Quarta-feira, 02 de Setembro de 2026
MEIO AMBIENTE

MP recomenda suspensão de corte de gameleiras de 68 anos na Praça da Cirrose, em Goiânia

Mudanças nas conclusões dos laudos sobre as gameleiras levantaram questionamentos sobre a necessidade de retirada das árvores

Inglid Martins
Por - Goiânia, GO
Publicado em: • Atualizado em:
Imagem da manifestação

Três avaliações técnicas realizadas pela Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) chegaram a conclusões diferentes sobre a situação de gameleiras de cerca de 68 anos na Praça da Cirrose, em Goiânia. Diante da divergência, o Ministério Público de Goiás (MPGO) recomendou, nesta terça-feira (1º/9), a suspensão imediata de qualquer corte ou supressão das árvores.

A primeira avaliação, feita em novembro de 2024, apontou necrose, deficiência de área permeável e risco de queda e recomendou a retirada de dois exemplares. Já em abril de 2026, uma nova vistoria registrou equilíbrio estrutural e condições regulares das árvores e indicou apenas a realização de poda e manutenção.

Em agosto de 2026, porém, a Amma voltou a recomendar a supressão de dois exemplares. A mudança nos diagnósticos em um intervalo de poucos meses levou o MPGO a questionar quais fatores teriam provocado a alteração das conclusões.

Segundo a recomendação, as razões para a divergência ainda não foram esclarecidas. O Ministério Público afirma que os pareceres originais, processos administrativos e registros fotográficos das avaliações não tinham sido apresentados nos autos.

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Laudos apresentam conclusões diferentes

A promotora de Justiça Alice de Almeida Freire, da 7ª Promotoria de Justiça de Goiânia, determinou ainda a instauração de procedimento preparatório para apurar a regularidade técnica e jurídica das avaliações que embasaram a possível retirada das árvores.

Os órgãos municipais terão dez dias úteis para encaminhar ao MPGO a íntegra dos três laudos, explicar as alterações identificadas entre as avaliações e realizar uma nova vistoria nos quatro exemplares. O trabalho deverá contar com acompanhamento da Coordenadoria de Apoio Técnico-Pericial (Catep) do Ministério Público.

A nova análise deverá avaliar individualmente cada árvore e considerar alternativas ao corte, como dendrocirurgia, poda técnica seletiva e ampliação da área permeável.

Na recomendação, o MPGO destaca que a retirada de árvores adultas com cerca de sete décadas é uma medida irreversível. O documento também cita o Plano Diretor de Arborização Urbana de Goiânia, instituído pela Lei Complementar Municipal nº 374/2024, que prevê proteção especial a árvores de valor histórico e paisagístico.

O Ministério Público alerta que o descumprimento da recomendação ou uma resposta considerada insuficiente poderá levar à adoção de medidas judiciais, incluindo uma ação civil pública com pedido de tutela de urgência.

Manifestação

Dias antes da recomendação do MP-GO, a possível retirada das gameleiras também já havia mobilizado moradores e grupos ligados à defesa do meio ambiente. Manifestantes estiveram na Praça da Cirrose para pedir a preservação das árvores e questionar a necessidade de corte dos exemplares. O grupo defende que sejam realizadas podas adequadas, retirada de galhos secos e outras medidas de manutenção antes que qualquer decisão pela derrubada seja tomada.

O Mais Goiás entrou em contato com a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) e aguarda retorno sobre o caso. O espaço permanece aberto para manifestação.

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