Acusada de duplo homicídio, Amanda Partata é condenada por perseguir e extorquir ex em Goiânia
Amanda foi condenada a 5 anos e 10 meses de prisão por perseguição, extorsão e falsidade ideológica contra o ex-namorado; defesa irá recorrer
A advogada Amanda Partata Mortoza foi condenada pela Justiça de Goiás a 5 anos e 10 meses de prisão pelos crimes de perseguição, extorsão e falsidade ideológica praticados contra o ex-namorado em Goiânia. Além da pena, ela deverá pagar R$ 25 mil de indenização por danos morais à vítima. Em entrevista exclusiva ao Mais Goiás, o advogado dela, Rodrigo Faucz, afirmou que recorrerá da sentença por entender que a decisão não reflete as provas produzidas no processo. Presa preventivamente desde dezembro de 2023, Amanda ainda aguarda julgamento em outro processo, no qual é acusada de matar o sogro e a mãe dele por envenenamento, caso que tramita separadamente.
Segundo a sentença, ao fixar a pena, o juiz Luciano Borges da Silva considerou que o crime de perseguição foi praticado por motivação torpe, apontando que a acusada não teria aceitado o término do relacionamento. Faucz afirmou que discorda da decisão e buscará a reforma da sentença no Tribunal de Justiça de Goiás.
“A sentença não reflete o conjunto probatório, especialmente o que ocorreu na audiência. As provas válidas do processo apontam para a inexistência dos crimes imputados à Amanda e, portanto, a defesa buscará a reforma da sentença perante o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, requerendo a absolvição. Continuamos confiando no Poder Judiciário para que o processo da Amanda seja julgado de forma justa e imparcial”, declarou.
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Perseguição contra ex
O magistrado também fixou indenização de R$ 25 mil por danos morais ao ex-namorado, ao entender que os fatos provocaram prejuízos emocionais e impactos na rotina pessoal, profissional e social da vítima.
De acordo com o processo, o ex-namorado relatou à Justiça que passou a receber mensagens e ligações anônimas com ameaças dirigidas a ele, à família e até mesmo à própria Amanda. As investigações concluíram que as comunicações eram atribuídas à advogada.
Em relação à extorsão, a vítima afirmou que recebeu pedidos de dinheiro para evitar a divulgação de uma falsa acusação de assédio. A primeira exigência teria sido de R$ 5 mil, além de outra tentativa cujo valor não foi lembrado pelo ex-companheiro. Ele afirmou que não efetuou qualquer pagamento por considerar falsas as acusações.
Na sentença, o juiz destacou que o crime de extorsão se consuma no momento da grave ameaça, independentemente da obtenção da vantagem financeira pretendida.
Julgamento do duplo homicídio
A condenação é independente do processo em que a advogada responde por duplo homicídio qualificado e duas tentativas de homicídio. O caso ganhou repercussão nacional em dezembro de 2023, quando ela foi presa sob a acusação de envenenar bolos de pote levados à casa da família do ex-namorado.
Segundo a denúncia, Leonardo Pereira Alves, de 56 anos, pai de Leonardo Filho, e Luzia Tereza Alves, de 86, avó dele, consumiram os doces durante uma visita realizada por Amanda na manhã de 17. Ambos passaram mal e morreram poucas horas depois em decorrência da ingestão da substância tóxica.

As investigações também apontam que a acusada teria tentado envenenar o tio e o avô do ex-companheiro, mas eles não chegaram a consumir o alimento.
De acordo com a Polícia Civil, Amanda pesquisou previamente na internet sobre substâncias que seriam de difícil detecção após a morte e, posteriormente, adquiriu cerca de 100 mililitros de um composto altamente tóxico. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que ela recebeu uma encomenda do laboratório apontado como fornecedor do produto.

Rejeição teria motivado envenenamentos
Para a investigação, o crime teria sido motivado pelo sentimento de rejeição após o término de um relacionamento que durou pouco mais de um mês. O Ministério Público sustenta que Amanda teria fingido uma gravidez para se aproximar da família e, após o fim do namoro, decidiu atingir pessoas próximas ao ex-companheiro.
Apesar da nova condenação, o julgamento do caso do duplo homicídio ainda não tem data definida. Segundo Faucz, o processo permanece suspenso à espera de uma definição do Superior Tribunal de Justiça (STJ). “O outro caso está suspenso até definição pelo STJ. Mas imagino que no semestre que vem ocorra o julgamento pelo júri”, afirmou o advogado.

Amanda Partata
Na época do crime Amanda Partata que já era advogada em Itumbiara, também se apresentava como psicóloga e publicava conteúdos relacionados a livros e reflexões diversas. No entanto, segundo o Conselho Regional de Psicologia de Goiás (CRP-GO), ela não possui registro profissional ativo na instituição.
O então delegado do caso, Carlos Alfama, responsável pelas investigações, informou após a prisão que Amanda era citada em um processo que tramita em Itumbiara envolvendo suspeitas de aliciamento de menores para a prática de crime sexual. Além disso, há registros de outras denúncias contra ela por estelionato e extorsão em pelo menos três estados, além de Goiás.
Em outro desdobramento, a reativação de seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) chegou a influenciar sua permanência na Casa do Albergado, segundo a Diretoria-Geral de Polícia Penal (DGPP).
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