Lideranças do PT goiano ainda desconfiam da pré-candidatura de Luís Cesar Bueno
Interlocutores consideram, reservadamente, que o cenário ainda pode sofrer mudanças e aguardam posição da direção nacional do partido
Apesar do discurso adotado publicamente pela direção do PT em Goiás, a pré-candidatura do ex-deputado estadual Luís Cesar Bueno ao governo de Goiás ainda é vista com certa desconfiança por parte de algumas lideranças locais. Nos bastidores, integrantes do partido admitem, em conversas reservadas, que o cenário pode não estar 100% definido e não descartam intervenção da direção nacional por uma mudança de rumo.
Aliados da presidente estadual do PT, deputada federal Adriana Accorsi, descartam qualquer possibilidade de recuo em relação ao projeto encabeçado por Luís Cesar. A avaliação desse grupo é de que a decisão tomada pela direção estadual deve ser mantida e que o partido seguirá trabalhando para fortalecer a candidatura ao Palácio das Esmeraldas.
SAIBA MAIS:
- Adriana Accorsi coordena formação da chapa majoritária de PT e aliados
- Luis Cesar Bueno é definido pelo PT como pré-candidato ao governo de Goiás
Do outro lado, porém, alguns chamam atenção para o fato de que a direção nacional ainda não se manifestou oficialmente sobre a escolha. Um dos consultados acrescenta: “se vier [outra definição] de cima pra baixo, tudo muda”. A reportagem não conseguiu contato com o pré-candidato petista para comentar a a situação. O espaço continua aberto.
Novo encontro
Na próxima semana, um grupo de lideranças nacionais do PT já contam com reunião marcada para discutir o cenário eleitoral enfrentado pelo partido nos estados. O encontro foi convocado justamente para analisar as estratégias regionais.
Em entrevista ao jornal O Popular, Accorsi afastou qualquer possibilidade de desistência da pré-candidatura de Luis Cesar. Em seguida, porém, afirmou considerar “muito improvável qualquer mudança no quadro”. A escolha das palavras foi interpretada por alguns integrantes da legenda como um indicativo de que, embora remota, uma substituição do nome não estaria totalmente descartada.
VEJA TAMBÉM:
- Decisão de Flávio Faedo pode aumentar pressão por Adriana Accorsi na disputa ao governo de Goiás
- Acordo fechado: transição para fim da escala 6×1 será de um ano
Ampla discussão
O PT goiano também deve se reunir com os partidos que integram a chamada Frente Democrática, formada, além da legenda, pelo PSB, pela federação Rede-PSOL, pelo PV, PCdoB e PDT. A expectativa é que o encontro avance na construção da chapa majoritária da esquerda para 2026.
A intenção é buscar consenso sobre os nomes que disputarão as duas vagas ao Senado e também sobre quem ocupará a candidatura a vice-governador na chapa encabeçada por Luis Cesar Bueno.

Apesar do otimismo da direção petista em concluir essas definições, lideranças dos partidos aliados avaliam que dificilmente haverá um acordo definitivo neste momento. Nos bastidores, a percepção predominante é de que as negociações ainda exigirão novas rodadas de conversa e que o desenho final da chapa só sairá mais para frente.
Definição
O PT oficializou o nome de Luis Cesar Bueno como pré-candidato ao Governo de Goiás após a desistência do empresário e produtor rural Flávio Faedo, que havia sido colocado como alternativa da legenda para a disputa local. O recuo foi anunciado no início deste mês.
LEIA AINDA:
- Visita de Lula a Goiás pode destravar definição do PT por nome ao governo
- PT aprova filiações de Isaura Lemos, Gilvane Felipe e professor Jerônimo
Faedo comunicou ao partido que não participaria das eleições por motivos pessoais e profissionais. A decisão foi tomada após dias de conversas com familiares e encerrou sua participação no processo interno de definição da candidatura.
Com a saída do empresário, voltou a ganhar força entre interlocutores do partido a possibilidade de Adriana Accorsi assumir a cabeça de chapa. São os mesmos setores que hoje demonstram cautela em relação à consolidação da candidatura de Luis Cesar.
Embora apareça como o nome petista de melhor desempenho nas avaliações pré-eleitorais, reiterou por diversas vezes nos últimos meses que sua prioridade é disputar a reeleição para a Câmara dos Deputados. Ainda assim, integrantes da legenda avaliam que esse cenário poderia mudar caso houvesse um pedido direto do presidente Lula para que ela assumisse a candidatura ao governo estadual.
Na contramão da história
A direção estadual do PT trabalha com a meta de alcançar pelo menos 20% dos votos na eleição de 2026 e construir um palanque competitivo para o presidente Lula em Goiás. A projeção, contudo, esbarra no histórico da legenda. O PT nunca foi tão longe na disputa pelo governo de Goiás.
SAIBA MAIS:
- PT marca reunião para definir pré-candidato ao governo de Goiás após desistência de Faedo
- “Já derrubamos o PT”, diz Renan Santos ao cogitar aliança com Caiado
Como se não bastasse, tem visto sua performance encolher desde 2014 quando Antônio Gomide terminou a corrida eleitoral com 10,09% dos votos. Quatro anos depois, em 2018, foi a vez de Kátia Maria atingir 9,16%. Mais tarde, em 2022, Wolmir Amado somou 6,98%. Com as definição tardia, o receio da esquerda goiana é que, mais uma vez, o partido termine a corrida com nova retração.