Marconi vê Augusto Cury como opção antipolarização e faz aceno para o Planalto
Tucano reforçou que definirá aliança presidencial ainda no 1º turno e elogiou postura do candidato da terceira via
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O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) evitou cravar, mas apontou o escritor Augusto Cury como um bom nome para o Planalto. Durante a sabatina do Mais Goiás aos candidatos ao governo, nesta terça-feira (1º), ele reforçou que definirá o apoio a algum presidenciável ainda no primeiro turno.
“Estou gostando muito da forma como Augusto Cury está trabalhando para sair da polarização, para tirar o Brasil dessa rivalidade. Pode ser uma boa opção”, disse o ex-governador.
“O PSDB sempre gostou dessa coisa de olhar pra frente. Eu gosto dessa ideia de pacificação. O Brasil não vai sair do atoleiro em que se encontra se a gente não conseguir, no mínimo, dialogar”, afirmou. “O ideal é pacificar, mas precisamos, no mínimo, dialogar.”
Cury teve um bom resultado na última pesquisa Nexus/BTG, sendo o primeiro candidato da terceira via a alcançar os dois dígitos. O candidato chegou a 11% das intenções de voto. Ele ficou atrás do presidente Lula (PT), com 39%, e do senador Flávio Bolsonaro (PL), com 33%, no primeiro turno.
Completam a lista de primeiro turno: Ronaldo Caiado (PSD), com 5%; Renan Santos (Missão), com 3%; Romeu Zema (Novo), com 1%; e Samara Martins (UP), com 1%. Os demais não chegaram a 1%. Brancos e nulos somaram 3% e os eleitores que não souberam ou não responderam, 3%.
A pesquisa entrevistou 2.005 eleitores, entre os dias 28 e 30 de agosto, por meio de entrevista por telefone. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-08900/2026.
Quem é Augusto Cury?
Escritor de autoajuda, médico psiquiatra e palestrante. Isso descreve um pouco Augusto Cury, que resolveu se aventurar na política e disputar a Presidência da República pelo Avante logo em sua primeira tentativa de ocupar um cargo público.
Cury chamou atenção no dia 23 de agosto, já no estúdio da Band, uma vez que chegou a anunciar que não participaria do debate dos presidenciáveis devido às ausências do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do senador Flávio Bolsonaro (PL) e do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo). Logo em seguida, ele “desistiu de desistir”.
Durante o debate, alguns pontos do escritor chamaram a atenção. Após acompanhar o candidato Renan Santos (Missão) chamar o eleitorado de Lula de “canalha” e dizer que eles “estão rifando o futuro do Brasil, e eu não quero o voto deles”, o médico disse estar “assombrado” com a postura do adversário.
“Olha, Renan, você tem um nível de agressividade que me assombra. As ideias podem ter fundamento, mas a agressividade asfixia a capacidade de as pessoas terem suas próprias opiniões. Nós estamos em uma democracia, e a beleza dela está na divergência”, disse. “Você pode criticar as ideias de Lula, e elas são criticáveis, mas você não pode criticar a pessoa, transformando-a em uma escória humana, quase um lixo. E nem mesmo o eleitor de Lula.”
Quem também esteve no debate foi o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). O candidato do Avante se dirigiu a ele e disse que o convidaria para ser seu ministro da Segurança, se eleito. “Você vai ser meu xerife”, declarou ao goiano, que respondeu: “Eu vou declinar do seu convite porque vou estar na Presidência da República.”
Em seguida, Caiado retribuiu e afirmou que Cury também poderia participar da sua gestão.
Campeão de vendas de livros
Cury é um campeão de vendas de livros. Nos últimos dez anos, foram mais de 40 milhões no país e no exterior. Entre suas obras, estão O Vendedor de Sonhos, Ansiedade – Como Enfrentar o Mal do Século e O Homem Mais Inteligente da História.
À Justiça Eleitoral, ele registrou aproximadamente R$ 242 milhões em bens. O patrimônio inclui fazendas, imóveis e investimentos.
Nascido em Colina (SP) e pai de três mulheres, Augusto Cury tem formação na Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e também estudou na Florida Christian University, onde concluiu seu doutorado internacional em Psicologia Multifocal. Na campanha, ele define seu posicionamento como “uma mente capitalista e um coração social”.
Ele defende a redução do Estado, mais eficiência na máquina pública e menos burocracia. Outra proposta do candidato é a adoção do semipresidencialismo, mandatos de duração limitada de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) — entre oito e dez anos —, além de mudanças no ensino médio, com maior oferta de formação técnica e profissional. Cury também quer avançar na saúde mental e rever a lógica do sistema prisional, ampliando as políticas de ressocialização.
Entre os críticos, a percepção é que o escritor usa a exposição de uma campanha para vender mais livros e palestras. Ele nega. Na verdade, afirma que foi alertado de que a política poderia prejudicar a reputação dele.