Richarlison obtém vitória na Justiça em disputa envolvendo ilha em Angra dos Reis
Juiz rejeitou pedido de advogado e empresa para obrigar o atacante a apagar publicações e impedi-lo de comentar o caso nas redes sociais
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O jogador Richarlison obteve uma vitória na Justiça em mais um capítulo da disputa envolvendo uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro. A Justiça do Distrito Federal negou um pedido apresentado pelo advogado Willer Tomaz e pela empresa WT Administração de Imóveis e Bens S/A para obrigar o atacante a apagar publicações sobre o caso e impedir novas manifestações nas redes sociais.
A decisão foi assinada pelo juiz Giordano Resende Costa, da 4ª Vara Cível de Brasília. Entre os argumentos apresentados pelo magistrado está o entendimento de que uma proibição antecipada de novas declarações do jogador poderia configurar censura prévia, em violação à liberdade de expressão garantida pela Constituição Federal.
A ação foi motivada por manifestações de Richarlison nas redes sociais, nas quais afirmou que havia investido cerca de R$ 10 milhões no imóvel e que teria sido privado da propriedade sem receber o dinheiro de volta. Os autores queriam que o atleta removesse os conteúdos e se abstivesse de fazer novas declarações de teor semelhante, sob pena de multa.
Um dos pontos considerados pelo juiz foi a ausência de publicações ativas que justificassem uma ordem de remoção. Segundo informações apresentadas pelos próprios autores, os conteúdos publicados nos stories já haviam desaparecido após 24 horas. Um comentário feito pelo jogador em uma publicação de terceiro também havia sido apagado pela responsável pelo perfil.
O magistrado ressaltou que eventuais excessos nas manifestações do atacante poderão ser analisados posteriormente pela Justiça. Nesse caso, se houver comprovação de conteúdo ilícito, poderão ser determinadas a retirada das publicações e as responsabilizações cabíveis.
Ação pede R$ 200 mil de indenização
Apesar da decisão favorável a Richarlison nesse pedido, o processo ainda não foi encerrado. A empresa e o advogado também cobram R$ 200 mil por danos morais e exigem que o jogador publique esclarecimentos em suas redes sociais.
Willer Tomaz apresentou ainda novas solicitações relacionadas a outras manifestações do atacante, acompanhadas de capturas de tela e pedidos de remoção de conteúdo e responsabilização. Até a publicação da decisão, esses novos requerimentos ainda não haviam sido analisados.
O processo também aguarda a citação formal de Richarlison, por meio de uma carta precatória encaminhada à Justiça do Rio de Janeiro, para que o jogador possa apresentar sua defesa.
Entenda a disputa pela ilha em Angra dos Reis
A disputa pela Ilha Comprida envolve a posse de uma mansão na região de Angra dos Reis e começou em 2022. Richarlison afirma ter investido aproximadamente R$ 10 milhões no imóvel e questiona a transferência dos direitos de ocupação para a empresa WT Administração de Imóveis e Bens, ligada a Willer Tomaz.
O advogado sustenta que a aquisição foi regular e que a empresa possui os direitos sobre a propriedade. O caso também envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL), amigo de Willer, citado pelo jogador nas acusações sobre a negociação. Flávio nega ter participado da compra ou da transferência do imóvel.
A disputa pela posse já teve decisões favoráveis à empresa de Willer Tomaz, mantidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2025. Posteriormente, empresas ligadas ao jogador desistiram de prosseguir com a contestação judicial.
A decisão mais recente, portanto, não devolve a mansão ao atacante nem altera o desfecho da disputa pela posse. Ela representa uma vitória de Richarlison na ação que tentava restringir suas manifestações públicas sobre o caso.