Garçom que foi gerente do Bola 7 e Simprão morre aos 47 anos em Aparecida: ‘pessoa muito honesta’
Ademir Ribeiro dos Santos trabalhou por anos em bares e casas noturnas de Goiânia
Ir direto pra matéria
O garçom e entregador de peças automotivas Ademir Ribeiro dos Santos morreu no domingo (1º), aos 47 anos, vítima de tromboembolismo pulmonar, complicação decorrente de um acidente de moto sofrido em outubro. Natural de Edéia, no interior de Goiás, ele morava em Aparecida de Goiânia com a esposa. A morte foi lamentada por familiares, amigos e colegas de trabalho, que destacaram a alegria, a honestidade e a disposição de Ademir para ajudar as pessoas.
Ademir começou a trabalhar como garçom aos 13 anos e construiu uma trajetória em bares e casas noturnas de Goiânia, como o Bola 7 e o Simprão, onde chegou a ocupar cargos de gerência. Após o fechamento do Bola 7, passou pela rede de panificadoras Della e, posteriormente, assumiu a gerência do Simprão. Mais recentemente, trabalhava como entregador em lojas de peças automotivas e, aos finais de semana, atuava como garçom em eventos.
Segundo a companheira, Flavya de Sousa Guarda, com quem estava havia quase seis anos, ele gostava da profissão e era dedicado ao trabalho.
“Começou cedo a se virar sozinho. Era uma pessoa muito justa com suas coisas. O nível de honestidade que ele tinha e a dedicação com o serviço eram impressionantes. Seu amor ficará para sempre em nossos corações”, disse ao Mais Goiás.

Acidente de moto em outubro e complicações
Ademir sofreu um acidente de moto em outubro, em Goiânia. Segundo Flavya, a motocicleta derrapou na parte traseira, e ele tentou apoiar o pé no chão para evitar a queda. O joelho ficou muito inchado, e ele pediu que a companheira fosse buscá-lo.
Após o acidente, o casal passou dias tentando conseguir uma cirurgia. Ademir precisou passar por procedimentos para estabilizar as fraturas, com a colocação de estruturas metálicas nas coxas e na canela. Depois, recebeu orientações para permanecer em repouso em casa por 15 dias.
De acordo com Flavya, ele recebeu medicamentos para um período de dez dias e deveria retornar ao hospital no dia 22, quando seria reavaliado para a cirurgia. No entanto, durante a avaliação, a equipe médica identificou que a glicemia de Ademir estava elevada. Ele tinha diabetes tipo 2 e, segundo a companheira, a cirurgia não foi realizada em razão da alteração.
Flavya relata que Ademir permaneceu sem os medicamentos após ser liberado. Ela também afirma que, quando foram realizados os procedimentos nas coxas, a glicemia já estava alta.
O casal estava em casa no domingo (1º) quando Ademir começou a passar mal. Com a ajuda dos vizinhos, Flavya levou o companheiro até a UPA Buriti Sereno, em Aparecida de Goiânia. Ao Mais Goiás, a esposa contou que os médicos explicaram que o garçom, que chegou desacordado, havia falecido no trajeto até a unidade de saúde e que, apesar dos esforços, não foi possível reanimá-lo.
A causa da morte foi tromboembolismo pulmonar, que ocorre quando um coágulo obstrui uma artéria pulmonar, comprometendo a circulação sanguínea.
Líder rigoroso e amigo leal
O garçom Rafael Castro conheceu Ademir quando começou a trabalhar no Bola 7, em Goiânia. Maranhense, Rafael havia chegado à capital em 2009 e procurava emprego quando soube que o bar precisava de garçons. Ele passou pela entrevista com Ademir, então gerente-geral do estabelecimento, e permaneceu na equipe por cerca de sete a oito anos, até o fechamento da casa.
Durante esse período, os dois trabalharam juntos seis dias por semana. Rafael conta que Ademir era um líder rigoroso, que cobrava resultados e não tolerava desonestidade, mas também se preocupava com a vida dos funcionários. Segundo ele, o gerente ensinava a equipe a oferecer um atendimento de excelência e tinha facilidade para resolver conflitos com clientes e colaboradores. Fora do expediente, porém, a postura séria dava lugar a um homem alegre, que gostava de contar piadas e rir com os amigos.
“Era um cara muito inteligente, nada passava despercebido. Tinha uma voz calma, porém firme. Era muito honesto e exigia isso de todos. Mas, quando acabava o expediente, o semblante sério e imponente do líder dava lugar a um cara alegre, com um sorriso inocente e verdadeiro”, relembra Rafael.
O amigo também destaca a preocupação de Ademir com funcionários que enfrentavam problemas pessoais. Durante os anos em que trabalharam juntos, Rafael conta que o gerente aconselhava colegas que enfrentavam dificuldades com o uso de drogas e chegou a se oferecer para conseguir tratamento de reabilitação sem custo para aqueles que precisavam.
Quando a empresa não podia adiantar o salário de algum funcionário, Ademir, segundo Rafael, tirava do próprio bolso para ajudar quem precisava, sem expor ou constranger ninguém. “Ele gostava de gente, acreditava no ser humano. No fim, tinha um coração mole. Ajudou centenas de pessoas nesse período todo”, afirma.
Após o fechamento do Bola 7, Ademir passou pela rede de panificadoras Della e, posteriormente, assumiu a gerência do Simprão. Rafael também integrou a equipe do bar e conviveu com o amigo por mais dois anos e oito meses.

