Acordo com a Europa pode ampliar exportações de Goiás em US$ 208 milhões por ano, estima Fieg
Projeção considera o efeito das reduções tarifárias até cerca de 2036; estudo também estima alta de US$ 190 milhões anuais nas importações goianas vindas da Europa
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Goiás poderá exportar cerca de US$ 208 milhões a mais por ano para a União Europeia quando forem concluídas as reduções de barreiras comerciais previstas no acordo entre o Mercosul e o bloco europeu. A estimativa é da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) e considera o potencial adicional em relação ao nível atual de vendas. Segundo Saulo Nogueira, analista de Desenvolvimento da entidade, o resultado é projetado para daqui a aproximadamente dez anos, por volta de 2036. O acordo já entrou em vigor no dia 1º de maio deste ano.
“Quando todas as barreiras forem removidas, daqui a dez anos, Goiás vai estar exportando anualmente 208 milhões de dólares a mais todos os anos”, afirma Nogueira. O cálculo leva em conta as reduções tarifárias previstas e a expectativa de que preços menores favoreçam a demanda por produtos goianos. A projeção não representa um aumento já alcançado: as reduções ocorrem por etapas, e o crescimento dependerá também das tendências de consumo e da capacidade das empresas de ampliar as vendas.
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“O mais interessante para Goiás, é que a Europa vai reduzir as suas barreiras antes da gente. Então, nós vamos ter, vamos dizer, um acesso melhor para o mercado deles. O produto vai chegar lá e vai ser taxado com uma tarifa menor eh já a partir desse ano”, explica Nogueira.

Em 2025, Goiás exportou aproximadamente US$ 1,68 bilhão em mercadorias para a União Europeia, destino de 12,5% das exportações estaduais. Com tarifas menores, produtos goianos podem chegar ao mercado europeu em condições mais competitivas. “O produto vai chegar lá e vai ser taxado com uma tarifa menor”, diz o analista, que destaca que a redução das barreiras europeias começou antes da redução de tarifas brasileiras para produtos do bloco.
A maior parte das oportunidades identificadas está na agroindústria. Carnes bovina e de frango, açúcar e etanol estão entre os produtos com potencial de crescimento. A lista também inclui couro, alimentos processados — como biscoitos e ingredientes —, produtos químicos, gelatinas, algumas máquinas, plásticos, vestuário e calçados.
“Estes produtos que Goiás já exporta, antes de maio, para a Europa, vão ter um aumento em valores e volumes de exportação, porque as tarifas de importação já foram reduzidas parcialmente em maio e vão continuar sendo reduzidas em etapas nos próximos anos”, pondera Saulo Nogueira.

O estudo detalha 40 produtos industriais e agroindustriais, para os quais estima US$ 87 milhões em exportações adicionais. Outros produtos industriais, não incluídos na análise detalhada, poderiam acrescentar US$ 43 milhões; commodities agrícolas e minerais, US$ 78 milhões. Juntos, os três grupos compõem a projeção de US$ 208 milhões anuais.
A Fieg também estimou o efeito sobre as importações goianas: elas poderiam crescer US$ 190 milhões por ano à medida que o Brasil reduza suas próprias barreiras às mercadorias europeias. Entre os itens que Goiás já compra do bloco estão insumos farmacêuticos, que abastecem empresas do polo de Anápolis, além de máquinas e equipamentos de transporte. O analista cita ainda a possibilidade de aumento das compras de alimentos, vinhos e queijos.
“Do lado inverso, as importações, a gente deve esperar um aumento nos produtos que Goiás já importa da Europa, que é, principalmente, do setor farmacêutico, que são insumos para o setor farmacêutico, principalmente o polo de Anápolis. Assim, como também certas máquinas e equipamentos de transporte”, ressalta o analista da Fieg.
Nogueira ressalta que a estimativa depende de premissas sobre demanda e preços. “É difícil prever o futuro”, diz. Mudanças nas tendências de consumo podem alterar os resultados; e a queda de tarifas pode abrir espaço para novos produtos, caso eles se tornem competitivos e encontrem compradores.
