Trump elogia democratas, culpa guerra e fala em vetos após derrota republicana; veja declarações
Presidente dos EUA disse que pretende trabalhar com a oposição
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu à derrota do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato, realizadas nesta terça-feira (3), com elogios aos adversários, críticas a aliados e tentativas de afastar a responsabilidade pelo resultado. Em entrevistas e publicações na rede social Truth Social, o republicano reconheceu a vitória dos democratas, afirmou que pretende trabalhar com a oposição e admitiu que a guerra contra o Irã pode ter influenciado o desempenho de seu partido.
Em entrevista à Fox News, Trump parabenizou os democratas pela vitória e elogiou a campanha dos adversários. “Parabéns aos democratas. Eles fizeram um bom trabalho”, afirmou. O presidente também disse que não considera o resultado um golpe contra sua gestão e defendeu que os dois primeiros anos de seu segundo mandato foram bem-sucedidos.
Ao jornal The New York Times, Trump declarou que está disposto a aceitar o resultado das urnas e negociar com os adversários no Congresso. “Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados. Vamos trabalhar com os democratas e esperamos colaborar com eles. Provavelmente chegaremos a algum entendimento”, disse.
Apesar da disposição para negociar, o republicano sinalizou que poderá vetar projetos apresentados pela oposição. Segundo ele, os democratas poderão procurar o governo depois de algumas propostas serem barradas para tentar chegar a acordos.
Trump publica foto de boné com a palavra “Veto”
Uma das manifestações que chamou atenção nas redes sociais foi a publicação de uma foto de um boné vermelho com a palavra “VETO” estampada, sem qualquer legenda. A imagem faz referência ao poder presidencial de barrar projetos aprovados pelo Congresso, que deverá ficar sob controle dos democratas.
Com a perda da maioria nas duas Casas legislativas, Trump terá menos facilidade para aprovar sua agenda e poderá recorrer ao veto para impedir propostas da oposição. O presidente já havia sinalizado que pretende assumir uma postura mais rígida diante dos parlamentares democratas.

Trump culpa Fox News e ataca governador do Texas
Nas publicações feitas durante a madrugada desta quarta-feira (4), Trump também direcionou críticas a aliados e à emissora conservadora Fox News. O presidente responsabilizou o canal por parte das derrotas republicanas, alegando que a emissora deu espaço excessivo a representantes democratas.
“A Fox News é responsável por essas perdas por constantemente dar espaço à oposição democrata”, escreveu. Ele também criticou a participação do ex-prefeito de Nova York Bill de Blasio em uma entrevista à emissora.
Outro alvo foi o governador do Texas, Greg Abbott, que perdeu a disputa estadual para a democrata Gina Hinojosa. Trump afirmou que o republicano não teria sido derrotado caso não tivesse se tornado um “RINO”, sigla em inglês usada para designar alguém considerado republicano apenas no nome.
“Se ele não tivesse se tornado um RINO nos últimos seis meses de sua vida política, ele não teria perdido”, escreveu o presidente.
Presidente diz que venceria se estivesse nas urnas
Trump também tentou se distanciar do resultado eleitoral ao afirmar que os republicanos teriam vencido com ampla vantagem caso seu nome estivesse nas cédulas de votação.
“Eu não estava na cédula eleitoral e, se estivesse, teríamos vencido com uma vitória esmagadora”, publicou no Truth Social.
Em outra manifestação, o presidente afirmou que pretende atuar como uma espécie de comentarista político para avaliar os motivos das vitórias e derrotas dos candidatos republicanos.
Trump admite impacto da guerra contra o Irã
Em entrevistas, o presidente também reconheceu que a guerra contra o Irã pode ter prejudicado os republicanos nas urnas. Ele apontou o aumento do preço da gasolina como um dos fatores que pesaram na decisão dos eleitores.
“Parte disso foi o Irã”, afirmou à Fox News. Trump acrescentou que parte da população pode não ter aceitado as consequências econômicas de curto prazo do conflito, especialmente o encarecimento dos combustíveis.
Apesar de admitir o impacto eleitoral, o republicano defendeu a ofensiva militar e afirmou que não se arrepende das decisões tomadas.