Quinta-feira, 24 de Setembro de 2026
INVESTIGAÇÃO

‘Faz esse pix, porra’: lobista ligada a Lulinha fez cobrança dura a ex-secretário de Saúde de Goiânia

Mensagens foram descobertas pela Polícia Federal no âmbito de uma investigação contra a lobista Roberta Luchsinger, ligada ao filho do presidente Lula

Por - Goiânia, GO
Publicado em:
Quesede Henrique e Roberta Luchsinger

Reportagem publicada pelo portal Metrópoles nesta quinta-feira (24) traz uma troca de mensagens entre Roberta Luchsinger, lobista ligada a Lulinha (filho do ex-presidente Lula) que está sendo investigada pela Polícia Federal, e Quesede Ayres Henrique, que foi secretário de Saúde de Goiânia na gestão do ex-prefeito Rogério Cruz.

Em uma conversa de 8 de novembro de 2024, Luchsinger cobra de Quesede a realização de um Pix com urgência. Segundo a reportagem, ela afirma que precisava fazer um pagamento para uma pessoa que embarcaria em breve. “Ô KZ, tu dá um jeito de fazer esse pix, porra. Que o homem tá me cobrando, criatura”.

Na sequência, o ex-secretário responde que o pagamento já estava sendo feito.

Lobista Roberta Luchsinger, que seria amiga de Lulinha, cobra pix de R$ 100 mil para ele (Foto: Reprodução)
Lobista Roberta Luchsinger, que seria amiga de Lulinha, cobra pix de R$ 100 mil para ele (Foto: Reprodução)

Ainda segundo a apuração, Quesede efetuou naquela noite um depósito de R$ 100 mil para a conta da empresa RL Consultoria, de propriedade de Roberta Luchsinger. O dinheiro teria sido enviado por uma empresa comercial de Goiânia.

Quesede se entregou à polícia em dezembro de 2024. À época, ele era investigado por suspeitas de desvio de recursos da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia.

Investigações no STF

As mensagens fazem parte do conjunto de informações obtidas pela Polícia Federal durante as investigações envolvendo Roberta Luchsinger. Atualmente, fatos relacionados à lobista e a Lulinha são apurados em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF).

Uma das investigações apura suspeitas de tráfico de influência no Ministério da Saúde relacionadas à comercialização de medicamentos derivados de cannabis, como o canabidiol (CBD). Outra apuração trata de pagamentos que teriam sido feitos a pessoas do entorno do presidente Lula. Há ainda uma investigação sobre possível tráfico de influência envolvendo a Dataprev.

As mensagens reveladas agora registram orientações para pagamentos e entrega de valores, mas a existência dos diálogos, isoladamente, não estabelece a finalidade jurídica dos recursos nem comprova eventual irregularidade por parte dos envolvidos.

Pagamentos para Lulinha

Em uma das conversas, de 29 de novembro de 2024, Luchsinger pergunta ao motorista Ulisses Barbosa Viana Junior onde estava determinado valor. Na sequência, orienta que o dinheiro fosse levado até “Fábio”.

Lobista teria dito em conversa que seu motorista deveria levar dinheiro a "Fábio", que seria menção a Fábio Lula da Silva, filho do presidente Lula (Foto: Reprodução)
Lobista teria dito em conversa que seu motorista deveria levar dinheiro a “Fábio”, que seria menção a Fábio Lula da Silva, filho do presidente Lula (Foto: Reprodução)

O motorista responde que estava a caminho de um depósito e informa que o dinheiro estava no porta-malas de um Volvo. Luchsinger, então, explica como deveria ser feita a suposta entrega: após um almoço no setor Cidade Jardim, em Goiânia, o motorista deveria pegar um Uber, deixar o dinheiro com Fábio e seguir em outro veículo.

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Outro diálogo, de 25 de julho de 2024, envolve o valor de R$ 26.809. Na conversa, Luchsinger encaminha o número ao motorista e afirma que era necessário “pagar mais isso para Fábio na TTW”.

Lobista Roberta Luchsinger teria orientado motorista a levar dinheiro para Lulinha e trocar de carro (Foto: Reprodução)
Lobista Roberta Luchsinger teria orientado motorista a levar dinheiro para Lulinha e trocar de carro (Foto: Reprodução)

Pouco depois, Ulisses envia um comprovante de depósito no valor exato de R$ 26.809 para a TTW Group, agência de viagens utilizada por Luchsinger para organizar viagens internacionais dela e de Lulinha, segundo a apuração.

A relação financeira entre a lobista e o filho do presidente também aparece em outras mensagens. De acordo com a reportagem, Luchsinger se referia a Lulinha como seu “sócio” em conversas com terceiros.

Mensagens indicariam que dinheiro depositado seria para o filho do presidente Lula, conhecido como Lulinha (Foto: Reprodução)
Mensagens indicariam que dinheiro depositado seria para o filho do presidente Lula, conhecido como Lulinha (Foto: Reprodução)
Motorista envia comprovante de suposto depósito para o filho do presidente Lula (Foto: Reprodução)
Motorista envia comprovante de suposto depósito para o filho do presidente Lula (Foto: Reprodução)

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Política
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