Estácio Leite

Arma apreendida com sargento do Exército no DF está registrada em nome de Bolsonaro

Militar foi abordado em blitz em Brasília e disse que levava armamento para reparo

Arma apreendida com sargento do Exército no DF está registrada em nome de Bolsonaro Militar foi abordado em blitz em Brasília
Foto: Carolina Antunes/PR

Uma arma apreendida com um sargento do Exército durante uma blitz no Distrito Federal está registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que atualmente cumpre prisão domiciliar. A abordagem ocorreu na noite de segunda-feira (15), na DF-001, em Taguatinga, e levou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, a solicitar esclarecimentos à defesa do ex-presidente.

O militar, identificado como Estácio Leite da Silva Filho, integra a equipe de segurança responsável por acompanhar Bolsonaro após o fim do mandato. Ao ser abordado pela Polícia Militar, ele conduzia um veículo oficial da Presidência da República e estava com duas armas: uma institucional, com porte regular, e outra sem a documentação no momento da fiscalização.

Segundo o boletim de ocorrência, o sargento afirmou que a segunda arma pertenceria a Bolsonaro e que ele a transportava para realizar reparos após uma pane. Ele disse ainda que o armamento havia sido retirado no mesmo dia e que seria devolvido na terça-feira (16).

De acordo com a Polícia Militar, a ausência do Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF) tornou a conduta irregular, conforme previsto na Lei 10.826/2003. Estácio foi levado à 21ª Delegacia de Polícia, onde prestou esclarecimentos, e acabou liberado. O caso deve ser investigado pela 17ª DP.

Blitz no DF e versão apresentada pelo sargento

Durante a abordagem, o militar se apresentou como integrante do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), informação que foi posteriormente negada pelo próprio órgão. Ainda segundo os policiais, ele declarou que o armamento encontrado no veículo pertencia a outra pessoa.

A Polícia Civil confirmou que a arma está registrada no nome de Bolsonaro, conforme consulta ao Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (SIGMA), do Exército Brasileiro. Até o momento, não há informações sobre como o armamento foi repassado ao sargento.

Ligação com Bolsonaro e atuação na segurança

Estácio Leite da Silva Filho atua na segurança do ex-presidente desde 2022, quando passou a integrar a equipe responsável pela proteção após o término do mandato. Todos os ex-presidentes têm direito a esse tipo de assessoramento.

Natural de Paranaguá (PR), o militar iniciou a carreira no Exército em 1992 e participou de missões internacionais, como no Timor-Leste, em 1999, e no Haiti, em 2014. Ele também acompanhou Bolsonaro em viagens aos Estados Unidos em 2023.

Em ocasiões anteriores, o nome de Estácio já havia sido autorizado pelo STF para acesso a Bolsonaro. Em março deste ano, quando o ex-presidente estava detido, o ministro Alexandre de Moraes permitiu a entrada do sargento e de outros assessores para a entrega de alimentação especial. Posteriormente, já em prisão domiciliar, o militar também foi autorizado a frequentar a residência.

Pedido de esclarecimentos do STF

Diante do caso, Alexandre de Moraes determinou que a defesa de Bolsonaro e os responsáveis pelo controle de acesso à residência do ex-presidente prestem esclarecimentos sobre a circulação da arma.

Até o momento, nem a defesa de Bolsonaro nem seus representantes se manifestaram publicamente sobre o caso.