Quadrilha falsificava suplementos em Goiás: saiba como identificar whey e creatina falsos antes de comprar
Mercado de suplementos movimentou R$ 7,6 bilhões no Brasil em 2025; Anvisa tem determinado apreensão e recolhimento de produtos falsificados ou irregulares
Ir direto pra matéria
O mercado de suplementos alimentares cresce em ritmo acelerado no Brasil. Em 2025, o setor movimentou aproximadamente R$ 7,6 bilhões, alta de 15% em relação ao ano anterior. A projeção é que o faturamento alcance R$ 13,8 bilhões até 2030, segundo dados da Associação Brasileira de Suplementos Alimentares (Brasnutri), baseados em levantamento da Euromonitor International.
Uma pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (Abiad) aponta que os suplementos alimentares já estão presentes em 59% dos lares brasileiros.
O crescimento do consumo, porém, também ocorre em meio a sucessivas ações de fiscalização contra produtos falsificados, clandestinos ou em desacordo com as normas sanitárias.
- Anvisa proíbe venda de suplementos de quatro empresas; saiba quais são
- Anvisa manda recolher suplementos e proíbe venda de produtos; veja marcas
Nos últimos meses, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão, proibição ou recolhimento de diferentes suplementos por problemas que incluem falsificação, origem desconhecida, fabricação clandestina, adulteração de informações e irregularidades na composição.
Entre os produtos encontrados em situação irregular estão justamente alguns dos mais consumidos por frequentadores de academias, como whey protein e creatina.
Em Goiás, uma operação realizada nesta semana colocou o problema novamente em evidência. Uma quadrilha é suspeita de falsificar suplementos alimentares e comercializar os produtos.
Tudo isso sem falar dos perigos. “O risco é muito maior do que as pessoas imaginam. Quando você compra um suplemento falsificado, você não sabe o que realmente está consumindo. Em alguns casos, o produto tem muito menos do que promete. Em outros, pode conter substâncias que nem aparecem no rótulo, contaminantes ou até medicamentos adicionados de forma ilegal”, explica o nutrólogo e fundador da Supreme Clínica, Arthur Rocha.

E ainda tem as consequências para o organismo. “Variam desde ausência de resultado, náuseas e diarreia até reações alérgicas, lesão hepática ou renal, alterações de pressão e frequência cardíaca e interação com medicamentos”, adverte o também nutrólogo Guilherme Borges.

Falsificação chega ao comércio online
O problema não está restrito às lojas físicas. A própria Anvisa já identificou suplementos irregulares vendidos pela internet.
Em um caso divulgado pela agência, um whey protein comercializado em plataformas de comércio eletrônico não possuía regularização sanitária nem identificação adequada do fabricante ou importador nacional. Em outra ocorrência, a agência identificou um suplemento que utilizava indevidamente a marca de uma empresa conhecida.
Em fevereiro deste ano, por exemplo, a Anvisa proibiu um suplemento que utilizava falsamente a marca Equaliv. Segundo a agência, o produto era fabricado por uma empresa desconhecida e foi alvo de denúncia de falsificação.
- Anvisa determina recolhimento de produtos alimentícios por irregularidades; saiba quais
- Cúrcuma, chá verde e mais: Anvisa suspende suplementos alimentares irregulares; veja quais
Em outro caso, a agência determinou a apreensão de produtos da WTZ Nutrition depois de constatar, entre outras irregularidades, adulteração de informações de lote e validade nos rótulos.
Os casos mostram que o consumidor não deve se limitar a comparar preços ou observar apenas a aparência da embalagem antes de comprar.
“A aparência, sozinha, não garante autenticidade. O consumidor deve fazer uma checagem em etapas, especialmente comprar de loja, farmácia, distribuidor ou site confiável, com nota fiscal. É importante lembrar que QR code, selo holográfico e até número de registro podem ser copiados”, explica o nutrólogo Guilherme Borges.
O nutrólogo Arthur Rocha dá outra dica valiosa: “Um sinal de alerta é quando o suplemento é vendido apenas por perfis de redes sociais ou sites sem qualquer identificação da empresa. Produtos sérios têm origem conhecida e seguem regras claras de fabricação e rotulagem.”

DICAS PARA EVITAR A COMPRA DE SUPLEMENTO FALSO
1. Escolha bem onde comprar
Prefira o site oficial do fabricante, lojas especializadas, farmácias e estabelecimentos conhecidos. Em marketplaces, confira quem é o vendedor responsável pela oferta.
2. Desconfie de preços muito baixos
Ofertas muito abaixo do preço normalmente praticado podem ser um sinal de alerta. Compare os valores antes de comprar.
3. Examine a embalagem
Erros de grafia, impressão de baixa qualidade, cores ou fontes diferentes do padrão da marca, rótulos mal aplicados e lacres rompidos ou fora do padrão merecem atenção.
4. Confira lote e validade
Veja se as informações estão presentes, legíveis e sem rasuras. Alterações ou inconsistências são motivos para não consumir o produto.
5. Consulte a situação na Anvisa
Verifique as informações oficiais sobre a regularização do produto e acompanhe os alertas e determinações publicados pela agência. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/alimentos/suplementos-alimentares/consulte-produtos-irregulares?
6. Na dúvida, fale com o fabricante
Procure o SAC pelos canais oficiais da marca e informe dados como lote, validade e fotos da embalagem. A empresa pode ajudar a confirmar a procedência.
Comprou e suspeitou que o produto é falso? Não use. Guarde a embalagem e a nota fiscal e procure o fabricante ou os órgãos de vigilância sanitária para orientação.