Padre excomungado rebate Arquidiocese e afirma que continuará celebrando missas e sacramentos
Françoá fez críticas à condução da Igreja Católica após o Concílio Vaticano II
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O padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa divulgou, nesta quinta-feira (16), uma carta aberta direcionada ao cardeal Dom Paulo Cézar Costa e aos fiéis da Arquidiocese de Brasília em resposta à decisão que o declarou em situação de cisma e excomunhão após aderir formalmente às posições doutrinárias da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX). A declaração foi divulgada pela Capela Santo Atanásio.
Ao longo de dez páginas, o sacerdote sustenta que a decisão anunciada pela Arquidiocese de Brasília não corresponde à realidade canônica. Segundo ele, a adesão à FSSPX não rompe sua comunhão com a Igreja Católica. “Não é verdade que eu seja cismático nem excomungado”, afirma.
Na carta e em uma nota à imprensa divulgada no mesmo dia, Françoá afirma que continuará exercendo normalmente o ministério sacerdotal na Capela Santo Atanásio, em Ceilândia (DF), vinculada à FSSPX. Ele também sustenta que os sacramentos celebrados no local, incluindo confissões e casamentos, permanecem válidos e lícitos, em entendimento oposto ao divulgado pela Arquidiocese de Brasília no documento pastoral publicado em 10 de julho.
Leia a nota completa da Arquidiocese de Brasília
Na manifestação, o padre reconhece que aderiu formalmente às posições doutrinárias da Fraternidade São Pio X desde 5 de abril de 2025, mas argumenta que isso não caracteriza cisma nem excomunhão. Para sustentar a tese, cita dispositivos do Código de Direito Canônico e afirma que as recentes sagrações episcopais promovidas pela fraternidade, sem autorização do papa, ocorreram em um suposto “estado de grave necessidade”, o que, segundo sua interpretação, afastaria a aplicação das sanções canônicas.
Críticas
Além da defesa jurídica e canônica, Françoá faz críticas às mudanças implementadas na Igreja Católica após o Concílio Vaticano II. Na carta, afirma que a Igreja estaria sendo influenciada pelo “modernismo”, critica reformas litúrgicas, o ecumenismo e a atuação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
“O que se vive hoje na nova Igreja Católica, sinodal, modernista, globalizada, afeminada, é uma farsa; desta Igreja conciliar, que espalha a morte das almas, eu mesmo me excluo e nada tenho a ver com ela”, diz um trecho da carta.

Ao final do documento, também defende que os bispos brasileiros adotem as mesmas posições da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. “Seríamos uma força enorme para destruir as forças do inferno, mesmo que, inicialmente, pareceríamos cismáticos. Não o somos! Lutamos pelo que vale a pena: a Fé católica e a nossa salvação eterna. Dirão que estou louco por pedir isso aos bispos, e, contudo, milagres existem, e eu creio neles”, afirma.
Relembre o caso
No último dia 10 de julho, a Arquidiocese de Brasília informou, por meio de nota pastoral assinada pelo cardeal Dom Paulo Cézar Costa, que Françoá Rodrigues Figueiredo Costa se encontra em situação de cisma e excomunhão em razão de sua adesão formal à FSSPX, após as recentes decisões da Santa Sé relacionadas às sagrações episcopais realizadas pela fraternidade sem autorização do papa.
Cisma é uma ruptura ou divisão entre integrantes de uma organização, movimento ou denominação religiosa, geralmente causada por divergências de ideias, crenças ou interesses.
Excomunhão é a exclusão de uma pessoa da participação em uma comunidade religiosa, geralmente como consequência de uma violação de normas, doutrinas ou regras da instituição.
A Arquidiocese também afirmou que os atos ministeriais praticados pelo sacerdote são considerados ilícitos e declarou inválidas as absolvições e os matrimônios celebrados por ele, por entender que lhe falta a jurisdição necessária para administrar esses sacramentos.
Ordenado sacerdote pela Diocese de Anápolis em 2004, Françoá construiu carreira acadêmica em Goiás, atuando como professor e diretor da Faculdade Católica de Anápolis, além de exercer o ministério em paróquias de Goiás e do Distrito Federal antes de se vincular à Fraternidade Sacerdotal São Pio X.
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