Sexta-feira, 25 de Setembro de 2026
MÃE LOIRA DO FUNK

‘Mãe Loira do Funk’: Veronica Costa troca de defesa após prisão e cita B.O. de 2010 em revisão criminal

Advogada protocolou pedido no TJRJ e afirmou ao Mais Goiás que condenação desconsiderou histórico de agressões

Por - Goiânia, GO
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'Mãe Loira do Funk': Veronica Costa troca de defesa após prisão e cita B.O. de 2010 em revisão criminal

A empresária e ex-vereadora do Rio de Janeiro Veronica Costa (PL), conhecida como Mãe Loira do Funk, trocou sua defesa. Ela foi presa na noite de quinta-feira (24) após ser condenada a 10 anos e 8 meses de prisão por tortura contra o ex-marido, Márcio Costa.

Veronica foi localizada por agentes da Polinter no Vale das Videiras, em Araras, distrito de Petrópolis, na Região Serrana do Rio. Além dela, outras três pessoas foram presas na operação da Polícia Civil.

Quem assumiu a defesa da ex-vereadora foi a advogada criminalista Maíra Fernandes. Conforme a assessoria da jurista informou ao Mais Goiás, ela protocolou uma revisão criminal no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), nesta sexta-feira (25).

No pedido, a advogada cita um boletim de ocorrência realizado em 2010. No documento, Veronica relatou à polícia episódios constantes de violência praticados pelo então marido. Nele consta que a ex-vereadora era agredida física e psicologicamente, além de sofrer ameaças com arma de fogo.

Conforme a advogada, o boletim revela que, em um dos episódios, o marido chegou a fazer roleta-russa, apontando a arma para sua cabeça. Além disso, consta no registro a retirada de dinheiro destinado à campanha eleitoral. A defesa alega que, apesar de ter buscado uma delegacia e solicitado medida protetiva de urgência, o pedido foi negado.

Meses depois, após nova agressão e sem a ajuda do Estado, segundo a defesa, familiares reagiram. Maíra Fernandes diz não considerar a reação física uma forma adequada ou legítima de resolução do conflito, mas sustenta a contextualização do episódio. Para ela, todo o histórico precisa ser considerado.

“É muito diferente olhar para uma mulher que procurou a polícia em 2010 com os instrumentos de proteção que temos em 2026. Hoje, uma mulher que relata agressões, violência patrimonial e ameaças com arma encontra uma legislação mais detalhada e mecanismos de proteção que foram fortalecidos ao longo de 16 anos. Não podemos analisar o que aconteceu em 2010 como se toda a estrutura existente hoje estivesse disponível naquela época”, afirmou.

Para a advogada criminalista, a condenação desconsiderou elementos relacionados ao histórico de violência doméstica relatado pela ex-vereadora. “O processo precisa ser analisado a partir de toda a história, e não apenas do episódio final. Meses antes, ela havia procurado o Estado, registrado as agressões e solicitado proteção. A medida protetiva não foi concedida e ela retornou ao ambiente em que dizia sofrer violência. Para esse cenário, apenas dois desfechos eram possíveis: ou Veronica seria vítima de feminicídio ou reagiria à violência de Marcio para se salvar.”

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Entenda o caso

O caso veio à tona em fevereiro de 2011, quando Márcio Costa procurou a Polícia Civil e acusou Veronica e quatro parentes dela de torturá-lo por cerca de 20 horas na casa onde viviam, no Recreio dos Bandeirantes.

Segundo o relato de Márcio, ele foi amarrado e amordaçado e sofreu agressões durante o período. Ele afirmou ainda que parentes da então vereadora jogaram spray inseticida em seu rosto, derramaram gasolina sobre seu corpo e ameaçaram atear fogo nele.

De acordo com a investigação, o irmão, a irmã, o cunhado e o padrasto de Veronica teriam participado das agressões a mando dela.

A primeira condenação ocorreu em 2019, com pena de 5 anos e 10 meses de prisão. Em 2023, após recurso do Ministério Público do Rio de Janeiro, a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio aumentou a pena para 10 anos e 8 meses. A decisão também determinou o cumprimento inicial em regime fechado e manteve a perda do mandato de vereadora.

As penas dos demais réus também foram aumentadas. Tatiane Chaves Ribeiro, Bruno Marcelo Bahia Marques e Sebastião de Oliveira Evangelista foram condenados a 10 anos de prisão cada um.

O que diz Veronica Costa

Desde o início do caso, Veronica nega ter torturado o ex-marido. Em depoimento prestado em 2011, ela afirmou que Márcio fazia uso de drogas, a ameaçava e teria chegado à residência machucado.

“Ele chegou na minha casa muito nervoso, gritando, muito machucado, querendo me agredir como sempre”, declarou na época.

Veronica também acusou o então marido de ter levado computadores, máquinas fotográficas, filmadoras e dinheiro da casa. Márcio negou ter furtado os objetos.

Após o episódio, ele apresentou um laudo com resultado negativo para indícios de maconha e cocaína no sangue.

Em 2023, após o aumento da pena, a defesa de Veronica afirmou que a condenação era baseada na versão de Márcio e que pretendia recorrer. Segundo os advogados, a decisão se apoiava em “dúvidas e não certezas” e havia elementos favoráveis à defesa que não teriam sido considerados.

Já o advogado de Márcio, Leandro Bessa, classificou a prisão como uma “cristalização da justiça”.

“Na realidade, o crime cometido contra o meu cliente foi bárbaro. Ele sofreu tortura, não só pela Veronica”, afirmou.

Mãe Loira do Funk

Veronica Costa ganhou notoriedade no funk carioca ao trabalhar na Furacão 2000, uma das principais produtoras do gênero no Rio. Ela foi casada com o empresário Rômulo Costa, fundador da empresa, com quem teve dois filhos.

Os dois se conheceram quando Veronica tinha 16 anos e ficaram juntos até 2001. Foi durante esse período que ela ganhou o apelido de Mãe Loira do Funk, por sua atuação na divulgação e defesa do gênero.

Após a separação, Veronica deixou a Furacão 2000 e fundou a própria gravadora, a Glamourosa.

Carreira política

Veronica entrou para a política em 2000, mesmo ano em que se separou de Rômulo Costa. Ela foi eleita vereadora do Rio de Janeiro e exerceu outros quatro mandatos.

Ao longo da carreira, passou por partidos como PL, PMDB, DEM e Republicanos. Também presidiu a Comissão de Defesa da Mulher e a Comissão de Prevenção às Drogas da Câmara Municipal do Rio.

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