Quarta-feira, 23 de Setembro de 2026
LESÕES APÓS PROCEDIMENTO

‘Ainda estou em choque’: vítima de fisioterapeuta presa em Goiânia relata drama após procedimento estético malfeito

Mulher relata queimaduras, bolhas e uma ferida após procedimento estético com endolaser e conta como buscou atendimento médico

Por - Goiânia, GO
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Maria Aparecida, de 36 anos, relata complicações após procedimento estético com endolaser

A empreendedora Maria Aparecida Batista Moura, de 36 anos, está entre as mulheres que relatam ter sofrido lesões depois de realizar um procedimento estético com a fisioterapeuta Magda Oliveira da Silva, presa pela Polícia Civil em Goiânia.

Em entrevista ao Mais Goiás, Maria contou que procurou a profissional para fazer um levantamento das mamas com endolaser, mas acabou com bolhas, queimaduras e uma ferida profunda nos seios.

O interesse pelo procedimento surgiu depois de uma indicação de uma amiga que já havia feito tratamentos com Magda. Ao ver nas redes sociais a divulgação do levantamento de mama com endolaser, decidiu procurar a fisioterapeuta. O procedimento custava R$ 1,8 mil para mulheres que aceitassem participar como modelos e autorizassem o uso de imagens de antes e depois, sem mostrar o rosto.

“Eu já tenho um pouco de trauma sobre os meus seios. Tenho uma flacidez, então sempre quis realizar um sonho de levantamento de mama”, conta.

Depois de enviar uma foto da região, recebeu a confirmação de que poderia fazer o procedimento pelo valor promocional e, como estaria de folga, marcou para o dia 3 de setembro.

Paciente relata dor durante procedimento

Maria afirma que uma das primeiras coisas que estranhou foi a forma como o atendimento começou. Segundo ela, a profissional se concentrou nas imagens de antes e depois e não fez marcações nos seios.

“Ela só se preocupou em tirar o antes e o depois. Não fez nenhuma marcação nos seios, só mandou eu deitar numa cadeira lá e começou já os procedimentos”, relata.

A paciente conta que recebeu anestesia local e, depois, uma substância cujo conteúdo não soube identificar. Em seguida, segundo ela, foi utilizado um equipamento de laser na região. Maria afirma que sentiu muito calor durante a aplicação e, mesmo anestesiada, teve dores intensas.

Ela diz que avisou a profissional sobre a dor, mas o procedimento continuou. Segundo Maria, mais anestesia foi aplicada antes que a intervenção prosseguisse.

Ao olhar os seios no espelho, ela percebeu que estavam bastante machucados, mas acreditou que aquilo pudesse fazer parte do procedimento.

“Eu realmente percebi que estava bem ferido, mas, para mim, era normal”, conta.

O procedimento terminou por volta das 20h. Na manhã seguinte, Maria acordou com bolhas na região e procurou a profissional para saber se a reação era esperada. Segundo ela, recebeu a resposta de que as bolhas eram normais.

“Eu já acordei com aquelas bolhas. Mandei mensagem para ela, perguntando se era normal dar bolhas. Ela falou que era normal”, relata.

Lesões pioram nos dias seguintes ao procedimento

Nos dias seguintes, Maria afirma que as lesões se agravaram. Ela continuou trabalhando normalmente e conta que sentia desconforto durante a rotina, especialmente ao usar o sutiã.

Segundo a paciente, ela relatou a situação à profissional e questionou se deveria ter sido afastada do trabalho. A orientação, de acordo com Maria, foi de que a reação fazia parte do processo de recuperação e que ela deveria continuar utilizando a pomada indicada.

Maria afirma que, mesmo seguindo as recomendações, percebeu que a recuperação não evoluía como esperava. Segundo ela, a profissional chegou a enviar imagens de outras pacientes que também apresentavam lesões após procedimentos semelhantes, como forma de mostrar que aquela reação poderia ocorrer durante a recuperação.

Por acreditar nas orientações que recebia, Maria continuou seguindo a rotina. Ela conta que passou a perceber a gravidade da situação quando a lesão se aprofundou.

Amiga alerta para risco e orienta mulher a ir ao hospital

Por volta do 14º dia após o procedimento, Maria enviou novas fotos para a profissional. Dessa vez, a fisioterapeuta pediu que ela voltasse ao consultório. A orientação, segundo o relato, era continuar usando uma pomada e retornar para que fossem feitos pontos na região.

“Ela disse que no sábado eu iria lá para ela fazer os pontos, que ia costurar, que não ia ficar uma ferida alargada, que era para eu não me preocupar”, relata.

No dia seguinte, as fotos foram mostradas a uma amiga, que tem uma irmã médica. Preocupada com o que viu, ela recomendou que Maria procurasse um pronto-socorro e não voltasse ao consultório. Também alertou sobre a possibilidade de uma infecção. O alerta fez Maria perceber que os ferimentos poderiam ser mais graves do que imaginava.

“Eu já comecei a chorar, porque até então parece que eu estava cega. Foi onde parece que Deus abriu meus olhos e falou: ‘Corre pro hospital’”, conta.

Ela procurou atendimento médico e foi encaminhada para uma unidade especializada após a avaliação. Depois de aguardar por uma vaga, acabou sendo transferida para uma unidade em Senador Canedo.

Durante o atendimento, Maria diz que descobriu que outras pacientes também haviam passado por complicações. Depois, soube da prisão da profissional e teve contato com outros casos semelhantes.

Segundo ela, foi nesse período que entrou em um grupo que reúne 25 possíveis vítimas.

Paciente relata choque após complicações

Maria conta que ainda tenta assimilar o que aconteceu. Para ela, a experiência provocou um estado de choque e fez com que questionasse a decisão de realizar o procedimento.

“Parece que não foi nem comigo. Eu ainda estou em choque, parece que estou fora de mim”, afirma.

Ao conhecer os relatos de outras mulheres, Maria passou a questionar a decisão de ter realizado o procedimento. Ela também diz que o que mais a impressionou foi ter mostrado à profissional como estavam os seios e, mesmo assim, ter recebido a orientação para retornar ao consultório para que ela costurasse a ferida.

“O mais terrível foi ela ver a situação dos meus seios e falar para eu voltar lá para ela dar pontos”, afirma.

Para Maria, a experiência deixou a sensação de que as consequências poderiam ter sido ainda mais graves. Ela conta que demorou a procurar atendimento porque confiava nas orientações recebidas e acreditava que os ferimentos faziam parte da recuperação.

Relembre o caso

A fisioterapeuta Magda Oliveira da Silva foi presa pela Polícia Civil na última segunda-feira (21), em Goiânia, suspeita de causar lesões graves em pacientes durante procedimentos estéticos invasivos.

Até o momento, sete vítimas foram identificadas pela investigação. Os relatos envolvem procedimentos realizados em diferentes partes do corpo, como regiões íntima, facial, glútea e mamária. Entre as lesões mencionadas estão queimaduras, cortes, sangramentos, infecções, necrose, perda de tecido e cicatrizes.

Durante a operação, a Polícia Civil também cumpriu três mandados de busca e apreensão em locais ligados à fisioterapeuta. Foram recolhidos celulares, documentos e medicamentos. A corporação informou ainda que encontrou produtos vencidos e verificou que o local não tinha licença sanitária para funcionar.

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