‘Chorei de tristeza’: idosa relata reação após ter pertences jogados no chão por motorista de aplicativo em Goiânia
Após episódio com motorista, idosa diz que ficou apreensiva ao pedir novas corridas por aplicativo e ainda se entristece ao lembrar do caso
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Maria do Amparo, de 69 anos, pediu uma corrida por aplicativo para sair do Residencial Dona Genedir, em Senador Canedo, e seguir até o Centro de Goiânia, na região do antigo Jóquei Clube. Ela levava duas caixas com cerca de 120 barras de sabão, produzidas ao longo de três dias para serem vendidas e ajudar na renda.
Em entrevista ao Mais Goiás, Maria contou que o motorista chegou à casa dela, colocou as caixas no veículo e iniciou a viagem normalmente. O problema aconteceu somente quando chegaram ao destino. A corrida custava R$ 35, mas ela entregou uma nota de R$ 50. Como o motorista disse que não tinha troco, Maria precisou sair do carro para conseguir trocar o dinheiro.
Ela tentou primeiro em um estabelecimento próximo, mas não conseguiu. Depois, procurou outra loja e explicou que precisava de R$ 35. Uma mulher que estava no local entregou o valor. Com o troco em mãos, Maria saiu do comércio e voltou em direção ao carro para fazer o pagamento.
Foi quando, segundo ela, percebeu que o motorista estava nervoso. Antes que conseguisse chegar até o veículo, Maria afirma que o homem soltou uma das caixas de sabão. A embalagem abriu e as barras se espalharam pelo chão.
A idosa perguntou o motivo da atitude. “Moço, mas por que que o senhor fez isso?”, contou. Segundo Maria, o motorista respondeu: “Você não tá vendo o tempo que eu tô perdendo com você?”.
Ela explicou que já havia conseguido o dinheiro e que estava voltando justamente para pagar a corrida. Ainda conforme o relato, o motorista disse que não queria mais e deixou o local.
As duas caixas levavam cerca de 120 barras de sabão, parte da produção que Maria havia preparado durante três dias para vender na feira e complementar a renda.
Idosa diz que tristeza foi pela forma como o trabalho foi tratado
Maria afirma que o que mais a abalou não foi a possibilidade de prejuízo com os produtos. O que provocou o choro, segundo ela, foi ver o trabalho que havia levado dias para produzir ser tratado daquela maneira.
“Eu não chorava pensando em prejuízo. Meu choro foi de tristeza de ver o meu trabalho sendo tratado daquela forma. Só isso”, afirmou ao Mais Goiás.
A lembrança ainda provoca tristeza na idosa. “Isso ainda me abala e ainda entristece quando eu lembro da cena”, contou.
Maria produz os sabões artesanalmente e, quando consegue, vende os produtos aos domingos pela manhã, no Setor Leste Vila Nova, em Goiânia. Ela não tem uma banca própria. Segundo contou, uma colega cede um espaço ao lado da própria banca, onde Maria coloca caixas de feira emborcadas para expor os produtos e fazer as vendas.
ela também é deficiente visual e enxerga apenas por um dos olhos. Em uma manhã, uma cliente percebeu a deficiência e perguntou de onde vinha tanta felicidade. A mulher contou que já havia reparado no comportamento de Maria em outras ocasiões e que ela sempre atendia os clientes sorrindo.
“Meu amor, se eu sendo deficiente visual, você já imaginou se eu ainda tivesse um comportamento fechado e tudo? Pronto, aí estaria bem ruim”, respondeu Maria.
Após episódio, Maria fica apreensiva antes de pedir novas corridas
Apesar do que aconteceu, Maria afirma que não pretende deixar de usar carros por aplicativo. Como não dirige, ela depende desse tipo de transporte para se locomover. A experiência, no entanto, fez com que passasse a ficar apreensiva antes de solicitar uma nova corrida.
“Quando eu vou pedir agora um carro por aplicativo, eu já fico: Senhor, tenha misericórdia, me manda uma pessoa que esteja tranquila, que não seja nervoso, que não me maltrate”, contou.
Ao recordar o episódio, a idosa também diz que se pergunta o que poderia estar acontecendo com o motorista naquela manhã. Ela afirma que não acredita ter feito algo que justificasse a reação, mas tenta entender o que poderia ter levado o homem a agir daquela forma.
“Meu Deus, o que aquele rapaz estava vivendo naquela segunda-feira, pela manhã, para ter um comportamento daquele?”, questionou.
No dia do episódio, pessoas que estavam no local acionaram a Polícia Militar. Os agentes orientaram Maria a registrar uma ocorrência, mas ela conta que estava muito nervosa e preferiu não fazer o registro naquele momento.
No dia seguinte, os policiais voltaram a procurá-la para que formalizasse a denúncia. Maria conversou com uma sargento e com o comandante, mas decidiu não registrar ocorrência contra o motorista.
A decisão, segundo ela, foi tomada por considerar que também deveria ter empatia pela situação do outro. “Nesse momento, eu queria me comportar como uma pessoa que tem empatia pelo próximo”, afirmou.
Relembre o caso
O caso aconteceu na segunda-feira (28), quando Maria do Amparo, de 68 anos, seguia de Senador Canedo para o Centro de Goiânia com cerca de 120 barras de sabão artesanal que seriam comercializadas em uma loja no cruzamento da Avenida Anhanguera com a Rua 30.
Durante a corrida, Maria tentou pagar o valor com uma nota de R$ 50, mas o motorista informou que não tinha troco. A idosa deixou o veículo para trocar o dinheiro. Ao retornar, encontrou as caixas com os produtos espalhadas pela via.
Testemunhas ajudaram a recolher as barras, e algumas pessoas compraram parte dos produtos. As mercadorias eram vendidas em kits com três unidades por R$ 10.
Após o episódio, equipes do serviço de inteligência do CPC/2 e do 38º BPM localizaram o motorista em Bela Vista de Goiás. Em depoimento aos policiais, ele afirmou que uma das caixas se abriu acidentalmente durante o episódio. O homem não foi preso, e o caso será encaminhado à Polícia Civil para investigação.
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