No Senado

“Ser evangélico é uma bênção, mas o Estado é laico”, diz Messias em sabatina ao STF; vídeo

Indicado de Lula ao Supremo, Messias destaca fé cristã, defesa do Estado laico e compromisso com equilíbrio entre os Poderes

Imagem mostra indicado de Lula ao STF
Se tiver nome aprovado, Jorge Messias diz que atuará como instrumento da justiça "sem perder a misericórdia” (Foto: Reprodução/TV Senado)

Indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo presidente Lula (PT), Jorge Messias disse, durante sabatina no Senado na manhã desta quarta-feira (29/4), que “ser evangélico é uma benção”. Em discurso, o sabatinado se emocionou em diferentes ocasiões ao destacar sua devoção e trajetória. Ele também aproveitou para defender o respeito à laicidade do Estado.

“Gostaria de dizer para a nação brasileira com muita clareza: aqui vos fala um servo de Deus. Eu caminho com Deus há 40 anos, que me acolheu desde criança”, afirmou. Messias lembrou ter nascido em uma família evangélica e creditou à formação religiosa sua trajetória de sucesso. “Tive a fortuna de nascer em uma família de evangélicos. Meus pais plantaram muito cedo a semente da fé, o que sem dúvida salvou a minha vida. Para mim, ser evangélico é uma bênção.”

SAIBA MAIS:

Religião e Estado laico

Ao tratar da relação entre entre religião e atuação no Judiciário, o indicado fez questão de frisar os limites institucionais. “A minha identidade é evangélica, mas tenho plena clareza de que o Estado constitucional é laico. Uma laicidade clara, mas colaborativa, que fomenta o diálogo construtivo entre o Estado e todas as religiões, em prol da fraternidade e da inclusão, sem admitir favorecimentos ou discriminações.”

Messias também defendeu que a fé não pode se sobrepor à Constituição. “Juiz que coloca suas convicções religiosas acima da Constituição não é juiz.” Segundo ele, é possível conciliar valores pessoais com a responsabilidade institucional. “É possível interpretar a Constituição com fé e não pela fé.”

Jorge Messias, indicado de Lula para ocupar cadeira no Supremo, passa por sabatina no Senado (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

E continuou: “Sou nordestino, evangélico, filho da classe média brasileira, sem tradição hereditária no Poder Judiciário. Chego aqui pelo meu estudo, meu trabalho, minha família, meus amigos e minha fé em Deus”, declarou. Ele afirmou ter construído “uma vida de disciplina e humildade, uma vida verdadeiramente cristã”.

Sabatina ao STF

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Ao abordar sua futura atuação na Corte, caso seja aprovado, o indicado prometeu exercer “uma jurisdição séria, discreta e operacional em favor do Brasil”.Ele também afirmou que buscará equilíbrio institucional: “Me comprometo a exercitar a busca pela harmonia, o equilíbrio entre os Poderes e não o revés.”

Ao encerrar seu pronunciamento, Messias disse que pretende atuar no Supremo como “instrumento de justiça sem perder a misericórdia”, decidindo “com firmeza sem jamais perder a humanidade”. “Quero sustentar o rigor da lei sem me afastar do coração das pessoas. Trabalharei pela democracia e defenderei a liberdade. Sem justiça não há liberdade”, concluiu.