparação com a Copa realizada no Catar.

Tom Gardner, responsável pela área de análise de desempenho do TSG, explicou que a alteração representa, na prática, cerca de três a quatro minutos adicionais por jogo com equipes posicionadas de forma mais compacta defensivamente. Segundo ele, esse crescimento ocorreu paralelamente à diminuição do uso do bloco médio.

Alemão Jurgen Klinsmann (Foto: Fifa)

Na avaliação dos especialistas, a maior compactação defensiva favoreceu estratégias baseadas em transições rápidas. Em vez de priorizar longos períodos de posse de bola, muitas seleções passaram a explorar contra-ataques velozes, aproveitando os espaços deixados pelos adversários. Espanha, Argentina e França foram apontadas como exemplos de equipes que obtiveram sucesso com esse modelo de jogo.

Integrante do grupo de estudos, o ex-volante Gilberto Silva destacou que laterais de grande velocidade desempenharam papel importante nesse tipo de estratégia. Segundo ele, ao atrair o adversário para uma marcação intermediária, esses jogadores criavam espaços pelos lados do campo, facilitando ataques rápidos e dificultando a recomposição dos zagueiros.

O novo perfil tático também teve reflexos nos indicadores físicos do torneio. A velocidade máxima registrada pelos atletas aumentou de 30,9 km/h para 31,3 km/h, enquanto a distância média percorrida apresentou leve redução, consequência da maior proximidade entre os jogadores durante as fases defensivas.

Diante das defesas mais fechadas, as finalizações de longa distância ganharam protagonismo. O estudo revelou que os gols marcados de fora da área passaram de 8% para 16% do total da competição, praticamente dobrando em relação ao Mundial anterior.

Por outro lado, as jogadas de bola parada receberam avaliação menos favorável. Para Jurgen Klinsmann, outro integrante do TSG, o calendário apertado reduziu o tempo disponível para treinamentos específicos, o que comprometeu a evolução desse fundamento. Na visão do ex-atacante alemão, faltaram inovações nas cobranças de faltas e escanteios, aspecto que considerou uma das decepções técnicas desta Copa do Mundo.

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