Sábado, 01 de Agosto de 2026
SAÚDE INFANTIL

Estiagem pode reduzir umidade a 20% neste fim de semana em Goiás; pediatra alerta para riscos às crianças

Inmet coloca áreas de Goiânia, Rio Verde e Jataí sob alerta laranja; pediatra orienta sobre hidratação, exercícios e sinais que exigem atendimento

Fernanda Cappellesso
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
Criança bebe água durante período de baixa umidade em Goiás

A estiagem que afeta Goiás pode reduzir a umidade relativa do ar a índices abaixo de 20%, com intensificação nas tardes deste sábado (1º/8) e domingo (2/8). O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém alerta laranja de perigo para municípios como Goiânia, Rio Verde e Jataí.

O aviso representa um agravamento em relação ao alerta amarelo, emitido quando a umidade varia entre 20% e 30%. No nível laranja, os índices podem ficar entre 12% e 20%, faixa que amplia o risco de incêndios e de problemas relacionados ao ressecamento das vias respiratórias.

previsão atualizada do Inmet é de que o tempo permanece estável em grande parte do Centro-Oeste. Os menores índices de umidade devem ser registrados durante a tarde. O cenário prolonga uma condição observada desde julho. Conforme o Mais Goiás mostrou no início do mês, a ausência de chuva, a redução da umidade e os ventos aumentam o risco de queimadas no estado.

Recomendações da pediatra

Crianças exigem atenção especial porque nem sempre reconhecem a sede ou conseguem comunicar que sentem desconforto. O Ministério da Saúde inclui o público infantil entre os grupos mais vulneráveis à desidratação nos períodos de seca. “A criança pode continuar brincando mesmo quando apresenta sinais iniciais de desidratação. Por isso, a oferta de água precisa partir dos adultos e ocorrer em intervalos regulares, sem esperar que ela peça”, explica a médica pediatra Samira Aguiar.

A baixa umidade não provoca gripe, bronquiolite ou outras infecções virais. O ar seco, no entanto, resseca e irrita as mucosas do nariz, dos olhos e da garganta. Essa condição pode intensificar tosse, congestão nasal, sangramento pelo nariz e sintomas de rinite ou asma. “A baixa umidade não transmite gripe, bronquiolite ou outros vírus. Ela resseca as mucosas e pode piorar a tosse, a congestão, a rinite, a asma e o desconforto de uma criança que já está doente. Febre, cansaço e piora progressiva não devem ser atribuídos apenas ao tempo seco”, esclarece Samira.

Mulher observa enquanto filho bebe água (Foto: Bento Augusto)
Hidratação regular evita ressecamento das vias respiratórias e agravamento de sintomas gripais, alerta médica (Foto: Bento Augusto)

Doenças respiratórias

Um guia do Ministério da Saúde sobre mudanças climáticas aponta associação entre a baixa umidade durante a estação seca e doenças respiratórias agudas em crianças. Isso não significa que a falta de umidade transmita vírus, mas indica que o ambiente seco pode agravar irritações e sintomas respiratórios.

A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia também recomenda atenção aos extremos de idade. Em orientação publicada pelo Mais Goiás sobre os cuidados durante o tempo seco, a pasta destaca que crianças e idosos apresentam maior risco de desidratação.

Alta de atendimentos

Dados da Secretaria de Estado da Saúde mostram que o Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad), em Goiânia, registrou 574 atendimentos relacionados a problemas respiratórios em janeiro de 2026.

Somente nos dez primeiros dias de fevereiro, a unidade contabilizou mais de 310 atendimentos, aumento de 72% na média diária em comparação com janeiro. Os diagnósticos mais frequentes incluíram gripe, bronquiolite, pneumonia, influenza e infecções pelo vírus sincicial respiratório (VSR), conforme informações da Agência Cora Coralina de Notícias.

Esses números não medem diretamente os efeitos da baixa umidade, mas mostram a demanda por atendimento pediátrico relacionada a doenças respiratórias.

Foto mostra menino com nebulizador (Foto: reprodução/Magnific)
(Foto ilustrativa: Magnific)

Em 2025, Goiás registrou 6.150 casos de síndrome respiratória aguda grave nos seis primeiros meses do ano. O número representou aumento de 51,2% em relação ao mesmo período de 2024, segundo levantamento divulgado pelo Mais Goiás sobre os casos de SRAG no estado.

No país, o boletim InfoGripe contabilizou 109.347 casos de SRAG em 2026 até o início de julho. Desse total, 56.530, o equivalente a 51,7%, apresentaram resultado positivo para algum vírus respiratório, segundo a Fundação Oswaldo Cruz.

O levantamento reúne pacientes de todas as idades. Os dados não atribuem os casos ao tempo seco, mas mostram que os vírus respiratórios continuam em circulação.

