GO: Entregadora por app perde bolsa com R$ 3,2 mil em roupas, faz campanha e encontra itens
Trabalhadora, que tem emprego CLT e faz entregas por aplicativo para complementar a renda, ficou tão abalada que não conseguiu continuar trabalhando; sacola foi devolvida após mobilização nas redes sociais
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A terceira entrega do dia parecia ser apenas mais uma corrida para uma trabalhadora que divide a rotina entre o emprego com carteira assinada e as entregas por aplicativo depois do horário comercial. Era uma forma de complementar a renda e seguir em frente. Mas, naquela quarta-feira (9), um solavanco na motocicleta transformou uma entrega comum em um momento de desespero.
A bolsa estava amarrada na moto. Dentro dela, roupas de grife que pertenciam à cliente influencer Angie Pinheiro, que somavam R$ 3,2 mil. A entregadora não sabia o valor da mercadoria quando percebeu que a bolsa havia desaparecido. Sabia apenas que não era dela — e que alguém poderia acabar no prejuízo.
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“Fiquei incomodada em perder porque não era algo meu e jamais queria deixar ninguém no prejuízo. Acabou que eu passei por um estresse, fiquei no ‘prejuízo’ financeiro do valor da corrida, que era de R$11,00, mais ou menos, pois encerrei a corrida sem concluir a entrega”, contou a entregadora, que preferiu não se identificar.
A frase, simples, ajuda a entender por que o episódio mexeu tanto com ela. Para quem trabalha depois do expediente para reforçar o orçamento, perder uma encomenda de terceiros não é apenas um contratempo. É o medo de não conseguir reparar o dano, de decepcionar alguém e de ter de arcar com uma responsabilidade que não estava prevista no dia.
Queda da bolsa
A entregadora saiu do Setor Mansões Paraíso, em Aparecida de Goiânia, com destino a uma loja no Jardim América, em Goiânia. A bolsa havia sido colocada na motocicleta e presa para o transporte.
Nas proximidades do Parque Amazônia, ela passou por uma lombada. Foi quando percebeu que a moto estava mais leve. Instintivamente, levou a mão para trás para verificar a entrega. A bolsa não estava mais ali.
O desespero veio antes mesmo de saber o que havia dentro da sacola. Ela retornou pelo caminho, procurando a encomenda pelas ruas. Também tentou avisar a cliente pelo chat do aplicativo, mas depois descobriu que a mensagem não havia sido entregue.
No trajeto de volta, encontrou Angie, que estava em um carro com uma amiga. Parou, chorou e explicou o que tinha acontecido e passou o próprio número de telefone.
A bolsa, porém, não apareceu naquele momento. Ela voltou a procurar, mas precisou encerrar a corrida sem concluir a entrega. O valor era de aproximadamente R$ 11.
“Após o ocorrido não tive nem cabeça para continuar trabalhando”, relatou.
O peso de uma mercadoria
A entregadora voltou para casa sem a bolsa e sem conseguir continuar a jornada. No dia seguinte, entrou em contato com Angie para dizer que ainda não havia encontrado a encomenda, mas que continuaria procurando.
A cliente também estava preocupada. As roupas eram de uma loja multimarcas que ela costuma comprar e seriam devolvidas. O que poderia ter se transformado em uma cobrança ou em uma discussão acabou tomando outro rumo.
Angie percebeu o desespero da entregadora e se colocou à disposição para resolver a situação. A trabalhadora, por sua vez, se dispôs a procurar imagens de câmeras nas casas e estabelecimentos do trajeto.
A preocupação não era somente com o dinheiro. Era com a possibilidade de deixar a cliente na mão. “Jamais queria deixar ninguém no prejuízo”, afirmou.
Corrente de buscas nas redes sociais
Diante da dificuldade de encontrar a bolsa, Angie decidiu publicar um vídeo nas redes sociais pedindo ajuda. A ideia era simples: alguém poderia ter visto a sacola, encontrado a encomenda ou saber de quem a havia recolhido.
Uma amiga repostou a publicação. Depois, uma seguidora reconheceu a descrição e contou que o namorado de uma amiga havia encontrado uma bolsa parecida. A informação abriu uma nova possibilidade.
Pouco depois, a mulher que estava com a bolsa entrou em contato com a Angie pela rede social e informou que faria a devolução. A sacola, enfim, voltou para a dona.
A entregadora também havia feito sua própria mobilização. Publicou o caso, pediu que amigos e familiares compartilhassem e contou que iniciou uma corrente de oração para que a pessoa que havia encontrado a bolsa se sentisse motivada a devolvê-la.
“E, para honra e glória do Senhor, alguém viu as publicações e devolveu a bolsa para a Angie”, relatou.
Alívio
O episódio terminou bem, mas não sem deixar marcas na trabalhadora. Ela perdeu o valor de uma corrida, ficou sem conseguir trabalhar depois do ocorrido e passou horas tentando resolver uma situação que poderia ter resultado em uma dívida muito maior.
O relato revela uma parte pouco visível da vida de quem trabalha por aplicativo: a pressão de transformar cada dia em renda, mesmo quando o corpo e a cabeça já estão cansados do emprego principal.
A devolução trouxe alívio. Mas também reforçou uma convicção que ela fez questão de compartilhar: a de que sua intenção de não deixar ninguém no prejuízo foi reconhecida. “Deus conhecendo minha intenção abençoou que a bolsa foi entregue e vivi mais um milagre na minha vida”, afirmou.
E terminou lembrando que, apesar do susto, ainda tem saúde e coragem para trabalhar. “Dos males o menor”, resumiu.