Casa mais antiga de Goiânia é mais velha que a cidade e foi construída por um alemão
Imóvel de 1925 fica em Campinas, surgiu oito anos antes da fundação da capital e preserva estrutura de madeira, paredes de pau a pique, portas, janelas e telhas da construção original
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Construída em 1925, a casa apontada como a mais antiga de Goiânia chega aos 101 anos em 2026. O imóvel fica no Setor Campinas e foi erguido pelo alemão Karl Bartolomeo Steger quando a capital goiana ainda não existia. Goiânia só teria sua pedra fundamental lançada oito anos depois, em 1933. O Mais Goiás já incluiu a residência entre os pontos históricos do bairro e registra 1925 como o ano da construção.
A casa está localizada na região da antiga Campininha das Flores, município que existia antes da criação de Goiânia e que posteriormente foi incorporado à capital. A história explica como uma construção feita antes do nascimento da cidade permanece atualmente dentro dos limites de Goiânia.
Quem foi o alemão que construiu a casa

O imóvel é associado a Karl Bartolomeo Steger. Registros genealógicos disponíveis no FamilySearch identificam Karl Bartholomaeus Steger como nascido na Alemanha, em 1901. A base também registra o casamento dele com Bárbara da Silva Moraes em 1925, mesmo ano atribuído à construção da residência.
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A presença de um alemão em Campinas naquele período não ocorre de forma isolada. A região mantém vínculos com religiosos alemães desde o final do século XIX.
Pesquisa acadêmica disponível no acervo da Universidade Federal de Goiás registra que padres redentoristas alemães se estabeleceram em Campinas em 1894. Os religiosos tiveram atuação na educação, na Igreja Católica e nas atividades relacionadas à Romaria do Divino Pai Eterno.
A presença dos redentoristas ajuda a contextualizar o ambiente encontrado por imigrantes europeus na Campininha das primeiras décadas do século XX. Na década de 1920, a região já possuía população, comércio, escolas e instituições religiosas próprias.
Casa nasceu oito anos antes de Goiânia
Quando a residência foi construída, em 1925, o projeto de transferência da capital de Goiás ainda não havia sido concretizado.
De acordo com a Prefeitura de Goiânia, Pedro Ludovico Teixeira instituiu em 1932 uma comissão para analisar possíveis locais para a nova capital. Em janeiro de 1933, foram estudadas localidades como Bonfim, atual Silvânia, Pires do Rio, Ubatan e Campinas.
O Decreto Estadual nº 3.359, de 18 de maio de 1933, definiu a área das fazendas Crimeia, Vaca Brava e Botafogo, então pertencentes ao município de Campinas, para a construção da nova cidade.
A pedra fundamental de Goiânia foi lançada em 24 de outubro de 1933. Isso significa que, pela cronologia registrada pelo Mais Goiás, a casa já existia havia aproximadamente oito anos quando a construção da capital começou oficialmente.
Campinas já tinha mais de um século de história
A diferença de idade fica ainda maior quando a comparação é feita com Campinas.
A formação da antiga Campininha das Flores começa em 1810. A informação consta na Lei Municipal nº 8.967/2010, que inclui pontos históricos de Campinas entre os locais de interesse turístico da cidade.
São 123 anos entre o início da formação de Campinas e a fundação de Goiânia.
Antes do surgimento da capital, Campinas já possuía ruas, residências, comércio, igreja e organização administrativa. Na década de 1920, período em que a casa de Steger foi construída, a antiga cidade tinha cerca de 4 mil habitantes, segundo levantamento publicado pelo Mais Goiás sobre a formação de Campinas.
Por isso, a existência de uma casa mais velha que Goiânia não representa uma contradição histórica. O imóvel nasceu em outro município e posteriormente passou a fazer parte da nova capital.
Campinas deu terreno e estrutura para a nova capital
Campinas também desempenha papel direto na implantação de Goiânia.
As fazendas escolhidas para receber a capital pertenciam ao município. Além do território, Campinas forneceu comércio, moradia e serviços durante os primeiros anos das obras.
O Mais Goiás mostrou como a antiga Campininha deu abrigo, comércio e chão para Goiânia. Trabalhadores envolvidos na construção utilizavam a estrutura já existente no município enquanto o novo centro urbano começava a ser implantado.
Com a consolidação da capital, Campinas perde a autonomia administrativa e passa a integrar Goiânia. A região mantém, no entanto, características próprias e se consolida como um dos principais polos comerciais da cidade.
Bairro ainda reúne construções anteriores e posteriores à fundação
A casa de 1925 não é o único endereço usado para contar a transformação urbana de Campinas, embora seja apontada como o imóvel mais antigo da atual capital.
A região também reúne a Basílica Nossa Senhora da Conceição, a Praça Coronel Joaquim Lúcio, o Centro Cultural Gustav Ritter, o Mercado de Campinas, o Estádio Antônio Accioly e o Cemitério Santana.
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Um roteiro publicado pelo Mais Goiás reúne sete locais ligados à história de Campinas e inclui a residência construída em 1925 entre os pontos de referência da memória local.
O contraste também aparece quando a casa é comparada aos edifícios construídos depois da criação da capital. O Grande Hotel, por exemplo, foi inaugurado em 1937 e está entre os primeiros prédios de Goiânia, enquanto a residência de Campinas já estava de pé havia cerca de 12 anos.
101 anos no mesmo bairro onde Goiânia começou
A sequência histórica coloca o imóvel em uma posição particular na memória da capital. Campinas começa sua formação em 1810. A casa é construída em 1925. Goiânia nasce oficialmente em 1933.
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Em 2026, enquanto Goiânia se aproxima de completar 93 anos, a residência chega aos 101.
Mais do que uma construção anterior à capital, a casa mostra que a história urbana da região não começa com o planejamento de Goiânia. Quando as primeiras avenidas da nova cidade ainda estavam no papel, Campinas já tinha moradores, comércio, igrejas e casas — entre elas o imóvel construído pelo alemão Karl Bartolomeo Steger que permanece como uma ligação entre a antiga Campininha das Flores e a Goiânia atual.