PEC do teto será ajuste gradual, mas crível, diz secretário de orçamento federal
"A PEC é necessária, porque o gasto público só cresce desde os anos 90, com uma disparada da dívida pública nos últimos anos", afirmou
Ir direto pra matériaO secretário de Orçamento Federal do Ministério do Planejamento, George Alberto de Aguiar Soares, defendeu nesta segunda-feira (21) a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que cria um teto para o crescimento dos gastos públicos. Segundo ele, o País precisa de um ajuste gradual, mas persistente e crível, que dê confiança e credibilidade ao mercado.
“A PEC é necessária, porque o gasto público só cresce desde os anos 90, com uma disparada da dívida pública nos últimos anos”, afirmou, em apresentação no Seminário Nacional de Fiscalização e Controle dos Recursos Públicos, realizado na Câmara dos Deputados.
A chamada PEC do teto já foi aprovada em dois turnos na Câmara e agora passará por duas votações no Plenário do Senado. Soares mostrou que as despesas continuaram crescendo na década passada enquanto a arrecadação do governo federal subia de maneira atípica, o que, segundo ele, não voltará a se repetir quando o País voltar a crescer. “Naquele momento de bonança, o ideal teria sido fazer superávits primários maiores, mas isso não foi feito, pois se continuou a política de gastos excessivos”, completou.
Para o secretário, a PEC ajudará a estabilizar a dívida pública e evitar o retorno de uma inflação elevada. Além disso, o governo aposta que o novo regime fiscal possibilitará o realismo orçamentário. “O Orçamento deixará de ser inflado e não realizado para passar a ser executado de acordo com a lei. Além disso, haverá uma pressão pela eficiência das políticas públicas”, defendeu. “A melhoria da gestão será automática”, enfatizou.
Já a professora de economia da UFRJ e ex-secretária de Orçamento no governo Dilma Rousseff, Esther Dweck, questionou o uso de uma PEC como instrumento para a definição da política fiscal por 20 anos. “O que a Constituição diz é que essas regras gerais deveriam ser disciplinadas por uma lei complementar. Somente Cingapura e Geórgia constitucionalizaram uma regra de gastos. Em geral os países não têm regras de gastos tão rígidas, e a maioria prevê algum crescimento real das despesas”, argumentou.
Esther alertou ainda que a adoção da PEC pode reduzir os repasses da União para Estados e municípios nas áreas de Saúde, investimentos em infraestrutura, saneamento, mobilidade, construção de creches, aquisição de livros escolares e outras. “Vai haver perda per capita de orçamento para a Saúde, cujos custos sobem anualmente acima do IPCA. Para a Saúde, corrigir o orçamento pela inflação significa uma queda real de recursos”, acrescentou.