Goiás cria 32% menos empregos em 2026, apesar de queda no desemprego
Estado criou 50,5 mil postos até agosto, abaixo do resultado de 2025; comércio de Goiânia já contrata para o fim de ano
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Quem procura emprego em Goiás encontra um mercado que continua contratando, mas em ritmo menor que no ano passado. De janeiro a agosto de 2026, o estado criou 50.529 vagas com carteira assinada, contra 74.644 no mesmo período de 2025. Isso representa uma queda de 32,3% na abertura de novos postos, segundo levantamento publicado pelo Diário de Goiás, com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged). Apesar da redução, o desemprego caiu para 4% no segundo trimestre, enquanto lojas de Goiânia já começaram a contratar funcionários para as vendas de Natal.
Os números mostram que Goiás não perdeu 32% dos empregos existentes. Na prática, as empresas contrataram mais trabalhadores do que demitiram, porém criaram menos vagas novas do que em 2025. Somente em agosto, foram abertos 3.496 postos, resultado 12,95% superior ao do mesmo mês do ano passado. O setor de serviços liderou as contratações, com saldo de 2.884 vagas, seguido pelo comércio, com 976. A construção civil criou 669 postos, a indústria abriu 440 e a agropecuária fechou 1.473.
O economista Marcelo Marques explica que a redução no ritmo de contratações exige atenção, principalmente para os trabalhadores que buscam uma oportunidade. “Goiás continua criando empregos, mas a redução no ritmo de abertura de vagas exige atenção. O resultado indica uma desaceleração das contratações, não uma perda generalizada dos postos de trabalho. O comércio pode ganhar impulso com as vendas de fim de ano, mas a transformação dessas vagas temporárias em empregos permanentes dependerá do consumo, do acesso ao crédito e das condições econômicas das empresas”, analisa.
Em Goiânia, o empresário Marco Túlio Santos está com cinco vagas abertas em três estabelecimentos. As oportunidades são para vendedores na Azfit, Boa Noite Colchões e Bombox. “Estou com uma vaga na Azfit, uma vaga na Boa Noite Colchões e três vagas na Bombox. São oportunidades na área de vendas e estamos buscando pessoas com experiência, mas também que sejam proativas e tenham vontade de aprender”, afirma. Segundo ele, a disposição para aprender também faz diferença na escolha dos candidatos.
Comércio deve abrir 130 mil vagas no Brasil, mas salários previstos são menores
O comércio e o setor de serviços brasileiros devem abrir cerca de 130 mil vagas temporárias e efetivas até dezembro, 12 mil a mais que em 2025. A previsão é de pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a OfferWise. O levantamento mostra, porém, que a remuneração média oferecida deverá ser de R$ 1.805, valor R$ 138 inferior ao registrado no ano passado. A pesquisa é nacional e não informa quantas vagas serão abertas especificamente em Goiás.
Entre as funções mais procuradas pelas empresas estão vendedor, que representa 23% das oportunidades previstas, ajudante (22%) e entregador (10%). Metade dos empregadores que pretendem contratar considera oferecer vagas temporárias, enquanto 39% planejam admissões por tempo indeterminado. Novembro deverá concentrar 24% das contratações. Para quem está desempregado, o período poderá representar uma chance de voltar ao mercado de trabalho.
O presidente da CDL Goiânia, Gustavo de Faria, afirma que as contratações para as vendas de fim de ano também podem resultar em empregos permanentes. “O final do ano traz duas datas extremamente importantes para o comércio, que são a Black Friday e o Natal. Em consequência da oportunidade de movimentação que essas datas proporcionam, surgem também as contratações, que podem começar como vagas temporárias para suprir esse movimento e, dependendo do desempenho do profissional, resultar em efetivação”, afirma.
Desemprego cai, mas Goiás continua criando menos vagas
Embora o número de novas vagas tenha diminuído, a taxa de desemprego em Goiás caiu de 5,1% no primeiro trimestre para 4% no segundo trimestre de 2026. Os dois resultados não são contraditórios. O Novo Caged acompanha os empregos com carteira assinada, enquanto a pesquisa de desemprego do IBGE considera diferentes formas de trabalho, inclusive atividades informais.
No cenário nacional, o Brasil criou 1,13 milhão de empregos formais entre janeiro e agosto. Somente em agosto, foram 165.827 novas vagas, elevando o total de trabalhadores com vínculo formal para 48,2 milhões.
Para Goiás, o desempenho dos últimos meses do ano dependerá da capacidade das empresas de ampliar suas equipes e manter os funcionários depois das festas. O comércio já oferece oportunidades, mas o aumento das contratações temporárias não garante, por si só, uma recuperação do ritmo de geração de empregos registrado em 2025.