Vídeo mostra teste de míssil nuclear promovido por Putin; assista
Lançamento do míssil de Putin ocorre três dias depois de diretor da CIA ira a Moscou discutir tensão com a aliança
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(Folhapress) Três dias após o chefe da espionagem americana visitar Moscou para discutir a crise entre a Rússia e a Otan em torno da Guerra da Ucrânia, o governo de Vladimir Putin testou nesta sexta-feira (28) um míssil para ataque nuclear intercontinental.
Na terça-feira (25), o diretor da CIA, John Ratcliffe, fez uma viagem cercada de mistério para a capital russa, onde se encontrou com seu homólogo, Serguei Narichkin.
Segundo relatos obtidos pela Folha e outros meios, eles conversaram sobre a crescente tensão entre Moscou e integrantes da aliança militar ocidental, particularmente o Reino Unido.
Na segunda (24), o premiê britânico, Andy Burnham, foi a Kiev para acompanhar a celebração do Dia da Independência local com Volodimir Zelenski. Prometeu que facilitará a transferência de tecnologia para a construção de letais mísseis de cruzeiro Storm Shadow pelos ucranianos.
Londres e Paris, que operam modelo idêntico, forneceram alguns desses mísseis a Kiev na guerra. Mas eles não foram empregados em quantidade ou contra alvos sensíveis na Rússia, sendo mais usados nas áreas ocupadas pelos russos da própria Ucrânia.
Russia has successfully launched an RS-24 Yars intercontinental ballistic missile (ICBM) from the Plesetsk Cosmodrome.
— OSINTWarfare (@OSINTWarfare) August 28, 2026
The Russian Defense Ministry said the launch was conducted to verify the missile system’s tactical, technical, and flight characteristics. Training warheads… pic.twitter.com/xzNhmqgImN
O anúncio veio logo após os britânicos terem vendido drones de ataque de curto alcance para os ucranianos. Ambos os movimentos fizeram o Kremlin dizer que considerava indústrias bélicas do Reino Unido, dentro ou fora do vizinho, como alvos legítimos.
Essa ameaça já havia sido feita em 2024, e limitou o escopo da ajuda britânica em termos de armas ofensivas ao país invadido pela Rússia em 2022.
Agora, ela se une à troca crescente de acusações entre Moscou e os Estados Bálticos, que temem algum tipo de ação russas por serem os membros mais expostos da aliança ocidental.
O Kremlin nega a intenção de atacar ou promover ações híbridas, como a Alemanha está prestes a denunciar no caso dos drones com explosivos encontrados perto de um avião com armas da Ucrânia em Leipzig, no mês passado.
Ainda assim, Putin deu seu pouco sutil recado. O disparo desta sexta ocorreu do cosmódromo de Plesetsk, próximo ao Ártico e à fronteira europeia russa. De lá, um lançador móvel disparou um míssil RS-24 Iars, o modelo mais comum do arsenal de ICBM (míssil balístico intercontinental, na sigla inglesa) da Rússia.
A arma voou cerca de 6.700 km, sempre sobre solo russo, para atingir o campo de testes de Kura, na península da Kamtchatka, no Pacífico. Segundo o Ministério da Defesa russo, foram entregues com sucesso ogivas desarmadas múltiplas ao alvo.
O Iars pode ser lançado de silos, mas sua maior funcionalidade é a mobilidade, o que dificulta ser alvejado em ataques preventivos. Ele carrega até três ogivas nucleares com potência de 200 quilotons, ou cerca de 15 bombas de Hiroshima, cada.
A Rússia tem o maior arsenal nuclear do mundo, seguida de perto pelos EUA, com mais de 5.400 armas. Em termos de capacidades, são equivalentes, mas o país eurasiano tem uma variedade maior de meios de emprego da bomba.
Já o Reino Unido tem o quinto maior estoque de ogivas do planeta, 225 ogivas, todas em mísseis Trident embarcados em submarinos.