Terça-feira, 08 de Setembro de 2026
PERDA DE DIREITOS

Caso Proto: delegado, esposa e servidor perderão cargos por condenação de desvio milionário da Educação

Decisão da Justiça determina perda dos cargos de Danillo Proto, Karen Proto e Vitor Bento após trânsito em julgado

Rafael Oliveira
Por - Goiânia, GO
Publicado em: • Atualizado em:
Imagem dos condenados

A sentença que condenou integrantes da organização criminosa investigada na Operação Regra Três também determinou a perda dos cargos públicos de três dos oito réus: o delegado da Polícia Civil Danillo Ribeiro Proto e os servidores da Secretaria de Educação de Rio Verde Karen de Souza Santos Proto, esposa do delegado, e Vitor Rodrigo Bento.

“DEFIRO o requerimento do Ministério Público e DECRETO a perda do cargo ou função pública de DANNILO RIBEIRO PROTO, KAREN DE SOUZA SANTOS PROTO e VITOR RODRIGO BENTO”, diz a sentença desta terça-feira (8).

Segundo a sentença da juíza Placidina Pires, desta terça-feira (8), ficou comprovado que os três utilizaram seus cargos e funções públicas para cometer os crimes de organização criminosa, falsidade ideológica, prevaricação e violação de sigilo funcional (veja os detalhes abaixo).

A defesa de Dannilo Ribeiro Proto informou que vai recorrer da sentença e levar ao Tribunal questionamentos sobre o andamento do processo e os fundamentos utilizados na decisão.

As defesas de Karen de Souza Santos Proto e Vitor Rodrigo Bento sustentaram no processo a atipicidade das condutas, a ausência dos requisitos necessários para caracterização do crime de organização criminosa, a falta de dolo específico, a insuficiência das provas e a ausência de descrição mínima e individualizada das condutas atribuídas aos acusados. Também pediram a absolvição por falta de provas. No caso de Karen, a defesa ainda alegou a inépcia da denúncia, tese que foi rejeitada pela magistrada.

Danillo é apontado na decisão como líder da organização criminosa e mentor intelectual de fraudes que resultaram em desvio de pelo menos R$ 2,2 milhões de recursos públicos da educação de Rio Verde. Já Karen e Vitor, segundo a magistrada, usaram as funções que exerciam na Secretaria de Educação para possibilitar a execução das fraudes. 

A perda dos cargos, porém, não é imediata. A sentença determina que as comunicações aos órgãos públicos sejam feitas somente após o trânsito em julgado, quando não houver mais possibilidade de recurso.

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No caso de Danillo, a decisão determina que a Polícia Civil seja comunicada sobre a perda do cargo de delegado. Para Karen e Vitor, a comunicação deverá ser feita à Secretaria Estadual de Educação. 

A condenação também traz consequências que vão além das penas de prisão. Outro efeito previsto é a suspensão dos direitos políticos dos condenados após o trânsito em julgado. A sentença determina que a Justiça Eleitoral seja comunicada para registrar a restrição, que permanecerá até o cumprimento da pena. Além disso, os condenados deverão pagar as multas criminais fixadas individualmente e as custas processuais; as multas deverão ser pagas em até dez dias depois do trânsito em julgado.

Condenações

Delegado suspeito de desviar dinheiro da educação em Rio Verde ficará em cela especial
Delegado suspeito de desviar dinheiro da educação em Rio Verde, Danilli Proto Foto: Reprodução)

Danillo Ribeiro Proto, delegado da Polícia Civil: 11 anos e 2 meses de prisão em regime fechado. (Está preso na Casa do Albergado, em Goiânia, desde agosto de 2025)

  • Organização criminosa (8 anos e 10 meses);
  • Falsidade ideológica (1 ano e 6 meses);
  • Ameaça (4 meses);
  • Prevaricação (5 meses).
Imagem da investigada
Ex-coordenadora da Educação em Rio Verde, Karen Proto é acusada de participar de esquema de desvio de recursos (Foto: Reprodução – Instagram)

Karen de Souza Santos Proto, professora estadual concursada: 11 anos e 1 mês de prisão em regime fechado. (Chegou a ser presa em janeiro de 2026. Cerca de um mês depois, a Justiça concedeu liberdade provisória).

  • Organização criminosa (7 anos e 4 meses);
  • Falsidade ideológica (1 ano e 3 meses);
  • Violação de sigilo funcional (2 anos e 6 meses).

Vitor Rodrigo Bento, foi assessor financeiro da Secretaria Estadual de Educação. Ele foi exonerado do cargo em março de 2025 durante a investigação e responde em liberdade.

  • Organização criminosa (6 anos e 5 meses).

Relembre a investigação

Na investigação do MPGO, Dannilo Proto e a esposa, Karen de Souza Santos Proto são suspeitos de liderar um esquema que desviou mais de R$ 2,2 milhões de dinheiro público da rede estadual de ensino.

Segundo a investigação, o delegado é sócio de um instituto favorecido em contratos de reforma de escolas, impressão de material didático e até na realização de concurso público da Câmara de Rio Verde. Desde 2020, ao menos 40 contratos sem licitação teriam sido fraudados para beneficiar a empresa. A Justiça bloqueou bens das empresas e do Instutito Delta Proto.

A juíza Placidina Pires determinou que os condenados paguem R$ 1,85 milhão à Secretaria de Estado da Educação como ressarcimento ao erário. O valor corresponde ao prejuízo causado pelos contratos considerados fraudulentos. Também foi fixado o pagamento de R$ 1 milhão por danos morais coletivos.

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