Mulher mantida em cativeiro pelo ex em Águas Lindas: veja o que se sabe e o que falta esclarecer
Emiliane Tamara foi encontrada acorrentada e amordaçada; Ailton Rodrigues de Souza alegou que faz uso de medicamentos
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Em mais um caso de violência contra a mulher, um homem foi preso na última sexta-feira (21) após ser suspeito de sequestrar e manter a ex-companheira em cativeiro por cinco dias, em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal. Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, foi encontrada acorrentada a uma cama dentro de um imóvel no Setor Jardim América III [ASSISTA AO VÍDEO].
- Mulher resgatada após 5 dias em cativeiro escreveu carta para a família: “Estarei em espírito”; veja
A vítima havia desaparecido na segunda-feira (17) e foi localizada por policiais da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) Entorno Oeste na sexta-feira. O ex-companheiro dela, Ailton Rodrigues de Souza, foi preso em flagrante.
O caso é investigado pelas autoridades e envolve denúncias de cárcere privado, agressões e violência sexual. Veja, abaixo, o que já foi descoberto e o que ainda precisa ser esclarecido.
Quem são as pessoas envolvidas
A vítima é Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, ex-companheira de Ailton Rodrigues de Souza. Os dois têm dois filhos.
Emiliane contou que conheceu Ailton há cerca de seis anos, em 2020, e se casou com ele quando tinha 18 anos. “Não sei se era amor, se era dependência, era dependência emocional, porque eu casei com ele com 18 anos. O amor é cego, a gente não vê”, relatou.
Segundo a jovem, o relacionamento terminou em dezembro do ano passado. Ela afirmou ainda que, durante a relação, o ex-companheiro exercia controle sobre suas amizades, horários e até o local onde ela treinava.
O sequestro de Emiliane Tamara
Emiliane foi dada como desaparecida na segunda-feira (17). Uma câmera de segurança de uma clínica no bairro Jardim Barragem I registrou a jovem caminhando em direção ao Setor 10. Essa teria sido uma das últimas imagens dela antes de ser localizada.
Segundo o relato da vítima, ela havia combinado de encontrar o ex-companheiro para conversar sobre uma audiência marcada para o dia seguinte (18). O encontro trataria de questões relacionadas à pensão alimentícia dos filhos do casal.

Ela contou que foi até uma distribuidora administrada por Ailton. No local, segundo Emiliane, o ex teria pedido que os dois reatassem o relacionamento.
A conversa, porém, teria terminado em violência. De acordo com o relato da vítima, Ailton a levou para um quarto nos fundos do estabelecimento e teria tentado se aproximar fisicamente dela. Na sequência, ela afirma que foi dopada.
“Infelizmente era uma armadilha, lá já estava com tudo preparado, eu não tinha percebido”, disse Emiliane. Depois disso, ela teria sido levada para uma residência onde permaneceu em cárcere privado durante cinco dias.
Como Emiliane foi mantida em cativeiro
Segundo o relato da vítima, ela passou os cinco dias acorrentada. As mãos eram liberadas apenas nos momentos em que precisava se alimentar.
A Polícia Militar informou que, quando os agentes chegaram ao imóvel, encontraram Emiliane amordaçada e com braços, pernas e pescoço presos por cordas, algemas e correntes.
A corporação também afirmou que a jovem apresentava dificuldades respiratórias e sinais de falta de oxigenação.
Ainda segundo a PM, Emiliane relatou ter sofrido agressões físicas e violência sexual durante o período em que ficou presa.
No imóvel, os policiais encontraram alimentos e água em quantidade que, segundo a corporação, indicava que o suspeito poderia ter planejado manter a vítima no local por mais tempo.
Uma pistola calibre 9 mm também foi apreendida.
Como foi o resgate em Águas Lindas de Goiás
As buscas começaram depois que familiares comunicaram o desaparecimento de Emiliane às autoridades.
Durante a investigação, os policiais perceberam mudanças na rotina de Ailton. Entre elas, o fato de ele ter deixado de comparecer ao trabalho. Com isso, ele passou a ser considerado um dos principais suspeitos.
Os policiais chegaram a um imóvel alugado pelo homem. Segundo a PM, a residência estava fechada com tapumes e protegida externamente.
Durante a averiguação, os agentes ouviram ruídos vindos do interior da casa e decidiram entrar. Foi então que encontraram Emiliane em um dos quartos, acorrentada e amordaçada. A jovem recebeu atendimento e foi retirada do imóvel. Ailton foi preso em flagrante.
Carta escrita durante o cativeiro
Durante o resgate, os policiais também encontraram uma carta escrita por Emiliane em uma folha de caderno. O documento continha instruções direcionadas à família e trazia um alerta para que a polícia não fosse chamada.
Segundo a polícia, há indícios de que a vítima tenha sido obrigada a assinar o documento.
Um dos trechos dizia: “Mamãe, vai ver um advogado aí para levar os papéis do carro, casinha, todos no meu nome. O Ailton vai deixar um valor de 30-50 mil.”
A carta passou a fazer parte da investigação. As autoridades ainda precisam esclarecer em quais circunstâncias ela foi escrita e qual era a intenção do suspeito ao determinar que a vítima deixasse aquelas instruções.

Prisão de Ailton foi convertida em preventiva
Ailton passou por audiência de custódia no sábado (22), quando a prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva. A defesa chegou a pedir a liberdade provisória do suspeito, mas o pedido foi negado pela Justiça.
O entendimento foi de que as medidas cautelares solicitadas pela defesa seriam insuficientes diante das circunstâncias do caso.
Durante a audiência, em vídeo que circula nas redes sociais, Ailton afirmou ter sofrido pressão psicológica por parte dos policiais e disse fazer uso de medicamentos calmantes. “Tenho tido muitas crises nervosas”, afirmou.
O que Emiliane contou após o resgate
Desde que foi resgatada, Emiliane passou a utilizar as redes sociais para agradecer às pessoas que participaram das buscas e relatar parte do que viveu durante os cinco dias em cativeiro.
Em uma das publicações, ela falou sobre os ferimentos que sofreu e afirmou que teria sido submetida a agressões com produtos químicos.
“Eu ainda não tive tempo de parar e refletir muito. Tudo muito conturbado”. A jovem também relatou as dificuldades para lidar com os filhos após o episódio. Segundo ela, as crianças são pequenas e questionam os machucados que ela apresenta.
Em outro momento, Emiliane pediu que as pessoas evitassem fazer comentários sobre o caso diante dos filhos.
O que ainda falta esclarecer no caso
A polícia ainda investiga as motivações para o crime e as intenções do criminoso, se o resgate não tivesse interrompido os planos. Também ainda não se sabe ao certo o que ele pretendia fazer com a carta.
