Quarta-feira, 09 de Setembro de 2026
APORTE

CT do Goiás vira garantia em negociação por empréstimo, confira detalhes

O valor do aporte financeiro é de R$ 21 milhões, segundo posicionamento oficial do clube

Johann Germano
Por - Goiânia, GO
Publicado em: • Atualizado em:
CT COIMBRA BUENO

O Goiás teve aprovado nesta terça-feira (8) o empréstimo para quitar dívidas com o elenco e garantir o pagamento dos salários dos atletas e comissão técnica até o final da temporada. O valor do aporte financeiro é de R$ 21 milhões, segundo posicionamento oficial do clube. Além disso, o Centro de Treinamento (CT) Coimbra Bueno, localizado no Jardim Buriti Sereno em Aparecida de Goiânia, foi utilizado como garantia na negociação.

Também na reunião extraordinária de ontem (8), o clube rejeitou a proposta de patrocínio da BaladaAPP para gerir o sócio-torcedor do Goiás, além de venda de ingressos e estampa na camisa esmeraldina. A empresa sediada em Goiânia havia feito uma proposta para controlar as ações do clube por um período de cinco anos, mas o Conselho Deliberativo entendeu que o valor está aquém do que o Verdão exige, e a proposta acabou recusada.

A crise

O clube atravessa uma das situações financeiras mais delicadas de sua história recente. O problema, que começou a ficar mais evidente com os atrasos salariais no primeiro semestre, é consequência de um desequilíbrio que já aparecia no balanço de 2025, quando apresentou um déficit de R$ 98,11 milhões, situação que se aprofundou ao longo deste ano.

Além do prejuízo, o clube passou a apresentar patrimônio líquido negativo de R$ 49,058 milhões. Em outras palavras, contabilmente, os ativos do Goiás não eram suficientes para cobrir todas as obrigações. O endividamento total chegava a aproximadamente R$ 114 milhões, enquanto os ativos somavam cerca de R$ 65 milhões.

Michel Alves, diretor de futebol do Goiás (Foto: Rosiron Rodrigues / GEC)

Na época, a própria direção explicou que o planejamento anterior havia sido construído considerando um cenário de Série A. Como o Goiás não conseguiu o acesso e permaneceu na Série B, houve necessidade de adequação do orçamento. O custo médio do departamento de futebol era estimado em cerca de R$ 8 milhões por mês.

No último dia 21 de maio, o diretor de futebol Michel Alves admitiu publicamente que o clube tinha um mês de salário atrasado, além de pendências relacionadas aos direitos de imagem. Na ocasião, o dirigente disse que a preocupação era evitar que o problema financeiro afetasse o comprometimento do elenco.

Em junho de 2026, o clube ainda renegociou esse empréstimo de R$ 25 milhões feito junto ao BRB no ano passado, cujo prazo inicial para pagamento era de 31 meses, ampliando o prazo de pagamento para 60 parcelas.

Além disso, no final de maio, parte dos valores foi paga, mas a situação não foi completamente solucionada. Em julho, a direção ainda colocava como prioridade a regularização dos pagamentos antes de realizar novas contratações.

Transfer ban

Em agosto, o clube sofreu um transfer ban por causa de uma dívida relacionada ao volante Jhonny Lucas e ao clube belga Sint-Truiden. A punição impedia o Esmeraldino de registrar novos jogadores, mas já foi quitada e retirada oficialmente no último dia 25 de agosto.

Volante Jhonny Lucas (Foto: Rosiron Rodrigues/GEC)

É importante destacar, porém, que empréstimo não representa solução estrutural. Ele oferece fôlego imediato, mas aumenta o passivo e cria novas obrigações financeiras para o clube.

Na quinta-feira (10), o time terá o Vila Nova pela frente. O clássico, vencido pelo Goiás no primeiro turno por 1 a 0 na Serrinha, será disputado no Onésio Brasileiro Alvarenga (OBA), com torcida única colorada. Para as pretensões esmeraldinas, uma derrota seria o pior dos cenários, e um empate deixa mais distante o sonho do acesso. Desse modo, só a vitória interessa no território adversário. A partida, válida pela 27ª rodada, será às 19h30.


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