‘As meninas tinham o pai como herói’, diz viúva de agricultor morto a mando do próprio pai
Esposa de Thaliton durante 13 anos, Kezia Ramalho afirma que ainda tenta compreender como o marido teve um fim tão violento
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Treze anos de casamento, três filhas e uma rotina construída em torno da família. É assim que a viúva de Thaliton Machado prefere lembrar do marido, morto, segundo a Polícia Civil, por um crime encomendado pelo próprio pai. Para ela, a maior herança deixada por Thaliton não foi material, mas a lembrança de um homem que vivia para a esposa, para as filhas e para ajudar quem estivesse ao seu redor.
O agricultor de 29 anos foi morto a tiros em 23 de janeiro deste ano, na chácara em que morava com a esposa e as três filhas. A Polícia Civil investigou o crime por seis meses e descobriu que o próprio pai, Ozanan Ricardo Machado, contratou o cunhado, por R$ 15 mil, para invadir a propriedade do filho durante a noite noite e o assassinar na horta.
Ozanan, a esposa Simone Silva Viana e o irmão dela, Wanderson da Silva Sousa, estão presos. A motivação, segundo a polícia: Ozanan não pagou uma dívida de R$ 50 mil com o filho e não queria ser denunciado por Thaliton pela morte da companheira há 20 anos, em Pires do Rio.
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Esposa de Thaliton durante 13 anos, a viúva Kezia Ramalho dos Santos afirma que ainda tenta compreender como um homem que considerava incapaz de fazer mal a alguém teve um fim tão violento. “Ele era incrível, tinha um coração enorme. Gostava muito de ajudar as pessoas sem precisar de nada em troca”, contou.

Segundo ela, a alegria era uma das características mais marcantes do marido. Reuniões com familiares e amigos faziam parte da rotina, quase sempre em volta de um churrasco, ambiente em que, segundo ela, Thaliton fazia questão de reunir as pessoas de quem gostava.
“Ele era sempre alegre, divertido e gostava de reunir amigos e família para fazer churrasco.”
Mas era dentro de casa que ela diz enxergar a maior dimensão da perda. O casal criou três filhas, que hoje convivem com a ausência do pai. “Ele era muito família, muito grudado a mim e às meninas.”

Para a esposa, a relação de Thaliton com as filhas ia além do carinho. Ela afirma que ele fazia questão de participar da rotina das crianças e demonstrava esse afeto em gestos cotidianos.
“Era um super pai, apaixonado pelas filhas. Dava tudo por elas, fazia todas as vontades e mimava muito. As meninas tinham o pai como um herói”.
A viúva também lembra que o marido conquistava facilmente a confiança das pessoas. Segundo ela, sua forma de tratar os outros fazia com que fosse bem recebido em qualquer lugar.

“Onde ele chegava, contagiava as pessoas. Elas sentiam uma energia dele surreal. Ele sabia chegar e sair sem criar conflitos com ninguém.”
Ao recordar o casamento, ela resume a convivência como uma história construída com cumplicidade e respeito. “Ele foi um marido muito bom para mim. A gente estava junto havia 13 anos. Foi uma história muito linda que construímos.”
Ao fim da entrevista, a viúva resume em poucas palavras o sentimento que ainda carrega desde o crime. “Ele era humilde e não merecia ter esse fim trágico, como teve, infelizmente.”