Segurança ganha espaço no discurso de presidenciáveis durante encontro em Brasília
Encontro foi promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e aconteceu nesta segunda-feira (22/6), em Brasília
A segurança pública dominou boa parte dos discursos dos pré-candidatos à presidência da República durante encontro promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira (22/6), em Brasília.
Convidados a apresentar propostas para representantes da indústria de todo o país, Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) apontaram o combate ao crime organizado como uma das prioridades de um eventual governo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidenciável do Missão, Renan Santos, também foram convidados, mas não compareceram ao encontro.
Ao longo de uma hora, cada um dos pré-candidatos dedicou parte de seus pronunciamentos ao avanço da criminalidade no país. Embora tenham adotado abordagens diferentes, todos defenderam o endurecimento das ações contra as facções e associaram o assunto à recuperação da confiança da população.
Zema e Flávio Bolsonaro foram os que mais exploraram o tema. Caiado, que comumente se utiliza dessa bandeira, falou sobre em momentos isolados, mas voltou a tecer duras críticas à gestão petista e à situação enfrentada pelo país durante coletiva de imprensa.
Choque contra os criminosos
O primeiro a subir ao palco foi o ex-governador Romeu Zema. Ao apresentar as diretrizes que pretende adotar caso seja eleito, ele afirmou que repetirá no país medidas implementadas durante sua gestão em Minas Gerais.
“O que fiz em Minas vou fazer no Brasil, ou seja, implantar três pontos que o país precisa: um choque de credibilidade, um choque contra a gastança do PT e um choque contra os criminosos. O meu governo não teve esquemas, escândalos. Não foi um governo bom para o noticiário da corrupção, como Brasília faz tão bem. Quando o chefe muda, as coisas mudam na mesma direção. Faz toda diferença alguém com credibilidade [no comando]”, disse.

Na sequência, Zema voltou a defender mudanças na legislação vigente e o endurecimento do combate à criminalidade. “Estamos criando no Brasil uma geração de imprestáveis. Aqui, quem investe tem uma série de dificuldades. Agora, quem quer ser bandido parece que está no melhor dos mundos. Mas nós vamos acabar com isso. Comigo bandido vai ser tratado como merece e não com um buquê de rosas como acontece em outras partes do país”, disse, sem citar quais.
Radical na segurança
Em seguida, foi a vez do senador Flávio Bolsonaro. Durante sua apresentação, Flávio destacou a viagem que fez aos Estados Unidos para defender que facções como Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) fossem classificadas como criminosas. Ele disse que seguirá pelo mesmo caminho caso termine eleito em outubro.
“O governo Lula parece que é parceiro das organizações. Estamos falando de mais de 50 milhões de brasileiros que moram em áreas dominadas por essas facções. É um poder paralelo invisível aos olhos desse governo. O presidente da República a todo momento acena para marginais. O Brasil está passando por uma crise moral, com o mau exemplo vindo de cima. E aqui não tem ataque institucional. Pelo contrário, temos que resgatar a credibilidade institucional.”

Ao defender uma política de segurança mais rígida, Flávio afirmou que pretende reduzir a sensação de insegurança da população e citou o recém-lançado Brasil sem Medo, um modelo de política pública com doze diretrizes voltadas ao enfrentamento da criminalidade.
“Voltaremos a ter um Brasil seguro. Fui a El Salvador e vi com os meus próprios olhos que é possível. Em apenas cinco anos eles fizeram. A virada de chave lá foi um Congresso Nacional alinhado com o presidente, pessoas com coragem para endurecer a lei penal”, disparou.
E emendou: “Vou ser radical na segurança. O que vou oferecer ao Brasil é um país sem medo para acabar com toda a impunidade que é o grande combustível para o que está acontecendo aqui”.
Goiás escola
Último a discursar, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, também falou sobre a segurança pública, embora tenha concentrado boa parte de seu pronunciamento aos empresários na defesa da pacificação. Ainda assim, afirmou que o país atravessa um momento de desordem institucional e de agravamento da violência.
Em entrevista coletiva após o evento, Caiado destacou os resultados obtidos na área da segurança durante sua gestão em Goiás e afirmou que pretende apresentar o modelo ao país.

“Tudo que eles [os concorrentes] apresentam, eu já fiz e vou levar para o Brasil. O que nós fizemos em Goiás é a maior transformação social possível. O lugar ocupado pelo crime dá aos jovens a perspectiva de que eles só vão ganhar a vida se entrarem para esse mundo. Então vou entregar um plano de governo juntamente com resultados práticos, com aquilo que deu certo”, afirmou.
Na mesma entrevista, o pré-candidato reconheceu que o Brasil enfrenta diversos problemas, mas sustentou que o principal desafio é recuperar a autoridade moral do Estado.
“Quero perguntar quais são os resultados dele [Lula] na segurança pública. Eles [a esquerda] tem 20 anos no poder. Agora, vejam os meus [resultados]. E olha que eu tive sete. Esse é o debate. Mas reforço: o divisor de águas dessa eleição será a moral.”
Brasil 2050
Ao final do encontro, a Confederação Nacional da Indústria entregou aos pré-candidatos o documento Construindo o Brasil 2050, elaborado por lideranças empresariais com propostas para aumentar a competitividade da economia brasileira e orientar políticas públicas para as próximas décadas.
Na abertura do evento, o presidente da CNI afirmou que a entidade pretende contribuir com o debate eleitoral e defender uma agenda voltada ao desenvolvimento.
“A indústria está atenta e disposta a participar desse importante debate. Estamos preocupados com os rumos da economia e, por isso, além de ouvir os pré-candidatos hoje, estamos aqui para apresentar nossas propostas de recuperação da economia e inserir o Brasil no rol de países de alta renda”, disse. Ao encerrar a mensagem, acrescentou: “Esperamos que o Brasil esteja pronto para executar ao invés de só improvisar.”
O encontro foi realizado no Ulysses Centro de Convenções, localizado no Eixo Monumental, e reuniu centenas de representantes da indústria de diferentes regiões do país. A programação se estendeu até às 20h.