Domingo, 09 de Agosto de 2026
COLUNA DO JOÃO BOSCO BITTENCOURT

STJ anula inquérito contra juiz de Goiás investigado por venda de sentenças

Relator aponta ilegalidade na apuração conduzida de ofício pela Corregedoria do TJ-GO e afirma violação ao sistema acusatório

João Bosco Bittencourt
Por - Goiânia, GO
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O Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou integralmente o inquérito instaurado contra o juiz Adenito Francisco Mariano Júnior, titular da comarca de Silvânia (GO), que apurava suspeitas de corrupção e venda de sentenças. A decisão foi proferida de forma monocrática pelo ministro Messod Azulay, relator do caso.

Ao analisar o processo, o ministro entendeu que o inquérito é nulo desde a origem, por ter sido instaurado de ofício pelo corregedor-geral de Justiça de Goiás, órgão que não detém atribuição para conduzir investigação criminal. Segundo o relator, a atuação do corregedor deve se limitar à esfera administrativa, com eventual encaminhamento dos autos ao Ministério Público ou à autoridade policial competente.

Na decisão, Azulay destacou que a condução do procedimento violou princípios do sistema acusatório, além de comprometer garantias fundamentais como a imparcialidade, a legalidade e o devido processo legal. O ministro também registrou “perplexidade” com a atuação do Tribunal de Justiça de Goiás, ao classificar o procedimento como “claramente ilegal”.

Para o relator, eventuais indícios de crime devem ser apurados de forma rigorosa, mas sempre com respeito às garantias processuais e aos direitos individuais.

Com a anulação do inquérito, a defesa do magistrado, representada pelos advogados Romero Ferraz Filho e Alexandre Pinto Lourenço, sustenta que Adenito Mariano Júnior deve ser imediatamente reconduzido ao cargo. Segundo os defensores, o afastamento cautelar do juiz estava fundamentado exclusivamente em provas que agora foram consideradas ilícitas pela Corte Superior.

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