Segunda-feira, 10 de Agosto de 2026
INDICIADO

PF indicia Pablo Marçal por uso de documento falso

Goiano publicou um laudo falso contra Guilherme Boulos às vésperas do primeiro turno das eleições

Luanna Marques
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
Marçal é indiciado por uso de laudo falso (Foto: Reprodução)

Ex-candidato à prefeitura de São Paulo, o goiano Pablo Marçal (PRTB) foi indiciado pela Polícia Federal (PF), nesta sexta-feira (8), por uso de documento falso. O empresário é acusado de publicar, na véspera do primeiro turno das eleições, em 4 de outubro, um laudo médico falsificado para tentar associar seu adversário, Guilherme Boulos (PSOL), ao uso de drogas. O caso será encaminhado ao Ministério Público Eleitoral, que decidirá se oferecerá denúncia contra ele.

Em depoimento prestado na Superintendência da PF de São Paulo, Marçal afirmou que o documento foi divulgado por sua equipe e que não se envolveu diretamente. No entanto, uma investigação da PF aponta que o laudo médico utilizado na acusação traz a assinatura falsificada do médico José Roberto de Souza, falecido em 2022. A análise pericial concluiu que as assinaturas do documento e os registros oficiais do médico são diferentes, o que reforça as suspeitas de falsificação.

O laudo divulgado por Marçal relatou um suposto atendimento de Boulos em janeiro de 2021 na clínica Mais Consulta, na zona sul de São Paulo, com um “quadro de surto psicótico” e “ideias homicidas”. A perícia mencionou, no entanto, que José Roberto nunca trabalhou na clínica mencionada e que seu histórico profissional era de hematologista, sem qualquer atuação em psiquiatria.

A revelação de que a assinatura do médico foi falsificada levou a família de José Roberto a entrar com uma ação na Justiça contra Marçal, onde solicita sua inelegibilidade.

A clínica Mais Consulta, mencionada no laudo, também foi envolvida nas investigações. Luiz Teixeira da Silva Junior, sócio da empresa, negou qualquer ligação com o ex-candidato e afirmou que seu nome foi utilizado sem consentimento.

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) determinou a remoção do conteúdo falso das redes sociais e a suspensão temporária dos perfis de Marçal no Instagram. O ministro Alexandre de Moraes também tentou que Marçal prestasse depoimento para ter continuado a postar no X (antigo Twitter) durante o período de suspensão.

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