Sexta-feira, 31 de Julho de 2026
Estácio Leite

Arma apreendida com sargento do Exército no DF está registrada em nome de Bolsonaro

Militar foi abordado em blitz em Brasília e disse que levava armamento para reparo

Por - Goiânia, GO
Publicado em:
Bolsonaro presta depoimento de cinco minutos à polícia sobre arma apreendida Agente que estava com arma de Bolsonaro foi abordado em blitz

Uma arma apreendida com um sargento do Exército durante uma blitz no Distrito Federal está registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que atualmente cumpre prisão domiciliar. A abordagem ocorreu na noite de segunda-feira (15), na DF-001, em Taguatinga, e levou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, a solicitar esclarecimentos à defesa do ex-presidente.

O militar, identificado como Estácio Leite da Silva Filho, integra a equipe de segurança responsável por acompanhar Bolsonaro após o fim do mandato. Ao ser abordado pela Polícia Militar, ele conduzia um veículo oficial da Presidência da República e estava com duas armas: uma institucional, com porte regular, e outra sem a documentação no momento da fiscalização.

Segundo o boletim de ocorrência, o sargento afirmou que a segunda arma pertenceria a Bolsonaro e que ele a transportava para realizar reparos após uma pane. Ele disse ainda que o armamento havia sido retirado no mesmo dia e que seria devolvido na terça-feira (16).

De acordo com a Polícia Militar, a ausência do Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF) tornou a conduta irregular, conforme previsto na Lei 10.826/2003. Estácio foi levado à 21ª Delegacia de Polícia, onde prestou esclarecimentos, e acabou liberado. O caso deve ser investigado pela 17ª DP.

Blitz no DF e versão apresentada pelo sargento

Durante a abordagem, o militar se apresentou como integrante do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), informação que foi posteriormente negada pelo próprio órgão. Ainda segundo os policiais, ele declarou que o armamento encontrado no veículo pertencia a outra pessoa.

A Polícia Civil confirmou que a arma está registrada no nome de Bolsonaro, conforme consulta ao Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (SIGMA), do Exército Brasileiro. Até o momento, não há informações sobre como o armamento foi repassado ao sargento.

Ligação com Bolsonaro e atuação na segurança

Estácio Leite da Silva Filho atua na segurança do ex-presidente desde 2022, quando passou a integrar a equipe responsável pela proteção após o término do mandato. Todos os ex-presidentes têm direito a esse tipo de assessoramento.

Natural de Paranaguá (PR), o militar iniciou a carreira no Exército em 1992 e participou de missões internacionais, como no Timor-Leste, em 1999, e no Haiti, em 2014. Ele também acompanhou Bolsonaro em viagens aos Estados Unidos em 2023.

Em ocasiões anteriores, o nome de Estácio já havia sido autorizado pelo STF para acesso a Bolsonaro. Em março deste ano, quando o ex-presidente estava detido, o ministro Alexandre de Moraes permitiu a entrada do sargento e de outros assessores para a entrega de alimentação especial. Posteriormente, já em prisão domiciliar, o militar também foi autorizado a frequentar a residência.

Pedido de esclarecimentos do STF

Diante do caso, Alexandre de Moraes determinou que a defesa de Bolsonaro e os responsáveis pelo controle de acesso à residência do ex-presidente prestem esclarecimentos sobre a circulação da arma.

Até o momento, nem a defesa de Bolsonaro nem seus representantes se manifestaram publicamente sobre o caso.

Categorias:
Brasil Cotidiano
Tags:
Arma Brasília DF Jair Bolsonaro Militar Sargento