Mesmo depois de deixar o estabelecimento, em 2019, os dois mantiveram contato. Em 2025, Ademir procurou Rafael após sair do Simprão e contou que precisava voltar a trabalhar enquanto seus projetos pessoais não davam retorno financeiro.
Na época, Rafael trabalhava como garçom na boate Azzure Club e precisava de um cumim, função de auxiliar de garçom. Apesar da experiência em cargos de liderança, Ademir aceitou a oportunidade. “Ele não tinha ego inflado. Tinha quase 20 anos de experiência como gerente, salários bons, mas não se importava com a função. Só queria trabalhar”, conta Rafael.
Segundo o amigo, Ademir desempenhou o trabalho com excelência e ajudou a aumentar as comissões da equipe. “Vendedor nato”, define Rafael. Em maio de 2025, Rafael conseguiu incluir Ademir na equipe de eventos de Viana e Fabinho. Ele passou a trabalhar em festas em Goiás e em outros estados.
Até a morte do amigo, os dois conversavam sobre os eventos, os ganhos financeiros e as histórias vividas durante o trabalho.
“Até o falecimento desse grande homem, pai, amigo, irmão, marido e filho, foi assim nossa convivência e amizade”, resume Rafael.
- Ex-chef vende jantinha exótica com carne de rã, jacaré e caranguejo em Goiânia
- Comerciante cria pamonha de 1kg em Goiânia: veja de quanto milho precisa e o preço
- Empresário de Goiânia transforma hortifruti em arte e ganha destaque até na Suécia

Amigos e colegas lamentam morte
Um dos amigos de Ademir, Max Siqueira, contou que o conheceu durante o trabalho em uma boate. Ele também relembrou viagens que fez ao lado do amigo e da companheira dele. Max definiu Ademir como “um cara excepcional”.
Em uma homenagem publicada nas redes sociais, colegas do Viana Eventos destacaram a importância de Ademir para a equipe e a presença marcante dele nas festas.
“Ele não era só o nosso garçom preferido ou um dos maiores vendedores do Viana Eventos, mas também a alma de cada festa, o sorriso que a gente sempre procurava no meio da correria. A falta que ele vai fazer é imensa e a dor é profunda. Descanse em paz, meu amigo”, diz o texto.
O velório e o sepultamento foram realizados em Aragoiânia. Ademir deixa três filhos.
Leia também: