Jornalistas transformam coletiva da Copa em ato por repórter preso na Argélia
Jornalista Christophe Gleizes foi condenado a sete anos de prisão na Argélia. Ato aconteceu em coletiva de imprensa da França
(O Globo) A véspera da estreia da França na Copa do Mundo foi marcada por um protesto silencioso, mas carregado de simbolismo. Jornalistas franceses transformaram a coletiva de imprensa realizada no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nesta segunda-feira em um ato de apoio ao repórter Christophe Gleizes, condenado a sete anos de prisão na Argélia.
Um dia antes do confronto contra Senegal, profissionais da imprensa posaram com mensagens em defesa da liberdade de imprensa e pediram a libertação do jornalista de 37 anos, preso desde 2024.
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A mobilização ocorre em meio a uma campanha internacional que ganhou força durante o Mundial. Nos últimos dias, a própria Fifa adotou um gesto simbólico ao emitir uma credencial oficial para Gleizes, apesar de ele estar detido e impossibilitado de trabalhar no torneio.
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Além disso, uma cadeira vazia foi deixada em sua homenagem durante um evento oficial da entidade, reforçando a mensagem de que o jornalista deveria estar cobrindo a Copa, e não atrás das grades.
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O gesto foi celebrado pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que há meses lidera uma campanha internacional pelo profissional francês.
— Isso reforça que este jornalista esportivo e especialista em futebol deveria estar nos estádios e nas tribunas de imprensa desta importante competição mundial, e não na prisão — afirmou a entidade.

A RSF aproveitou a visibilidade da Copa do Mundo para convocar os profissionais presentes no torneio a manterem o tema em evidência durante toda a competição.
— Pedimos a todos os jornalistas que cobrem esta Copa que transmitam nosso apelo pela libertação de Christophe em todos os jogos, todos os dias, até o fim do torneio — declarou o diretor executivo da organização, Thibaut Bruttin.
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Gleizes trabalhava para as revistas francesas So Foot e Society quando foi detido, em maio de 2024, durante uma viagem à região da Cabília, no nordeste da Argélia. O objetivo da reportagem era contar a história da JS Kabylie, um dos clubes mais tradicionais do futebol argelino.
Gleizes trabalhava para as revistas francesas So Foot e Society quando foi detido, em maio de 2024, durante uma viagem à região da Cabília, no nordeste da Argélia. O objetivo da reportagem era contar a história da JS Kabylie, um dos clubes mais tradicionais do futebol argelino.
Meses depois, ele foi condenado a sete anos de prisão por acusações de “glorificação do terrorismo” e posse de material considerado propaganda contra os interesses nacionais do país. As autoridades argelinas alegaram que o jornalista manteve contato com integrantes do Movimento pela Autodeterminação da Cabília (MAK), organização classificada como terrorista pelo governo local.
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A RSF, porém, considera as acusações totalmente infundadas e denuncia o caso como uma violação da liberdade de imprensa.
A repercussão do gesto da Fifa chegou até a família de Gleizes. Os pais do jornalista agradeceram publicamente a iniciativa e voltaram a pedir clemência ao presidente argelino Abdelmadjid Tebboune.
Segundo eles, o filho está sendo tratado adequadamente na prisão, mas sofre cada vez mais com o isolamento.
— Estamos convencidos de que sua libertação é do interesse de todos — afirmaram.
Em março deste ano, Gleizes retirou seu recurso contra a condenação na esperança de abrir caminho para um eventual perdão presidencial. A recente rejeição de um pedido do Ministério Público argelino para aumentar sua pena foi vista por apoiadores como um possível sinal de que uma solução diplomática ainda pode ocorrer.
Enquanto isso, na Copa do Mundo, colegas de profissão tentam garantir que seu nome não seja esquecido.