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De qual cidade era o único goiano morto na Segunda Guerra Mundial? Conheça a história

Aldemar Ferrugem morreu aos 24 anos nas trincheiras geladas da Itália

Por - Goiânia, GO
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Aldemar Ferrugem morreu aos 24 anos De qual cidade era o único goiano morto na 2ª Guerra? Conheça história segunda guerra mundial

Muita gente não sabe, mas durante a Guerra Mundial (1939-1945), apenas um soldado de Goiás morreu em combate. Jovem, trabalhador e integrante da Força Expedicionária Brasileira (FEB), Aldemar Fernandes Ferrugem perdeu a vida no norte da Itália, em 12 de dezembro de 1944, ao defender o Brasil nas trincheiras geladas da Itália. Mas afinal, de qual cidade era o único goiano morto na Segunda Guerra?

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Integrante do 6º Regimento de Infantaria (6º RI), no registro 1G-109.332 (posteriormente 2G-109332), Aldemar Ferrugem foi condecorado com as medalhas Sangue do Brasil e Campanha, reconhecimento concedido pelo Exército Brasileiro àqueles que honraram o país com a própria vida.

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Quem foi Aldemar Fernandes Ferrugem

Nascido em Catalão, na Rua da Grota, Aldemar era filho do pedreiro Teodoro Ferrugem e da dona de casa Nicolina Honório Borges. Em seus documentos consta o nome “Aldemar”, embora tenha ficado conhecido como “Ademar”.

De família simples e numerosa — oito irmãos, cinco homens e três mulheres — mudou-se com os pais para Goiânia na década de 1940 em busca de melhores condições de vida. Antes de seguir para a guerra, trabalhava como pedreiro ao lado do pai.

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Museu Histórico Municipal Cornélio Ramos de Catalão — Foto: Arquivo pessoal/Maria da Glória Ferrugem

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Ele serviu no Tiro de Guerra de Catalão no início da década de 1940 e foi um dos reservistas convocados para integrar as forças expedicionárias brasileiras enviadas à Europa. Em São Paulo, embarcou de navio rumo à Itália.

Segundo a irmã, Maria da Glória Ferrugem Bonfim, ele tinha cerca de 24 anos quando decidiu partir. “Ele era muito ativo, trabalhador e disse para minha mãe que queria defender o Brasil. Disse para ela não chorar, que cuidaria dela para sempre, independente da distância”, relembrou ao G1.

Maria contou que o irmão permaneceu cerca de dois anos na guerra e deixou pensão em seu nome, já que os demais irmãos estavam casados. A família só recebeu a notícia da morte por meio de um comunicado oficial, no fim de 1944.

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O contexto da guerra em Catalão

Embora o conflito acontecesse no território europeu, a Segunda Guerra Mundial impactou diretamente o cotidiano em Catalão. A aliança da Itália com Hitler colocou imigrantes italianos e alemães sob suspeita no Brasil.

Na cidade, estrangeiros eram obrigados a se apresentar regularmente à delegacia. Fichas de frequência foram criadas para monitorar italianos, alemães e japoneses. O medo da deportação era constante, e todos acompanhavam o desenrolar da guerra com apreensão.

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Em setembro de 1942, ocorreu a cerimônia de recrutamento dos reservistas do Tiro de Guerra. Foram convocados, entre outros, Aldemar Fernandes Ferrugem, Geraldo Martins Teixeira, Manoel Camilo Neto, João Kotnik, João Pinto de Melo Filho, Virgílio Caixeta e José Ângelo.

Obelisco em homenagem aos expedicionários erguido na Praça Getúlio Vargas pelo Rotary Clube de Catalão (1946)

Posteriormente, outros jovens catalanos também foram chamados e aguardaram embarque no Porto de Santos: Dolores Ayres Júnior, Expedito Dias, Sabino Gomides, Briand de Deus Passos, Antonio Mariano da Silva, Lauriston Carneiro de Castro, Geraldinho da Costa Canedo, Jofre Rodrigues de Oliveira, José da Costa Canedo e Marcílio Pereira de Amorim.

Ao todo, Catalão enviou 17 soldados para a guerra. Todos retornaram vivos, menos Aldemar Ferrugem, o único goiano morto no conflito.

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A morte de Aldemar Ferrugem

Nas últimas semanas de vida, o soldado lutava na defesa da Torre di Nerone, na região de Marano, no norte da Itália. Enfrentava o rigoroso inverno europeu, com temperaturas que chegavam a 18 graus negativos.

Ele dividia a trincheira com o soldado paulista Jair Dias Ferreira, de Mogi das Cruzes, que sobreviveu e relatou o episódio. Conforme registrado por Iuri Rincón Godinho no livro “Goiânia em Guerra: sangue, sede e escuridão nos anos 40”, o local estava cercado por franco-atiradores alemães.

No dia 12 de dezembro de 1944, por volta das 18h30, já no escuro, Jair perguntou as horas. Ao se mover para olhar o relógio, Aldemar Ferrugem foi visto por um atirador alemão. O disparo foi certeiro.

Ele morreu em combate na região de Torre de Nerone, tornando-se o único soldado goiano morto na Segunda Guerra Mundial.

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Homenagens

Em maio de 1946, o Rotary Clube de Catalão ergueu um obelisco na Praça Getúlio Vargas em homenagem aos pracinhas da cidade, com referência a Ferrugem. Ele também dá nome a ruas em Catalão e Goiânia, conforme relembra a Academia Catalana de Letras.

Somente em janeiro de 1948, quatro anos após a morte, um decreto estadual concedeu pensão mensal ao pai do soldado, Teodoro Ferrugem.

Aldemar Fernandes Ferrugem, o goiano morto na Segunda Guerra Mundial – Imagem: Reprodução

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