Sexta-feira, 04 de Setembro de 2026
INCLUSÃO

Estudantes autistas fazem trilha e aprendem sobre animais do Cerrado em parque estadual de Goiás

Grupo de jovens autistas fez uma das trilhas do Parque Estadual Altamiro de Moura em ação que visa aproximar pessoas da natureza

Por - Goiânia, GO
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Atividade no Parque Estadual Altamiro de Moura Pacheco (Peamp)

A Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) promoveu, na segunda-feira (31/08), um dia de contato com a natureza e aprendizado para estudantes da rede pública de Goianápolis diagnosticados com transtorno do espectro autista (TEA), transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e deficiência auditiva, com idades entre 4 e 17 anos. O grupo fez uma das trilhas do Parque Estadual Altamiro de Moura Pacheco (Peamp) e aprendeu sobre animais típicos do Cerrado.

“Foi a primeira vez que vim num parque e agora eu quero vir muitas vezes. […] A gente aprendeu que não se pode jogar lixo e nem pôr fogo na natureza. Depois, levaram a gente pra trilha e foi bom demais! Eu usei um binóculo e consegui ver dois passarinhos”, declarou o estudante João Vitor Monteiro Silva Medeiros, de 17 anos.

Ao todo, 45 crianças e adolescentes participaram da ação, divididos em turmas matutinas e vespertinas. Todos eles estudam na rede pública de Goianápolis e também integram o Centro Municipal de Apoio à Inclusão CMAI Lauanny de Lima Brito. De início, os grupos tiveram uma aula de educação ambiental, em que precisaram fazer placas de gesso marcadas pelas pegadas de animais típicos do bioma Cerrado. No final, cada um levou as placas do animal que mais gostou.

Depois, as turmas fizeram a Trilha do Peba, onde puderam ter contato direto com a natureza, sentindo as árvores e observando pássaros e frutos com binóculos. A Trilha do Peba tem 700 metros de extensão e é feita em meio à mata seca, predominantemente sombreada, e requer esforço físico mínimo. Para a coordenadora do CMAI e mãe de um menino autista de 10 anos, Taísa Pires, a ação tem um impacto transformador positivo enorme na vida das crianças e adolescentes.

“A minha experiência e, eu falo como mãe e como coordenadora, foi gratificante! Os passeios contribuem muito para o desenvolvimento das crianças e até mesmo para a aceitação da sociedade diante das limitações deles. Fora que é muito necessário unir a teoria com a prática, principalmente na questão das crianças atípicas. Se a gente só falar, só explicar, eles têm dificuldade de compreender, mas aqui vocês falaram, tiveram um momento de interação com as perguntas e depois foram para a prática, o momento deles terem contato realmente com a natureza, com o meio ambiente”, afirmou a coordenadora.

Atividade no Parque Estadual Altamiro de Moura Pacheco (Peamp) (Foto: Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável)

O Parque Estadual Altamiro de Moura Pacheco (Peamp) é uma unidade de conservação de proteção integral administrada pelo Estado de Goiás, com uma área de 3,1 mil hectares, entre os municípios de Goianápolis, Nerópolis e Goiânia. Lá, estão abrigados importantes sítios arqueológicos pré-históricos que contém vestígios da presença de povos indígenas da tradição Aratu, possivelmente da etnia Caiapó do Sul, e ecossistemas florestais que estão entre os mais devastados do mundo.
Os interessados em agendar uma visita em grupo no Peamp devem entrar em contato pelo endereço de e-mail: peamp.meioambiente@goias.gov.br e, também, preencher um formulário informando o tamanho do grupo (https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSf0rwVjvbvRK2qfKwX3AvoC4FoqWCjr7mnAGO8G5G1kL0guKw/viewform)

Parque para todos

A ação que levou os estudantes ao Peamp faz parte do programa Meu Parque, que busca mudar o entendimento comum de que Unidades de Conservação devem ser espaços isolados das pessoas e intocáveis. O objetivo é aproximar as pessoas dos parques estaduais incentivando a visitação, promovendo educação ambiental e garantindo a acessibilidade para todos. A expectativa é que, por meio desse contato, a sociedade compreenda a conservação como uma responsabilidade compartilhada entre Estado e pessoas.

“Por muito tempo, os parques foram vistos como espaços distantes, intocáveis. Mas a gente entende que conservar não é afastar, mas sim envolver as pessoas para que elas compreendam a importância desses ambientes e se reconheçam como pertencentes a esses territórios. E quando falamos de um parque para todos, não podemos nos esquecer de grupos como o de pessoas com deficiências ou neuro divergentes. Garantir a acessibilidade é fundamental para nós”, explica a coordenadora do Programa Meu Parque, Mariane Guedes.

Neste primeiro ciclo do programa (2025–2026), a Semad concentrou esforços em Unidades de Conservação piloto, para testar e aperfeiçoar metodologias replicáveis. O investimento total previsto é de R$ 14,4 milhões, contemplando infraestrutura, materiais, formação, fomento e comunicação.

Para Guedes, a iniciativa nasce como uma política pública alinhada à marcos legais nacionais e internacionais, com foco na melhoria da qualidade de vida das comunidades do entorno e na consolidação da conservação como valor coletivo. Para isso, organiza suas ações em quatro eixos integrados:

  1. Educação Ambiental: Visitas escolares, materiais didáticos, trilhas interpretativas e resgate do patrimônio histórico-cultural.
  2. Parcerias e Fomento: Fortalecimento comunitário, estruturas de apoio ao visitante, edital de apoio financeiro e acordos para empreendedorismo local.
  3. Inclusão: Trilhas adaptadas, acessibilidade comunicacional, formação em Libras e ambientes preparados para receber PCDs.
  4. Promoção: Valorização das UCs e das comunidades envolvidas por meio de campanhas e estratégias institucionais.

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