Análise: Wilder apostou no peso do 22, mas não superou a força do caiadismo
Identificação com Bolsonaro sustentou candidatura do senador, mas foi insuficiente para impedir vitória de Daniel Vilela no primeiro turno
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Wilder Morais (PL) confiou demais na capacidade do número 22 de levá-lo ao governo de Goiás. Apostou na identificação com Bolsonaro e na rejeição ao PT como principais razões para o eleitor digitar o número dele ma urna. A vitória de Daniel Vilela (MDB) no primeiro turno mostrou o limite dessa estratégia numa disputa contra um governo bem avaliado.
O problema estava na tentativa de transformar a preferência nacional do eleitor de direita em voto para governador. Em Goiás, Caiado também construiu a trajetória no enfrentamento ao PT. O eleitor conservador não precisava votar em Wilder para manter essa posição política.
Daniel disputou a eleição com o apoio de Caiado, a estrutura do governo e uma aliança que reuniu a maior parte dos prefeitos. Wilder precisava apresentar razões para esse eleitor trocar o candidato da continuidade pelo nome do PL. O número do partido, sozinho, não resolvia essa tarefa.
A própria divisão do PL expôs a dificuldade. Em Anápolis, o prefeito Márcio Corrêa participou de carreata com Daniel e defendeu a parceria administrativa com o governador. O episódio mostrou que nem mesmo a filiação ao partido garantia alinhamento à candidatura de Wilder. Outros filiados ao partido seguiram a mesma trilha da infidelidade.
O senador levou à campanha a trajetória como empresário e defendeu propostas como a de não taxar o agronegócio. Esses argumentos ficaram subordinados à aposta de que o bolsonarismo seria suficiente para romper o favoritismo do candidato apoiado por Caiado.
Wilder preserva o mandato de senador e terá tempo para trabalhar por uma nova candidatura. Mas o resultado cobra uma revisão da estratégia.
Para disputar o governo de novo com chances, precisará conquistar apoio entre prefeitos, ampliar as alianças e convencer eleitores que votam no PL para a presidência, mas preferem o caiadismo no comando de Goiás.