Alcaçuz ainda está sob controle de detentos e muro deve ser construído hoje
Secretário também confirmou que existem detentos mortos dentro do presídio que ainda não foram retirados
Ir direto pra matériaO sétimo dia de confronto na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte, continuou com o interior do prédio sob o controle dos detentos, apesar de não ter havido novos confrontos como os que foram vistos na quinta-feira (19) e transmitidos ao vivo pela televisão em todo o país. Três feridos foram retirados por cima dos muros da prisão e 11 detentos foram transferidos por ter direito à progressão da pena para o semiaberto.
De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde do estado, pelo menos 20 presos já foram retirados de Alcaçuz desde quinta-feira. A maioria foi resgatada na madrugada de ontem (20), segundo a pasta. Foi solicitado que o hospital para onde todos foram transferidos seja mantido em sigilo para evitar tentativas de resgate. O estado de saúde do internos também não foi divulgado.
Outros três homens foram retirados na tarde de ontem por meio de macas içadas pelo Corpo de Bombeiros. O trabalho foi feito com a ajuda de cordas para ultrapassar os altos muros da unidade, já que as forças policiais estaduais têm acesso livre somente à parte de fora.
O secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Rio Grande do Norte, Caio César Marques Bezerra, declarou à imprensa na noite desta sexta-feira que a guarda do presídio “está no perímetro externo e nas guaritas”. “O choque e o Bope entraram ontem [quinta-feira] para definir uma área de não confrontação e estamos mantendo esses limites”, informou. “Temos as guaritas para fazer a proteção e o patrulhamento externo”.
Culto evangélico
Durante todo o dia, diversos veículos da imprensa acompanharam a movimentação interna de Alcaçuz em cima de uma duna próxima ao presídio, onde parentes também observam o interior da unidade. Fotos de um culto evangélico com violão e sistema de som foram divulgadas durante a manhã, além de imagens de presos falando ao celular e do trabalho de transferência de detentos do local, durante a tarde.
A Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc) retiraria na tarde de ontem mais 17 presos de Alcaçuz – a maioria deles teve a pena migrada do regime fechado para o semibaerto. No entanto, segundo a pasta, cinco deles se negaram a sair. Os outros onze foram transferidos para outra unidade prisional, para onde voltarão diariamente para dormir. O 17° saiu pela “porta da frente”, de acordo com a imprensa local, pois recebeu um alvará de soltura.
Mortos sem resgate
O secretário também confirmou que existem detentos mortos dentro do presídio que ainda não foram retirados. “Não foi possível ainda entrarmos com as equipes de perícia e Polícia Civil, estamos preparando essas operações para o fim de semana, porque isso precisa da investigação de campo, dos exames de campo para confirmar se há novas vítimas fatias – e sabemos que há – e também os feridos que hoje se encontram”, disse.
Ele explicou que a Polícia Militar não está fixa dentro da unidade porque a corporação só entra para conter conflitos. O trabalho permanente deve ser feito por agentes penitenciários. Em entrevista por telefone à reportagem, o Procurador Geral de Justiça do estado, Rinaldo Reis, informou que seis funcionários por turno trabalham no local normalmente. A informação foi confirmada pela presidente do sindicato da categoria, Vilma Batista.
Muro dividirá facções
Como medida emergencial para evitar novos massacres em Alcaçuz, o governo estadual deve começar hoje (21) a construir um muro entre os pavilhões para dividir as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Sindicato do Crime do RN. A previsão foi dada pelo secretário Caio César.
De acordo com a assessoria de comunicação da pasta, inicialmente serão instalados contêineres enquanto o muro – que deverá ser de concreto – é levantado. Ainda não foi divulgada a previsão de término da construção da estrutura. “É imprescindível que haja um obstáculo resistente o suficiente para manter as facções separadas”, defendeu o secretário.