Terça-feira, 04 de Agosto de 2026
Boa ação

Ex-aluno comprova vínculo empregatício de professora com tarefas antigas, em São Luís (GO)

Documentos foram guardados pelo ex-estudante durante 25 anos. Professora buscava provar período de trabalho para sua aposentadoria por tempo de contribuição

Por - Goiânia, GO
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Uma audiência de instrução na Vara do Trabalho de São Luís de Montes Belos, cidade da região Central do Estado a 127 km de Goiânia, foi marcada por emoção e nostalgia, na última semana. Isso porque um ex-aluno utilizou tarefas escolares do jardim de infância para comprovar vínculo empregatício de uma professora com uma escola de Firminópolis, 25 anos após ter tido aula com a educadora. Profissional buscava provar período de trabalho para sua aposentadoria por tempo de contribuição.

Conforme os autos, a professora identificada como Maria de Fátima possui Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) anotada como profissional da escola no período de maio de 1996 a dezembro de 1997. No entanto, a mulher alega que o primeiro ano de trabalho, em 1995, não foi registrado. Na contestação, os representantes do colégio negaram que a professora tivesse dado aula nessa época, sob a justificativa de que não existiam provas na CTPS, nem em outros documentos.

Segundo o advogado da educadora, Leni Júnior Assunção, a cliente apresentou uma folha de caderno com assinaturas, que representava o ‘batimento do ponto’ da época. “Ela precisava da contabilização desse ano em que trabalhou na escola sem registro para fins previdenciários. O juiz não estava muito satisfeito com a prova apresentada. Então, nós informamos à professora que ela precisaria de duas testemunhas para comprovar o vínculo”, disse.

A professora escolheu uma colega que também trabalhou na unidade e um ex-aluno do colégio. “A primeira testemunha informou que se lembrava da época em que elas trabalhavam na escola porque iam juntas para a cidade de Firminópolis. Ela alega que a situação ficou marcada principalmente porque estava grávida e precisava se deslocar todos os dias com a Maria de Fátima para darem aula”, afirmou Leni.

Foi a segunda testemunha, no entanto, quem marcou a audiência. O ex-estudante, hoje advogado e professor, Orion Rabelo, relatou que ainda guardava as “tarefinhas” da época. O juiz Lucas Carvalho de Miranda Sá suspendeu a audiência para que o ex-aluno buscasse os documentos. Ao retornar, a emoção foi grande: desenhos, tarefas e provas de português e matemática já amareladas pelo decurso do tempo ainda traziam visível o nome da professora e o ano de 1995.

“O Orion e eu moramos na mesma cidade, então nos vemos algumas vezes. Quando o advogado disse que eu precisava de testemunha, pensei imediatamente nele porque foi um aluno que marcou bastante. Era muito querido e atencioso. Ele se dispôs a me ajudar, mas eu não imaginava que ele ainda guardasse as tarefas. Quando vi o material não me contive e chorei de emoção. Foi muito gratificante”, contou Maria de Fátima.

Para a professora, o sentimento que fica é o de gratidão. “Serei grata eternamente. Fico feliz em ver que ele ficou marcado pelo meu trabalho, aprendeu e pratica o que ensinei. Sempre procurei fazer o melhor e atuar com amor. Acredito muito no trabalho humano. O bem que você faz sempre volta. A recompensa vem um dia”, disse.

Durante a audiência, o ex-aluno afirmou que se sentiu grato por poder ajudar a professora de infância e comentou que busca repassar aos seus alunos todo o carinho, respeito e aprendizado recebido durante sua vida escolar. Para ele, profissionais humanistas hoje estão em falta. “Essa demanda demonstrou como uma audiência deve ser realizada na busca da verdade real”.

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