Filhos denunciam isolamento de idosa em abrigo e apontam GCM como responsável por impedir contato da família
Polícia Civil investiga suspeita de cárcere privado após denúncia de que guarda civil municipal teria levado a mãe para instituição sem consultar os irmãos e restringido as visitas
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A Polícia Civil investiga uma denúncia de suposto isolamento de uma idosa de 86 anos que vive em um abrigo particular em Aparecida de Goiânia. Familiares registraram um boletim de ocorrência, na terça-feira (28), acusando um dos filhos da mulher, que é guarda civil municipal (GCM) de Aparecida de Goiânia, de controlar o acesso à mãe, impedir visitas e decidir sozinho pela internação da idosa na instituição. A ocorrência foi registrada inicialmente como suspeita de sequestro e cárcere privado contra pessoa aparentada.
Segundo a ocorrência, a idosa tem 13 filhos e foi levada para um abrigo particular, localizado no Setor Sítios Santa Luzia, enquanto estava internada em um hospital. A denúncia afirma que a decisão foi tomada por dois filhos sem que os demais fossem consultados. Uma das filhas procurou a polícia e relatou que nenhum dos irmãos possui curatela judicial da mãe e a maioria da família é contrária à permanência dela no abrigo. Ela afirmou ainda que tem condições de receber a idosa em casa e cuidar dela, mas o GCM não autorizou a retirada da idosa do local.
“Há anos a família já estava insatisfeita com a forma como toda essa situação estava sendo conduzida, mas tinham medo e acabavam sendo omissos em várias situações. Há cerca de um ano, ele (GCM) expulsou uma irmã que morava na mesma casa onde a mãe vivia”, declarou um familiar que preferiu não se identificar.
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Os familiares também alegam que vêm enfrentando dificuldades para visitar a idosa e que não conseguem levá-la para passar períodos com a família. Segundo a denúncia, essas restrições seriam impostas por um dos filhos, em conjunto com a instituição. Nas poucas visitas permitidas, funcionários do abrigo permaneceriam acompanhando toda a conversa entre a mãe e os parentes.
Interesse na aposentadoria
De acordo com a família, a principal motivação do guarda seria o controle da renda da mãe.
“Ele fez tudo isso ao longo de anos visando as aposentadorias dela e do falecido marido. São cerca de R$ 8 mil por mês. Ele sempre quis controlar esses recursos financeiros e, por isso, assumiu os cuidados e foi isolando ela do restante da família”, afirmou.
Outro ponto levantado na denúncia é uma queda sofrida pela idosa dentro da instituição. Conforme o relato, ela estaria desacompanhada no momento do acidente. Quando familiares conseguiram fazer uma visita, perceberam um inchaço na cabeça. Eles afirmam que a avaliação médica ocorreu apenas algum tempo depois e que o diagnóstico de ausência de lesões não convenceu a família.
Além disso, a permanência da mulher no abrigo é paga com recursos da própria aposentadoria e já existe uma ação judicial pedindo a retirada da idosa da instituição, além da definição sobre eventual curatela. O processo aguarda decisão da Justiça.
Até o momento, a Polícia Civil não informou se os responsáveis pelo abrigo ou o filho citado já foram ouvidos. O caso segue sob investigação.
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