Segunda-feira, 07 de Setembro de 2026
ENTRE O CONSULTÓRIO E A MISSÃO

Entenda o que levou médica goiana a fechar consultório e ir sozinha para Moçambique

Aos 27 anos, Sthéfany Bueno Christovam fechou a agenda em Brasília, abriu mão da renda de um mês e embarcou sozinha para trabalhar na África

Fernanda Cappellesso
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
Médica goiana Sthéfany Bueno Christovam vai passar 30 dias trabalhando voluntariamente em Moçambique | (Foto: Reprodução/Instagram da médica)

Aos 27 anos, a médica goiana Sthéfany Bueno Christovam vai interromper por 30 dias a rotina de atendimentos em Brasília para trabalhar voluntariamente em Moçambique. Generalista e pós-graduanda em psiquiatria infantil e do adolescente, ela atua na Clínica Olimpo e embarca em 15 de setembro para a região de Mafarinha, em Dondo, na província de Sofala. A viagem será feita sem outros integrantes brasileiros da missão.

“A realidade que me espera” é o que Sthéfany aponta como sua maior preocupação antes do embarque. A decisão de trabalhar na África, segundo a médica, não surgiu neste ano. Ela afirma que pensa há vários anos em participar de uma missão no continente e conseguiu organizar o projeto depois da formação em Medicina.

“Desde muitos anos atrás tenho esse chamado para ir à África, mas este ano, com minha formatura, as coisas ficaram mais estruturadas”, declarou. A oportunidade em Dondo surgiu por meio da Igreja Batista, que mantém estrutura na região para receber missionários.

A viagem exige mudanças na rotina profissional e financeira. Sthéfany fecha a agenda de pacientes e fica sem exercer atividade remunerada no Brasil durante o período. Ela e a família bancam os custos da viagem, enquanto a igreja assume despesas locais. Medicamentos, exames e outras necessidades identificadas durante os atendimentos dependem de doações.

Realidade

Em Dondo, a médica espera encontrar uma realidade epidemiológica diferente da observada em sua rotina profissional no Brasil. Entre as principais demandas previstas estão malária, hepatites, infecções respiratórias, doenças gastrointestinais, HIV, desnutrição e parasitoses. A Organização Mundial da Saúde (OMS) mantém Moçambique entre os países com transmissão elevada de malária, enquanto dados do Unicef apontam desafios relacionados à nutrição infantil e ao acesso a serviços básicos em Sofala.

A preparação para a viagem incluiu consulta com infectologista, vacinação, orientações sanitárias e medidas de prevenção contra a malária. Os medicamentos destinados aos pacientes serão comprados em Moçambique, conforme as necessidades identificadas pela equipe local.

Entre os itens previstos estão analgésicos, antitérmicos, anti-hipertensivos, antibióticos, vermífugos e testes para malária e infecções sexualmente transmissíveis. Sthéfany afirma que não existe meta de arrecadação e que a prestação de contas será publicada nas redes sociais.

Equipe

Embora chegue sozinha como integrante brasileira da missão, Sthéfany trabalhará ao lado de médicos e outros profissionais de saúde moçambicanos. Para ela, a diferença de estrutura entre os dois países será também parte do aprendizado profissional. “Quero aprender cada vez mais sobre uma medicina humanizada em que curar não é só através de medicações, e sim pelo cuidado e pelo carinho”, afirma. A médica diz que pretende voltar outras vezes ao país depois dessa primeira experiência.

Ao resumir o que a leva a fechar a agenda, ficar um mês sem remuneração e viajar para uma realidade que ainda não conhece, Sthéfany escolhe uma única palavra: “Propósito.” A resposta sintetiza uma decisão construída antes mesmo do início da carreira médica e que agora ganha forma com a primeira viagem a Moçambique. O período previsto no país é de 30 dias. Para a goiana, porém, a intenção é que a experiência não termine com o retorno ao Brasil.

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