Investimentos previstos por Goiânia caem mais da metade após 2027, enquanto gastos com a máquina continuam em alta
LDO prevê redução de 53% nos investimentos já em 2028; receitas de empréstimos também praticamente desaparecem nos anos seguintes
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A prefeitura de Goiânia prevê um forte recuo nos investimentos públicos após 2027. A projeção consta na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do próximo ano e mostra que os recursos destinados a obras e novos investimentos, por exemplo, devem cair de R$ 877,4 milhões em 2027 para R$ 413,6 milhões em 2028 — uma redução nominal de cerca de 53%.
Esta tendência continua no ano seguinte. Para 2029, a previsão é de R$ 363,1 milhões, valor 58,6% menor que o estimado para 2027. Enquanto o espaço para novos investimentos diminui, o custo para manter a administração municipal segue o caminho oposto.
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As chamadas despesas correntes — que incluem folha de pagamento, custeio da máquina pública, contratos de serviços e demais despesas de funcionamento — devem crescer de R$ 10,05 bilhões em 2027 para R$ 10,56 bilhões em 2028, chegando a R$ 11,07 bilhões em 2029.
Só os gastos com pessoal e encargos sociais devem passar de R$ 5,57 bilhões para R$ 6,25 bilhões no período. As demais despesas correntes também têm previsão de crescimento, saltando de R$ 4,27 bilhões para R$ 4,59 bilhões.
Em nota, a Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz) afirmou que a comparação entre os valores previstos na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 e na LDO de 2027 não reflete, necessariamente, a execução efetiva dos recursos, já que a LDO estabelece diretrizes para o orçamento e a definição dos valores finais ocorre na Lei Orçamentária Anual (LOA), que será enviada à Câmara Municipal até 30 de setembro (leia a nota na íntegra ao final da reportagem).

Empréstimos explicam parte da queda
A redução dos investimentos acompanha outra mudança importante nas contas do município: a queda expressiva das receitas de capital, categoria que reúne operações de crédito, transferências destinadas a obras e alienação de bens.
Em 2027, a prefeitura estima arrecadar R$ 534,6 milhões nessa modalidade. No ano seguinte, a previsão despenca para R$ 59 milhões. Em 2029, cai ainda mais, para apenas R$ 4,4 milhões. O principal motivo é a redução dos recursos obtidos por meio de financiamentos.
A LDO prevê R$ 480,1 milhões em operações de crédito para 2027. Desse total, R$ 126,3 milhões correspondem a um financiamento já contratado com o Banco do Brasil, enquanto R$ 353,8 milhões dependem de operações autorizadas ou ainda em tramitação.
Para 2028, entretanto, a expectativa de novos empréstimos despenca para R$ 13,5 milhões. Em 2029, o planejamento não prevê novas operações de crédito.

Prioridade será concluir obras
Segundo a LDO, a programação considera o cronograma físico e financeiro das obras, a capacidade de arrecadação do município e a disponibilidade de recursos. O documento afirma que a prioridade será concluir empreendimentos já iniciados e executar projetos considerados estratégicos para a infraestrutura da cidade.
Entre os compromissos de longo prazo também está a Parceria Público-Privada da iluminação pública, firmada com o Consórcio Brilha Goiânia, cujo contrato prevê investimentos de R$ 1,4 bilhão ao longo de 25 anos.
Os valores apresentados na LDO são projeções que orientam a elaboração dos próximos orçamentos e não representam despesas já contratadas. A execução dependerá do comportamento da arrecadação, da contratação dos financiamentos previstos e da aprovação das leis orçamentárias de cada exercício.
Nota da Secretaria Municipal de Fazenda
Em nota, a Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz) afirmou que a comparação entre os valores previstos na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 e na LDO de 2027 não reflete, necessariamente, a execução efetiva dos recursos, já que a LDO estabelece diretrizes para o orçamento e a definição dos valores finais ocorre na Lei Orçamentária Anual (LOA), que será enviada à Câmara Municipal até 30 de setembro.
Sobre a redução superior a 70% na previsão de recursos para a Assistência Social, a pasta explicou que a estimativa de cerca de R$ 41 milhões prevista na LDO de 2026 considerava a expectativa de celebração de convênios federais, que não se concretizaram e, por isso, não foram incorporados à LOA daquele ano.
Segundo a secretaria, foram executados R$ 11,1 milhões na área em 2025 e, em 2026, já foram aplicados R$ 13,37 milhões, com expectativa de que o investimento chegue a cerca de R$ 20 milhões até o fim deste ano. Em relação aos recursos para Tecnologia e Inovação, a Sefaz informou que os R$ 132 milhões previstos decorrem de uma operação de crédito junto ao BNDES, autorizada por lei e destinada ao Programa de Modernização da Administração Tributária e da Gestão dos Setores Sociais Básicos (PMAT II), que prevê investimentos na infraestrutura tecnológica do município.