Sem convergência

Possível aliança entre Caiado e Zema cai por terra; entenda

Apesar de afirmarem que disputarão primeiro turno separados, ambos defendem união dos nomes da direita em eventual segundo turno

Aliança entre Caiado e Zema cai por terra; entenda
Apesar de manterem contato diário, presidenciáveis defendem que cada um toque seu projeto em primeiro turno (Foto: Divulgação)

A especulada aliança entre os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás, e Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, na corrida pela presidência da República perdeu força e, ao que tudo indica, está descartada. Em declarações registradas na última segunda-feira (22/6) durante encontro promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, ambos defenderam uma convergência apenas em um eventual segundo turno

Os dois participaram de um momento com representantes da indústria de todo o país, realizado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. O encontro foi acompanhado in loco pela reportagem do Mais Goiás. Além de apresentarem suas propostas ao setor produtivo, os presidenciáveis responderam a perguntas de empresários e concederam entrevistas coletivas à imprensa, ocasião em que foram questionados sobre a possibilidade de uma composição entre as candidaturas.

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O primeiro a abordar o tema foi Romeu Zema. Segundo ele, o cenário eleitoral brasileiro tende a repetir o que ocorreu recentemente na Venezuela, onde as candidaturas de oposição seguiram caminhos distintos.

“Aqui, teremos todos separados, cada um com o seu projeto, porém, todos unidos em um segundo turno, todos da direita juntos nesses momento”, afirmou, ao ser questionado se as conversas com Caiado haviam esfriado ou se existia a possibilidade de um anúncio de aliança.

Horas depois, foi a vez de Ronaldo Caiado responder ao mesmo questionamento. Embora tenha ressaltado que conversa “todos os dias” com Zema, o ex-governador goiano também afastou a possibilidade de uma composição ainda no primeiro turno e reafirmou que sempre defendeu candidaturas independentes.

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“Sempre fui defensor dessa tese [de candidaturas avulsas]. Sempre procurei que a gente pudesse ter uma pacificação para que no segundo turno fosse normal a agluitinação das nossas forças, mas nunca na minha vida trabalhei com essa tese [de aliança no primeiro], tanto que desde o primeiro momento você não vê nenhuma declaração minha nesse sentido”, declarou.

Na sequência, Caiado reforçou que cada pré-candidato deve seguir seu próprio caminho na disputa. “Cada um deve seguir seu trajeto e, no final, se agente chegar no segundo turno [ter apoio dos demais]. Vou lutar muito para que isso aconteça [estar no segundo turno] porque sei que essa eleição representa uma questão vital para nós”, concluiu.

Mês passado

Recentemente, ambos estiveram juntos e discutiram, em São Paulo, uma possível aliança. O encontro ocorreu no apartamento onde Caiado passou a morar na capital paulista e teve como foco a construção de um projeto conjunto para disputar o Palácio do Planalto.

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A aproximação entre os dois nomes surge diante da tentativa de consolidar uma alternativa à polarização política nacional, hoje representada pelo presidente e pré-candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e pelo senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL).

Apesar do alinhamento político e da avaliação positiva de aliados sobre uma eventual união, a conversa não terminou em definição. O principal obstáculo para o avanço das tratativas é justamente a disputa pela cabeça de chapa. Nem Caiado nem Zema demonstram disposição, neste momento, para abrir mão de suas pré-candidaturas e aceitar a posição de vice.

Fator Aécio

Entre o encontro em São Paulo e Brasília, um fato novo voltou a alimentar essa discussão. Trata-se da possível entrada do deputado federal Aécio Neves (PSDB) na corrida eleitoral. A aparição do tucano como provável pré-candidato é, desde o princípio, lida nos bastidores como um elemento capaz de influir no projeto de Zema.

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A leitura é que Aécio poderia atrair uma fatia do eleitorado mineiro para si. O tucano, vale lembrar, conta com uma trajetória política consolidada no estado, onde foi governador por dois mandatos, e quase assumiu a presidência da República numa disputa direta contra Dilma Rousseff (PT) em segundo turno.

Além disso, o PSDB é federado com o Cidadania e ainda mantém interlocução próxima com lideranças do Solidariedade, o que ampliaria o potencial de alianças do tucano já na largada da disputa. Por isso, a interpretação é que Aécio pode se tornar, caso lance, de fato, seu nome, um adversário competitivo dentro do próprio reduto eleitoral de Zema.