Como hidratar crianças e bebês

Os responsáveis devem manter água ao alcance das crianças e oferecer o líquido várias vezes ao longo do dia. Garrafas identificadas podem ajudar no acompanhamento do consumo em casa e na escola.

Frutas com maior quantidade de água, como melancia, melão, laranja e pera, complementam a alimentação, mas não substituem o consumo de água.

No caso dos bebês com menos de seis meses que recebem aleitamento materno exclusivo, não se deve oferecer água, chás ou sucos. O Ministério da Saúde orienta que o leite materno oferece a hidratação necessária mesmo em ambientes quentes e secos.

“Bebês em aleitamento materno exclusivo até os seis meses não precisam receber água. Durante períodos quentes e secos, a orientação é oferecer o peito com maior frequência e observar o comportamento do bebê e a quantidade de fraldas molhadas”, orienta a pediatra.

Exercícios exigem mudança de horário

Atividades físicas intensas ao ar livre devem ser evitadas nos horários mais quentes e secos do dia. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda hidratação antes, durante e depois dos exercícios, além de atenção às condições ambientais.

“Com a umidade muito baixa, escolas e famílias devem transferir as atividades para horários mais frescos ou ambientes cobertos. A criança precisa ter água disponível, fazer pausas e interromper o exercício se apresentar tontura, fraqueza, dor de cabeça ou mal-estar”, afirma Samira.

A recomendação ganha importância porque julho, agosto e setembro concentram o período mais seco no Centro-Oeste. A combinação entre ausência de chuva, ventos e baixa umidade também aparece no alerta do Mais Goiás sobre os meses de maior risco para atividades com pipas.

menino joga futebol no tempo seco (Foto: Secom/TO)
Médicos recomendam que pais monitorem e se responsabilizem pela hidratação dos filhos (Foto: Secom/TO)

Cuidados dentro de casa

A limpeza da casa deve ser feita com pano úmido para evitar que a poeira se espalhe. Vassouras e espanadores levantam partículas que podem piorar o desconforto de crianças com rinite ou asma.

A lavagem nasal com solução salina pode ajudar na retirada de secreções e partículas, além de hidratar a cavidade nasal. A técnica precisa respeitar a idade da criança e a orientação do pediatra.

Umidificadores devem ser higienizados e utilizados por períodos controlados. O aparelho ligado durante toda a noite, sem acompanhamento, pode elevar demais a umidade e favorecer a presença de fungos e ácaros, que também desencadeiam alergias.

Entre os cuidados recomendados estão:

  • Oferecer água em intervalos regulares;
  • Manter os ambientes ventilados e livres de poeira;
  • Evitar exercícios intensos durante a tarde;
  • Usar roupas leves e proteção contra o sol;
  • Evitar a exposição à fumaça de queimadas e de cigarro;
  • Manter os medicamentos de uso contínuo conforme a prescrição;
  • Evitar descongestionantes e outros medicamentos sem orientação médica;
  • Manter o calendário de vacinação atualizado.

O tempo seco também afeta os olhos. A combinação de baixa umidade, ventiladores, ar-condicionado e exposição prolongada às telas pode favorecer irritação e ressecamento, conforme reportagem do Mais Goiás sobre a síndrome do olho seco.

Quando procurar atendimento

Os responsáveis devem procurar atendimento quando a criança apresentar dificuldade ou esforço para respirar, chiado intenso, coloração arroxeada nos lábios, sonolência fora do habitual, dificuldade para mamar ou beber líquidos, redução importante da urina, febre persistente ou piora do estado geral.

“Respiração rápida, esforço visível para respirar, dificuldade para mamar ou beber, sonolência diferente do habitual e redução da urina são sinais que exigem atendimento. Quando a criança tem asma ou outra doença respiratória, os responsáveis também devem seguir o plano definido pelo médico”, alerta Samira.

Paisagem de Goiânia durante tempo seco (Foto: Jucimar de Sousa)
(Foto: Jucimar de Sousa/Mais Goiás)

Agosto deve permanecer quente e seco

A tendência indica a continuidade do tempo seco nas próximas semanas. A previsão climática do Inmet para agostoaponta pouca chuva e temperaturas acima da média em grande parte do Centro-Oeste. No centro-oeste de Goiás, as temperaturas podem ficar até 2°C acima da média histórica.

O cenário já havia aparecido em levantamento do Mais Goiás sobre o calor e a baixa umidade no estado. A projeção indica poucas chuvas, redução gradual da umidade do solo e aumento do risco de incêndios.

Com tardes mais quentes e umidade em níveis críticos, famílias e escolas devem acompanhar os avisos meteorológicos e reforçar os cuidados com crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias

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